sábado, 9 de dezembro de 2017

Bebês do futuro

O nascimento da primeira criança americana após transplante de útero mostra que o método se consolida como opção a mulheres que não podiam gerar filhos

Crédito: Divulgação
É UM MENINO O garoto, que teve a identidade preservada, nasceu saudável (Crédito: Divulgação)
Ele nasceu há um mês no hospital da Baylor University Medical Center, nos Estados Unidos. Teve seu nome, o nome dos pais e o endereço preservados para que a privacidade da família seja respeitada. É um cuidado a mais para o menino – retratado na foto acima – que se tornou a primeira criança nos EUA a nascer após a mãe ser submetida a um transplante de útero.
O anúncio de seu nascimento ocorreu na semana passada e deixou entusiasmados médicos e pacientes de todo o mundo. Provou que a aplicação do método pode ser replicada por instituições ao redor do planeta. Desde 2014, apenas o hospital sueco da universidade Sahlgrenska, em Gotemburgo, havia sido bem-sucedido na adoção da técnica. Oito bebês nasceram por lá depois de transplantes uterinos. “É importante quando reproduzimos com sucesso novos métodos”, afirmou a médica Liza Johannesson, ex-integrante do time de especialistas suecos e hoje membro do grupo da Baylor University. “Vi muitos nascimentos, mas este foi especial.”
O transplante de útero foi criado para servir de última opção à mulheres que desejam ter filhos mas, ou nasceram sem o órgão, ou tiveram doenças que obrigaram sua remoção ou prejudicaram sua funcionalidade. É um procedimento complexo. A cirurgia para a extração do útero é delicada e o implante tem grau de dificuldade que se aproxima ao de um transplante de fígado, o mais desafiador de todos. A concepção deve ser feita por fertilização in vitro (união de óvulo e espermatozóide em laboratório).
A possibilidade de dar à mulheres a oportunidade de gerar um filho, no entanto, move os especialistas. E faz crescer entre as pacientes a perspectiva de ver um sonho realizado. Após o nascimento das crianças, o órgão é removido para que as pacientes não precisem tomar remédios anti-rejeição a vida toda.
C. P.
Até hoje, nove bebês nasceram a partir da técnica. Oito na Suécia

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Colesterol alto também pode ser problema de criança

Médica alerta para a condição que aumenta o risco cardiovascular mesmo na infância e explica como é possível contê-la do princípio

Embora seja mais comum na idade adulta, o aumento dos níveis de colesterol ou triglicérides no sangue não raro já tem início na infância. E representa uma ameaça à saúde, uma vez que está diretamente associado ao maior risco de infarto e acidente vascular cerebral. Inclusive porque, ainda nessa fase da vida, já pode começar a formação de placas de gordura nas artérias, fenômeno que levará às doenças cardiovasculares no futuro.
Um quadro em particular chama atenção nesse contexto: a hipercolesterolemia familiar (HF), doença caracterizada por altos níveis de colesterol logo na infância. Existem duas formas do problema. Estima-se que a versão heterozigótica, mais leve, afeta uma em cada 200 a 500 crianças. Em geral, os níveis de colesterol no sangue ficam em torno de 350 e 550 mg/dl. Falamos de indivíduos que provavelmente terão doença cardiovascular antes dos 50 anos se não tratados adequadamente.
Já a segunda a versão, a forma homozigótica, é uma doença mais rara e grave. Ocorre um caso a cada 1 milhão de indivíduos, podendo acontecer na proporção de um para 30 mil em determinadas populações.
Os valores de colesterol total, nesse caso, podem ultrapassar 1 000 mg/dl – só o LDL (o colesterol “ruim”) chega a superar 500 mg/dl. Esses indivíduos, se não controlados precocemente, apresentarão doença cardiovascular antes até dos 20 anos de idade. Além do risco às artérias, esse grupo pode sofrer com xantomas, lesões de pele originárias do excesso de gordura circulante.
Atualmente, os consensos nacionais e internacionais sugerem que a primeira dosagem de colesterol na infância seja feita em toda a criança entre 9 e 11 anos. Elas deveriam passar por uma triagem para a HF. Em crianças com obesidade, diabetes, problemas renais ou autoimunes, assim como naquelas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce (antes dos 50 anos), se recomenda que os exames de colesterol sejam feitos a partir dos 2 anos de idade.
A suspeita de maior risco pode surgir no consultório do pediatra, que, principalmente nos episódios de HF, deve remanejar o pequeno paciente a um especialista. O tratamento inicial se baseia em mudanças de estilo de vida, como aumento da prática de atividade física, adequação da dieta (pobre em gorduras e rica em fibras) e controle do peso.
Se essas medidas não surtirem efeito, deve ser iniciado o tratamento com remédios. O objetivo é manter o LDL-colesterol, mais perigoso aos vasos, abaixo de 130 mg/dl.
O diagnóstico e o tratamento precoce compõem um requisito fundamental para que essas crianças não tenham a qualidade e a expectativa de vida prejudicadas pela doença cardiovascular.
* Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica e secretária do Departamento de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Problemas com saúde bucal podem desencadear doenças cardíacas e até a morte

Gosto ruim na boca, sangramentos e dor são alguns dos sinais de que a saúde bucal não vai bem

São Paulo -  Gosto ruim na boca, sangramentos e dor são sinais de que a saúde bucal não vai bem, mas esses problemas, quando não são tratados, podem desencadear doenças no coração e até causar a morte.
"Há uma relação de doenças simples e graves que estão relacionadas com a boca. A odontologia saiu do consultório há muito tempo e tem estudado doenças que têm relação com a boca. Já se sabe da endocardite, quando uma bactéria pode ir para a corrente sanguínea e acabar se alojando no coração. Isso pode levar ao óbito", explica Letícia Mello Bezinelli, cirurgiã-dentista e coordenadora do curso de pós-graduação de Odontologia Hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Higiene bucal Freeimages
No mês passado, o ex-integrante do grupo Dominó Ricardo Bueno morreu no Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital, após passar quase dez dias internado. A causa da morte, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, foi septicemia e abscesso odontogênico. 
Letícia diz que problemas na gengiva também podem prejudicar o tratamento de pacientes com diabete. "Se o paciente tem um abscesso no dente e a gengiva está infectada, esse foco agudo prejudica o controle de glicemia." Ela completa que, no caso de gestantes, a má condição bucal pode desencadear partos prematuros.
A cirurgiã-dentista alerta ainda sobre a importância de presença de profissionais da área de odontologia para evitar casos de pneumonia associada à ventilação mecânica. "Quando o paciente está entubado, é necessário ter a limpeza adequada da boca, porque a flora muda com rapidez e os patogênicos também se proliferam rapidamente. A secreção contaminada na cavidade bucal pode ser aspirada e ir para o pulmão, causando uma pneumonia."
Higiene bucal Freeimages
Higiene
Cirurgião-dentista e diretor do Grupo Ateliê Oral, Marcelo Kyrillos diz que a higiene oral é fundamental para evitar doenças, tendo em vista que a boca é um ambiente propício para a proliferação de bactérias.
"A boca é o único órgão que é interno e externo ao mesmo tempo. Como órgão interno, acaba tendo contaminações com alimentos que não estão esterilizados, quando a pessoa rói as unhas, no hábito de morder uma caneta, ao colocar a agulha ou linha na boca, talheres. A boca está sendo bombardeada por bactérias o tempo inteiro. É um ambiente quente e úmido, a gente tem bilhões de bactérias. Quando a gente se alimenta, a comida fica alojada e, se não usa fio ou escova, elas se proliferam e podem causar algum dano", diz Kyrillos.
Ir ao dentista regularmente, que pode ser duas ou três vezes ao ano, dependendo do caso, e ter uma boa higiene oral são as recomendações de Kyrillos para manter a saúde bucal.
"O ideal é escovar os dentes após todas as refeições, mas não imediatamente após comer. A pessoa deve esperar uns 40 minutos, que é o tempo que a saliva precisa para reequilibrar o PH da boca", explicou.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Compare acerola e pitanga

Não se deixe enganar pela aparência: ambas as frutas fazem uma grande diferença na dieta

Antes de tudo, cabe ressaltar que a acerola é a fruta à esquerda da imagem, enquanto a pitanga está à sua direita. À medida que passamos os olhos pela tabela nutricional abaixo, fica claro que elas têm bastante coisa em comum. Até chegarmos à vitamina C, crucial para a renovação celular e o fortalecimento do sistema imune. “A acerola é uma das frutas com maior teor desse nutriente”, conta a nutricionista Marina Pioltine, da capital paulista.
Prova disso é que duas unidades já são suficientes para suprir a quantidade diária recomendada da supervitamina  ou seja, 90 miligramas para homens e 75 miligramas para mulheres. Também não precisa virar a cara para a pitanga. “Ela possui baixo teor calórico e fornece vitaminas e minerais”, aponta Marina.
A nutricionista ainda lembra que o alimento carrega licopeno, substância que defende a pele e é associada à redução do risco de câncer de próstata. No dia a dia, ambas as frutinhas podem ser utilizadas em sucos, sobremesas e molhos. “E dá para aproveitar as folhas da pitanga em chás“, sugere Marina. Vamos ao embate?
Energia
Acerola: 33 cal
Pitanga: 41 cal
Proteínas
Acerola: 0,9 g
Pitanga: 0,9 g
Carboidratos
Acerola: 8 g
Pitanga: 10,2 g
Fibras
Pitanga: 3,2 g
Acerola: 1,5 g
Potássio
Acerola: 165 mg
Pitanga: 113 mg
Vitamina C
Acerola: 941 mg
Pitanga: 24,9 mg
Placar SAÚDE
Acerola 5 x 2 Pitanga 2
(Os valores se referem a 100 gramas de cada alimento)
Fonte: Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Taco/Unicamp)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Novo remédio contra câncer de bexiga é aprovado no Brasil

Até então, pessoas com esse tumor tinham pouco o que fazer se a quimioterapia falhasse. Conheça o novo tratamento



Depois de décadas sem grandes novidades, o câncer de bexiga ganhou um novo inimigo no Brasil: o medicamento pembrolizumabe, da farmacêutica MSD. Esse tratamento, que se encaixa na chamada imunoterapia, aumentou as chances de sobrevivência após quase dois anos de acompanhamento – não à toa, acaba de ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para ser mais exato, a medicação é voltada especificamente para os tumores uroteliais de bexiga. “É o subtipo mais comum desse câncer, representando 95% de todos os casos”, relata o oncologista Fernando Maluf, da BP – Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
A droga vai entrar em cena apenas nos estágios avançados, quando a doença acometeu boa parte do órgão ou se espalhou para outros cantos do corpo. E só quando a quimioterapia tiver falhado.

Os benefícios do tratamento

Em comparação com uma segunda dose de quimioterápicos nos pacientes com câncer de bexiga avançado, o pembrolizumabe reduziu em 30% o risco de morte. Isso ao longo de 22,5 meses, tempo de duração do estudo que serviu de base para a aprovação na Anvisa.
“O interessante é que, em alguns pacientes, a resposta é especialmente positiva”, afirma Maluf. Como assim? “Ela dura por bastante tempo, o que dá sobrevida com qualidade”, responde o especialista.
Além disso, esse remédio imunoterápico é mais tolerado. Ou seja, apresenta menos reações adversas do que a quimioterapia. “O desafio, hoje, é saber quais indivíduos responderão melhor ao tratamento e quais infelizmente não se beneficiariam dele”, pondera Maluf. “Se tivéssemos uma forma precisa de separar esses grupos, otimizaríamos os resultados e não gastaríamos recursos desnecessários”, completa.
Pois é: como esse tratamento é bem caro, o ideal seria usá-lo apenas em quem vai tirar mais proveito dele.

Como o remédio funciona

A lógica é a mesma de outros imunoterápicos. Ou seja, o pembrolizumabe ajuda o corpo a enxergar o câncer como uma ameaça. Com isso, as nossas próprias células de defesa atacam o inimigo em vez de deixa-lo crescer numa boa.
É um mecanismo considerado revolucionário, porque, ao contrário de todas as outras linhas de tratamento, não foca diretamente a doença, mas o sistema imune. Até por isso, a imunoterapia foi eleita como avanço do ano pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica – e abre as portas para que uma mesma medicação seja usada contra alguns tipos diferentes de tumor.
O pembrolizumabe, por exemplo, também já é usado no Brasil contra o melanoma (um câncer de pele bem agressivo) e para tumores de pulmão.

O câncer de bexiga em si

Em 2017, são esperados quase 10 mil novos casos dessa enfermidade, segundo o Instituto Nacional de Câncer. A encrenca é mais prevalente em homens por volta dos 65 anos e o tabagismo aumenta em três vezes o risco de sofrer com ela. O principal sintoma é o sangramento na urina.
Se detectado em estágios iniciais, o câncer de bexiga tem boas chances de cura. “Podemos utilizar a cirurgia ou a radioterapia para lidar com ele nesse contexto. E, às vezes, até mesmo a químio”, explica Maluf.
De novo: é só em situações mais graves que a imunoterapia vira uma opção.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Nova vacina contra herpes-zóster

Medicação recém-aprovada nos Estados Unidos demonstra mais de 90% de eficácia na prevenção da doença. É a mais alta obtida até hoje

Crédito: Wavebreakmedia
Crises de herpes-zóster costumam ser bastantes dolorosas. A doença é causada pelo mesmo vírus que provoca a catapora. Na herpes, ele fica dormente na base dos nervos e pode ser reativado com o enfraquecimento do sistema de defesa do corpo. Quando isso acontece, surgem bolhas na pele – no mesmo caminho do nervo acometido -, causando coceira e dor, entre outros sintomas. Mesmo após a crise, a dor pode continuar por meses e até anos. Recentemente, o FDA, agência responsável pela liberação de remédios nos Estados Unidos, aprovou a opção mais eficaz para prevenção da doença criada até hoje. Trata-se da vacina Shingrix, do laboratório GlaxoSmithKline. Nos estudos que embasaram sua liberação, o remédio garantiu proteção contra o vírus a mais de 90% dos vacinados, independentemente da idade. A única vacina disponível atualmente (Zostavax, da MerckVaccines) previne a enfermidade em 60% dos indivíduos. Acima dos 70 anos, sua eficácia cai a 40%.
O remédio é indicado para indivíduos com idade acima de 50 anos, os mais atingidos por causa do enfraquecimento natural das defesas que ocorre com o envelhecimento. Embora represente a população mais vulnerável, é exatamente para esse grupo que a vacina antiga apresenta maior risco. Como ela é feita com vírus atenuado, tem risco de causar a doença em vez de preveni-la, em especial para quem está com as defesas fragilizadas. “É uma contraindicação justamente para quem mais precisa da vacina”, afirma o médico Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim). O novo remédio, no entanto, é feito com fragmentos do vírus. Isso evita que cause a doença.
Bom potencial
Dias após sua aprovação pelo FDA, a vacina recebeu a recomendação do Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, responsável por pesquisa e monitoramento de doenças infecciosas. O órgão orientou, inclusive, que seja dada preferência ao imunizante em detrimento da Zostavax. “A nova vacina realmente vem com um potencial muito bom”, afirma Kfouri. Não se sabe quando ela será liberada no Brasil. No entanto, embora esteja indicada pela SBim para quem tem mais de 60 anos, nem mesmo a Zostavax é oferecida pela rede pública de saúde.
Mais proteção
A herpes-zóster é causada pelo mesmo vírus responsável pela catapora, o varicella-zóster
• Ele fica dormente nos nervos e pode ser reativado quando as defesas do paciente estão diminuídas
• Por essa razão, sua manifestação é mais comum a partir dos 50 anos, quando o sistema imunológico começa a perder força
• Metade de quem chega aos 80 anos já teve ao menos uma crise da doença
O que provoca
• Erupções na pele (acompanham o caminho do nervo acometido) que causam coceira e dor
• A dor pode permanecer até anos depois das crises
• Outros sintomas são febre, dor de cabeça e distúrbios gastrointestinais
Como funciona a vacina
• É feita com fragmentos do vírus (não provoca doença), ao contrário da única opção existente até hoje, produzida com vírus enfraquecido (oferece risco de causar crises)
• São necessárias 2 doses para a completa imunização
• Indicada para maiores de 50 anos
Eficácia
• Preveniu a doença em 90% dos vacinados
• A disponível atualmente tem eficiência de 60% e, em pessoas com mais de 70 anos, de 40%

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Dezembro vermelho- Aids: mês de alerta para a prevenção e diagnóstico - Ce

Entre janeiro e 11 de novembro de 2017, 142 morreram vítimas da doença no Ceará, sendo 134 na Capital
Lêda Gonçalves - Repórter
O último mês do ano não é só vermelho por causa do Natal. Também é a época da campanha mundial da luta contra a Aids. No Ceará, a qualidade da assistência prestada nos serviços de saúde e o diagnóstico precoce representarem as principais estratégias para a redução da mortalidade e morbidade da doença, no entanto, a enfermidade continua perigosa, sem cura e pode levar à morte.
Informações básicas De acordo com a atualização semanal das Doenças de Notificação Compulsória, do período de janeiro a 11 de novembro, publicada pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), foram confirmados neste ano 908 casos de infecção por HIV, 553 casos de Aids e 142 mortes, destes, 134 em Fortaleza. Em 2016, foram 961 casos de HIV, 677 de Aids e 166 óbitos. O cenário ainda é preocupante, alertam infectologistas e, por isso, da necessidade de durante todo dezembro de ações para reforçar a prevenção, tratamento e conscientização.
Em Fortaleza, nesta sexta-feira (1º), haverá o lançamento da programação Dezembro Vermelho, na Praça do Ferreira, às 10 horas. Entre as novidades, prédios públicos e monumentos importantes da cidade terão iluminação especial em vermelho para chamar atenção sobre a importância dos cuidados e diagnóstico oportuno do HIV/Aids. Entre eles, a Catedral Metropolitana, Paço Municipal, passarela da Avenida Antônio Sales, Mercado dos Peixes, estátuas de Iracema da Beira-Mar, Aterro e Messejana, Hospital da Mulher, Hospital São José e prédio da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa).
Neste 1º de dezembro, especificamente, também receberão iluminação vermelha as árvores de Natal montadas na Praça Portugal e na Praça do Ferreira. Especialistas avaliam como adequada as ações desenvolvidas pelo Estado e Município no acompanhamento das pessoas com HIV, tratamento, terapias, distribuição de antirretrovirais, mas alertam para a necessidade de focar nas faixas etárias mais atingidas, que vai dos 20 aos 29 anos e dos 30 aos 39 anos de idade. As duas somadas são responsáveis por 63% dos casos confirmados em Fortaleza entre 2007 e 2017.
No total, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), no período foram 10.762 ocorrências positivas, com 6.786 dos registros dos 20 aos 39 anos de idade. As crianças somaram, em uma década, 69 casos. No Ceará, 16.790 casos de Aids foram notificados entre os anos de 1983 a junho de 2016. O coeficiente de mortalidade no Brasil é de 5,7 por 100 mil habitantes. A taxa no Ceará vem se mantendo abaixo da média nacional desde 2007, variando entre 3 a 4,4 óbitos por 100 mil habitantes no período. Na série histórica da taxa de detecção de casos de aids em adultos percebe-se gradativo aumento até o ano de 2012 chegando a 12,4 casos por 100 mil habitantes, com discreto declínio nos anos posteriores.
"A população relaxou com o aparecimento dos medicamentos que controlam o vírus no organismo, mas é preciso chamar atenção e esclarecer os mais jovens, com a vida sexual cada vez mais precoce e que não parecem ligar para o uso de preservativos", salienta o infectologista Anastácio Queiroz.
Teste rápido
Ele destaca a importância do teste rápido. Esse exame, explica, detecta anticorpos contra o HIV no fluido oral da pessoa e fornece o resultado que pode ser analisado a olho nu, em até 30 minutos. "Com isso, se for reagente, ele é encaminhado às unidades de saúde especializado e começa o tratamento".
Na visão do gerente da Célula DST/Aids e Hepatites Virais, da SMS, Marcos Paiva, saber do contágio pelo HIV precocemente aumenta a expectativa de vida do soropositivo. "Com o tratamento correto, seguindo as recomendações do médico, o paciente ganha em qualidade de vida", diz. Já as mães soropositivas têm 99% de chance de terem filhos sem o HIV se seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal, parto e pós-parto. Por isso, reforça o médico, se a pessoa passou por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido ou compartilhado seringas, é importante fazer o exame.
Na programação, ações educativas e atividades da mobilização 'Fique Sabendo' estão agendadas para hoje, na Praça do Ferreira. Nos dias 4 e 5, no Shopping Benfica, das 10 às 16 horas, e quinta e sexta-feira, dias 7 e 8, na Praça da Lagoinha, todas com testagem para HIV.
Na quarta-feira (6), será transmitida pela internet palestra do Núcleo de Telessaúde do Ceará, a partir das 14 horas, sobre prevenção combinada. A programação preventiva se estenderá durante todo o mês de dezembro. Todos os postos de saúde de Fortaleza intensificarão a realização dos testes rápidos.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Tarja preta nos alimentos que engordam

Será que o melhor caminho para enfrentar a obesidade e outros problemas vindos da alimentação é com uma rotulagem agressiva? Especialista discute o assunto

Estava lendo o jornal e me deparei com uma propaganda de página inteira dizendo: “rotulagem adequada já”. Nessa publicidade, uma abordagem radical com tons agressivos sugeria uma rotulagem – quase tarja preta – para certos alimentos.
Fiquei pensando: se há alguma entidade pensando em inscrever dizeres que definam o que é bom ou ruim para a saúde, quem serão as pessoas por trás dessa entidade? Quais os princípios? Quais os parâmetros?
Comecei a divagar sobre quais seriam os candidatos a receberem a tarja preta. O primeiro que veio a minha mente foi o chocolate. Ora, ele possui uma boa quantidade de gordura e açúcar. Isso não é saudável!
Porém… um estudo demonstrou que o consumo de chocolate 70% de cacau reduz marcadores de estresse e ansiedade, assim como colesterol. Opa, então o chocolate tem um lado saudável! Tá liberado.
E os cereais? Eles são redutos de carboidratos – tarja preta neles! Mas recentemente foi demonstrado que a ingestão desses alimentos promove uma alteração das bactérias intestinais, produzindo um tipo específico de ácido graxo. E isso, por sua vez, parece proteger o intestino de diversas doenças, entre elas o câncer colorretal. Mais um alimento fugiu da guilhotina.
O fato é: rotular um alimento como mocinho ou vilão simplifica o conceito de saúde. Nós poderíamos pensar em inúmeras opções aqui e certamente teríamos pontos positivos e negativos pra cada uma. Não existe alimento bom ou ruim, e sim alimentos diferentes. Podemos consumir todos.
E tem mais: rotular uma comida como saudável ou não também reduz sobremaneira o significado da alimentação, de um gosto, de um sabor. Me lembro quando fiz um curso de degustação de vinho e, após experimentarmos um tinto, a professora perguntou: qual sabor vocês sentiram?
As respostas foram as mais variadas. Morango, framboesa, grama, terra, carvalho etc. “E quem está certo, professora?” Ela respondeu: “Todos”. E destacou que o sabor tem relação com nossas histórias de vida e experiencias gustativas. Negar tudo isso e se proibir completamente de algo que faz parte da sua história dificilmente trará resultados duradouros.

Fatos, força e medo

Particularmente, me assusta a valorização de estratégia que usam fatos, força e medo para convencer alguém a adotar um comportamento mais saudável. A ciência já demonstrou que é difícil mudar de verdade dessa maneira.
Para modificarmos de fato um hábito, seja ele qual for, precisamos de uma recompensa e motivação importante para nós – para nós, e não para o profissional de saúde.
Só você consegue mudar suas escolhas. Os fumantes não param de fumar por deixarem de gostar dos seus cigarros, mas por encontrarem algo que eles desejam mais que os próprios cigarros. Pode ser, por exemplo, ter saúde para ver os netos crescerem.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Exercício físico protege contra o glaucoma

Novo estudo revela que as atividades reduzem pra valer o risco de desenvolver uma das doenças que mais causa perda de visão no Brasil

Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, avaliaram mais de 11 mil pessoas a partir dos 40 anos e descobriram que, entre os mais ativos fisicamente, a incidência de glaucoma era significativamente menor. Sim, exercício faz bem até para os olhos.
Para ter ideia, a cada dez minutos a mais de práticas entre moderadas e intensas por semana, o perigo de sofrer com esse problema caía 25%. O achado é interessante principalmente porque, até pouco tempo atrás, não se acreditava que o estilo de vida exercia qualquer influência positiva contra o avanço dessa condição.
Mais: o glaucoma atinge até 1 milhão de brasileiros, não tem cura e é uma das principais causas de cegueira no mundo. E detectá-lo cedo é um desafio, uma vez que ele não manifesta muitos sintomas.
“A doença vai aos poucos prejudicando a visão periférica até que chega ao centro. Mas essa perda gradual é difícil de ser notada antes de atingir um estágio avançado”, comenta Lisia Aoki, oftalmologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

É malhar para ver

O elo entre exercício físico e uma boa visão é novidade e ainda carece de mais estudado. Mas já se suspeita de alguns mecanismos por trás dele.
“Sabemos que um dos fatores importantes para desenvolver o glaucoma é o fluxo de sangue que o nervo óptico recebe”, explica Lisia. “A partir daí, concluímos que quadros que alterem a circulação nessa região, como pressão alta ou diabetes, podem aumentar o risco de a doença aparecer”, conclui a médica.
As passadas constantes, por sua vez, combatem males crônicos como esses. Ou seja, ela afastaria os problemas por trás do glaucoma.

Para derrotar o glaucoma

Além de ficar de olho no condicionamento físico, o ideal é fazer exames preventivos regularmente a partir dos 40 anos. “Quem tem casos na família deve ficar mais atento”, orienta Lisia. Os testes medem a pressão intraocular – é quando ela está elevada que há um aumento no risco de lesão do nervo óptico – e avaliam o estado do nervo em si.
Nos últimos anos, outras condições foram associadas à doença, como apneia do sono, hipertensão arterial noturna e o uso indiscriminado de colírios.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

'Fumar mata mais que assassinatos ', alertam companhias de tabaco dos EUA, atendendo à Justiça

Corte federal americana chegou à conclusão de que as companhias que fabricam e distribuem tabaco fizeram um acordo para mentir e enganar os consumidores a respeito dos riscos do tabagismo
AFP
Fumar
"Fumar mata, em média, 1.200 americanos. Todo dia", diz o anúncio das empresas dos EUA ( Foto:USP Imagens )
A maioria das grandes companhias de tabaco americanas difundiram neste domingo (26) uma série de anúncios que advertem para os riscos que fumar representa para a saúde, acatando uma ordem judicial de onze anos atrás. Em novembro de 2006, uma corte federal dos Estados Unidos chegou à conclusão de que as companhias que fabricam e distribuem tabaco fizeram um acordo para mentir e enganar os consumidores a respeito dos riscos do tabagismo.
A Justiça havia ordenado na ocasião que empresas como R.J. Reynolds e Philip Morris difundissem na TV e na imprensa escrita mensagens para "corrigir suas mentiras". As empresas apelaram da sentença para mudar algumas partes do texto, conseguindo, assim, retardar em mais de dez anos a divulgação de suas declarações.
A ordem judicial obriga as empresas a comprar uma página inteira nos 50 jornais mais importantes do país, como The Washington Post e The New York Times, por cinco domingos durante um ano. Além disso, terão que emitir 260 anúncios de TV ao longo de doze meses nas principais redes nacionais, como ABC, CBS e NBC.
"Fumar mata, em média, 1.200 americanos. Todo dia", diz o anúncio. "Fumar mata mais gente a cada ano do que o assassinatos, a aids, os suicídios, as drogas, os acidentes de carro e o álcool combinados".
Número de fumantes despenca
O tabagismo é a principal causa de mortalidade e de doenças evitáveis nos Estados Unidos. É responsável por 480.000 óbitos ao ano, apesar de o número de fumantes ter despencado nos últimos anos. Em 2015, o percentual de fumantes adultos caiu para 15%, o menor já registrado, segundo os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês). Na década de 1960, 42% dos adultos fumavam.
Esta forte queda se deve, sobretudo, aos impostos cobrados sobre o tabaco, às campanhas de publicidade contra o tabagismo e às restrições que limitam anúncios destinados aos jovens. Apesar disso, a indústria investe todos os anos US$ 8 bilhões para promover seus produtos.
A sentença de 2006 saiu do julgamento interposto pelo Departamento de Justiça em 1999 para recuperar parte do dinheiro que o governo federal destina anualmente a tratar doenças como o câncer, provocadas pelo tabagismo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Alergia alimentar pode causar rinite?

Não propriamente, mas as reações adversas à comida também se manifestam longe da barriga. Entenda os sintomas e aprenda a diferenciá-los da rinite comum

Não são só os ácaros, a poeira e a mudança de clima que entopem o nariz e desencadeiam o que parece ser um episódio de rinite alérgica. Em alguns casos, o que está por trás do nariz escorrendo e dos espirros é, na realidade, uma alergia alimentar desconhecida.
Isso ocorre porque, quando o corpo do alérgico entra em contato com um agente específico, como o leite ou o ovo, o sistema imune reage exageradamente para tentar se defender do suposto “agressor”. Que é, na verdade, inofensivo.
Pois bem: esse alarme falso libera tropas de defesa para o corpo todo – por isso a repercussão pode ser geral. “Os sintomas mais comuns são os gastrointestinais, como vômito, diarreia e cólicas, e os da pele”, explica Victor Nudelman, pediatra e alergologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. “Mas o indivíduo pode ter coriza, espirro e até tosse e chiados no peito”, completa.
A situação, vale frisar, não é frequente. “Para se ter ideia, só 8% das manifestações de alergia alimentar são respiratórias”, destaca Ana Paula Moschione Castro, alergista e imunologista do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
Se pensarmos que 4% da população adulta tem alguma dessas alergias, dá para calcular que um público relativamente pequeno descobrirá por causa das vias aéreas um transtorno do tipo. Já a rinite alérgica, que tem um processo até parecido de resposta imunológica, mas por conta de outros fatores, é bem abrangente – o estudo mais robusto sobre o assunto aponta uma média de 25% de acometidos no Brasil.

Como saber se foi a comida

Fique atento ao horário do acesso de tosse ou da espirradeira. “As alergias alimentares do tipo IgE mediadas, como a do leite de vaca e do ovo, manifestam sintomas até duas horas depois da ingestão do alimento”, aponta Ana Paula.
Se o intervalo confere, é preciso fazer uma investigação para saber qual ingrediente será limado do cardápio. Além da proteína do leite e do ovo, que são os gatilhos mais comuns do Brasil, outros itens desencadeiam reações, como amendoim e demais oleaginosas, camarão, trigo e soja.
“Com a chegada de mais produtos importados que não comíamos antes, podem-se descobrir ainda novos alergênicos, como o gergelim e o kiwi”, comenta a médica. Na dúvida, melhor procurar um especialista para determinar a causa do incômodo.
Se a pessoa já sabe que é alérgica e percebe que, fora inchaço, pele vermelha e coceira, algo está errado com a respiração, melhor ficar especialmente atento. “Esses sintomas estão relacionados com a gravidade da crise e podem caracterizar o princípio de uma anafilaxia, quadro que exige atendimento imediato”, diferencia Ana Paula.

E a intolerância à lactose?

Primeiro, vale reforçar que alergia à proteína do leite e intolerância à lactose são problemas distintos. A primeira provoca uma reação desmedida das defesas do corpo, enquanto a intolerância é uma dificuldade na digestão da lactose, açúcar presente no leite.
Até por isso, os transtornos desse último quadro ficam mais restritos ao sistema gastrointestinal. “Alguns estudos tentam relacionar, por exemplo, sinusite à intolerância, mas o elo não está confirmado”, aponta Ana Paula.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Último teste para transplante de cabeça foi feito. E “deu certo”

Médico italiano Sergio Canavero afirmou que transplante e reconexão da cabeça com um corpo sem vida funcionou. Próximo passo é "transplante formal"

 
O médico italiano Sergio Canavero, que pretende fazer o primeiro transplante de cabeça da história, afirmou que o procedimento foi bem-sucedido em um treinamento feito em cadáveres. Canavero caracterizou o teste como o “último passo para um transplante de cabeça formal”, de acordo com o britânico The Telegraph.
A técnica desenvolvida por Canavero é muito controversa e criticada pela maioria dos especialistas. O transplante de cabeça envolverá um trabalho delicadíssimo de conexão envolvendo a espinha, diversos nervos e vasos de sangue. De acordo com o médico, a equipe tem como objetivo realizar o trabalho em 18 horas.
O responsável pelo teste foi o doutor Xiaoping Ren, da Harbin Medical University, na China. É importante lembrar que o médico foi o responsável por realizar um transplante de cabeça entre macacos.
“Todos disseram que seria impossível. Mas a cirurgia deu certo”, disse Canavero em um pronunciamento realizado em Viena, na Áustria. De acordo com o médico, um trabalho formal será publicado em uma revista científica explicando e detalhando o procedimento e os resultados.
Testes usando transmissão de eletricidade mostraram que as conexões entre nervos, a cabeça e o corpo funcionaram. De acordo com o médico italiano, o próximo passo é fazer o mesmo procedimento em um paciente vivo.
Esse paciente já foi selecionado— e faz algum tempo. O russo Valery Spiridonov é o voluntário para participar do primeiro transplante de cabeça da história. Ele sofre uma doença muscular terminal chamada Síndrome de Werdnig-Hoffman.
 “Tenho muito interesse em tecnologia e qualquer assunto progressivo que possa mudar a vida das pessoas para melhor”, disse Sporidonov em uma entrevista ao Russia Today em 2015. Também em 2015, o médico Sergio Canavero havia previsto que o transplante da cabeça de Spiridonov para um corpo que tivesse tido morte cerebral fosse acontecer em 2017.
Os planos de um transplante de cabeça (ou de corpo, se preferir) foram anunciados por Canavero em 2013. O especialista é diretor do grupo de neuromodulação avançada de Turim, da Itália.
A ideia de Canavero já foi bastante contestada entre especialistas. No passado, o presidente da Associação Americana de Neurocirurgiões, Dr. Hunt Batjer, chegou a dizer à CNN que não aceitaria passar por esse procedimento. “Existem muitas coisas piores do que a morte”, disse então.
Apesar dos testes supostamente bem-sucedidos de agora, Canavero e sua equipe ainda não divulgaram uma data para o transplante acontecer.
Este conteúdo foi publicado originalmente em Exame.com 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

8 formas inusitadas de usar o vinagre – fora da cozinha!

Dá até para embelezar a pele ou afastar piolhos com o uso desse tempero. Não acredita? Aprenda tudo aqui embaixo:

Muito além da salada (e da cozinha como um todo), o vinagre vem ganhando espaço na casa inteira. É sério! Desde os cuidados com a aparência da pele e da higiene pessoal, passando pelos afazeres domésticos, o que antes era considerado apenas um tempero pode servir a muito mais do que imaginamos.
Conheça alguns dos principais usos abaixo:

Pele bonita

Graças ao seu pH, o produto diminui a oleosidade, mas deve passar longe de quem tem a pele sensível ou ressecada. E tem de ser usado sempre diluído em água.

Tchau, piolhos!

O ácido acético dá um chega pra lá nos parasitas. O procedimento é embeber os fios e o couro cabeludo, deixar 20 minutos e enxaguar. Vale repetir alguns dias.

Depois da picada

Pingue algumas gotas de vinagre em um algodão ou gaze e coloque sobre a picada do inseto. O ácido acético é eficaz para minimizar o coça-coça.

Alívio contra águas-vivas

Jogar vinagre no local do ataque ajuda a atenuar a toxicidade dessa espécie que ataca os banhistas. Mas não suprime a necessidade de procurar o hospital.

Escalda-pés

Água quente, vinagre e algumas gotas de um óleo essencial… Eis uma boa e velha receita para relaxar e ainda conter os fungos por trás da micose.

Para além da saúde

Amaciante
Sua acidez ajuda a remover o excesso de sabão das roupas. Anote aí: são 250 ml de vinagre para 800 ml de água. Use no último enxágue.
Limpa vidros
Costuma ser útil para tirar manchas. A dica é misturar partes iguais de vinagre e água, colocar em um borrifador e usar em vidros e espelhos.
Tira odores
Para se livrar do cheiro impregnado nos dedos depois de picar cebola e alho, lave as mãos com vinagre e um pouco de sal.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Conheça 6 causas inusitadas da infecção urinária

Intestino travado, pedras nos rins e obesidade são alguns dos fatores que podem responder por episódios recorrentes da doença. Fique atenta!

As diferenças entre o corpo da mulher e o do homem vão além daquelas que nos saltam aos olhos. O canal da uretra, por onde sai o xixi, é uma das diversidades que ficam escondidinhas. Enquanto na ala feminina essa via de saída mede cerca de 5 centímetros, na turma do Bolinha chega à incrível marca de 22 centímetros.
A consequência da discrepância não é nada vantajosa para as mulheres. Isso porque, nelas, bactérias que se metem a intrusas têm um caminho muito mais curto a percorrer até alcançar a bexiga. Quando chegam ao órgão, costumam fazer estragos. Daí a vontade de urinar fica intensa, há dor e a urina às vezes vem acompanhada de sangue. É a cistite, nome formal da infecção urinária, que acomete de 20 a 30% da população feminina em certa fase da vida.

1. Obesidade

O vínculo é indireto, mas existe. Acompanhe o raciocínio: quem está muito acima do peso costuma exibir dobrinhas em várias partes do corpo. A característica muitas vezes dificulta a perfeita higiene da região genital após urinar e cria o cenário perfeito para as bactérias fazerem a festa.
Mas atenção: a limpeza em excesso também não é boa. “Isso altera a flora vaginal, resultando em uma expulsão de bactérias protetoras dali”, esclarece Wladimir Alfer Júnior, urologista do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. A recomendação é evitar duchas íntimas, sprays com aromas e outros itens capazes de desequilibrar a flora.

2. Segurar o xixi

“Não use banheiros públicos”… Está aí um conselho de mãe que se pode ignorar, tomando os devidos cuidado com superfícies sujas, é claro. É que xixi parado na bexiga por muito tempo cria o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias do mal. “Urinar funciona como uma lavagem contínua”, informa o ginecologista José Geraldo Lopes Ramos, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Apesar de nada romântico, o ato também é indicado logo depois da atividade sexual, quando podem ocorrer microfissuras na região da uretra, facilitando a aderência de micro-organismos. Com uma escapadinha ao banheiro, você expulsa os pequenos invasores.

3. Diabete

Qualquer moléstia que comprometa as defesas do organismo, deixando-as bem capengas, predispõe à infecção urinária. É o caso do diabete e da aids. “Aí, nosso corpo não consegue se defender direito das bactérias”, justifica Rodolfo Borges dos Reis, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), regional São Paulo.
Certos medicamentos, como aqueles indicados para quem convive com o lúpus, e a prática excessiva de exercícios físicos também contribuem para a queda da imunidade.

4. Constipação

Na famosa prisão de ventre, os problemas vão além do desconforto abdominal. Pela anatomia feminina, as bactérias do trato gastrointestinal, empacadas, têm facilidade em migrar para a uretra, contaminando-a. “A culpada pela maioria dos episódios de cistite atende pelo nome de Escherichia coli. Essa é uma bactéria que vive no intestino, onde não cria problemas.
Mas, quando passa para a área da vagina, compete com micro-organismos que vivem naturalmente ali”, descreve Milton Skaff, daBeneficência Portuguesa. Daí, se a intrusa domina o terreno, cresce o risco de infecção. “De fato, nas pacientes constipadas detectamos uma maior colonização de micro-organismos do intestino na região vaginal”, confirma o especialista.

5. Camisinha

Calma! Não vá achando que nesse tópico você vai encontrar um sinal verde para dispensar o preservativo durante o sexo. Jamais. O único contratempo é que os espermicidas – substâncias responsáveis por matar os espermatozoides – modificam a flora vaginal, deixando as mulheres mais suscetíveis à ação maléfica das bactérias.
A saída, então, é procurar camisinhas sem o tal espermicida ou que tenham a substância na parte interna, para o gel ficar em contato apenas com o pênis.
6. Cálculo renal
“Em certos casos, as pedras que se formam nos rins são ocasionadas por uma bactéria que interfere na acidez da urina, facilitando o depósito de sais”, explica Fernando Almeida, chefe do Setor de Urologia Feminina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O problema? O risco de esse micróbio também financiar a temida cistite. “Há a possibilidade, inclusive, de o cálculo renal culminar direto no tipo mais grave da doença infecciosa, que é a pielonefrite”, alerta Skaff.
“Mas essa relação entre pedra no rim e infecção urinária é exceção, não a regra”, afirma o médico da Unifesp. De qualquer forma, o recado é sempre investigar. Assim, evita-se o uso constante de antibióticos e o surgimento de um exército perigoso de bactérias resistentes.

As duas faces do problema

A cistite é o tipo mais frequente de infecção urinária. Ela atinge a bexiga, e os sintomas incluem vontade de fazer xixi a todo momento, além de ardência e sangramento ao urinar. Antibiótico, analgésico e hidratação costumam dar conta do recado.
A pielonefrite, por sua vez, é a forma mais nefasta do quadro, pois a bactéria chega até os rins, causando febre e mal-estar. O tratamento é mais prolongado e pode exigir internação.

Vacina

Quem convive com a infecção urinária várias vezes ao ano pode recorrer a uma vacina para melhorar as defesas do corpo. Ela é um pouco diferente, para começar pela forma – ora, trata-se de um comprimido.
Tem outro detalhe: esse tratamento é indicado só para as mulheres atormentadas pela bactéria Escherichia coli, responsável por 85% dos episódios de cistite.

Antibiótico preventivo

Outro recurso capaz de reduzir as recorrências infecciosas é o uso profilático de antibióticos. Na prática, a paciente recebe doses baixas do medicamento – geralmente um quarto da quantidade utilizada normalmente – por cerca de seis meses.
Nesse meio-tempo, é possível que as bactérias provoquem novas infecções, porém o risco é menor. Para definir o melhor caminho e afastar a complicação, conte com acompanhamento médico.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Câncer de próstata, diagnóstico precoce é o caminho para a cura

No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, especialista explica o que você precisa saber sobre uma das doenças mais comuns na ala masculina

Em novembro de 2003, surgia na Austrália o movimento Movember — união das palavras em inglês Moustache (bigode) e November (novembro) —, quando homens deixaram crescer o bigode para chamar atenção à saúde masculina e fazer um alerta sobre o câncer de próstata. A campanha expandiu-se pelo mundo e inspirou o Novembro Azul, criado em 2011 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida para promover ações de esclarecimento sobre a doença no Brasil.
Quando excluímos os tumores de pele, o câncer de próstata figura como aquele mais comum em homens acima dos 50 anos. É também a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos. No Brasil, está por trás de 62 mil novos casos e 13 mil óbitos por ano.
A doença, em geral, evolui lentamente, mas existem casos agressivos. Sabe-se que um em cada seis homens terá o problema, mais frequente em negros e naqueles que possuem parentes de primeiro grau que tiveram o câncer. Quando acomete homens com menos de 50 anos, pode estar associado a mutações genéticas hereditárias do gene BRCA 1 e/ou 2, o mesmo relacionado aos cânceres de mama e ovário hereditários nas mulheres.
Devemos ficar atentos à condição porque, na fase inicial, não costuma apresentar sintomas. Eles aparecem mais nos estágios avançados — dores nas costas, nas pernas e nos quadris podem surgir em função da disseminação da doença para os ossos, por exemplo. É comum, no entanto, a presença de sinais de hiperplasia (aumento) da próstata, situação benigna que pode coexistir com o câncer e provocar diminuição na força do jato miccional, aumento na frequência das idas ao banheiro e esvaziamento incompleto da bexiga.
Estudos já tentaram demonstrar se alguns alimentos, vitaminas, suplementos antioxidantes ou mesmo fármacos seriam capazes de prevenir o câncer de próstata, mas, até o momento, não há evidências contundentes de que seja possível evitá-lo. As pesquisas indicam o envelhecimento como principal fator de risco. Dieta com alto teor de gordura animal, obesidade e sedentarismo também podem estar associados à maior probabilidade de desenvolvê-lo.

O impacto do diagnóstico precoce

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Europeia de Urologia recomendam o rastreamento do câncer de próstata em homens a partir dos 50 anos ou a partir dos 45 no caso de negros e homens com histórico familiar da doença.
Dois exames são essenciais para o diagnóstico: a dosagem no sangue do PSA e o toque retal.
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína que pode ser encontrada no tecido prostático, no sêmen e na corrente sanguínea. Pode estar alterado em diferentes contextos, caso de prostatites (infecções da próstata), hiperplasia e do próprio câncer. Um resultado normal no PSA, isoladamente, não exclui a possibilidade de haver um tumor maligno. Daí a necessidade do toque retal.
Embora ainda visto com certo preconceito, não há atualmente outro exame com a mesma eficiência. Quando realizado por um médico bem treinado, o toque dura segundos, é indolor e permite avaliar características fundamentais para o diagnóstico de doenças prostáticas. Se, após esses exames houver suspeita da doença, pode ser necessária uma biópsia para confirmar o diagnóstico.
O câncer de próstata tem comportamento variável. Pode ser de baixa, intermediária ou alta agressividade, estar localizado apenas na próstata, avançado localmente ou já espalhado em outros órgãos.
O tratamento é baseado nesses fatores e em características individuais do paciente. Cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia e vigilância ativa (quando o urologista segue acompanhando, mas não é feita uma intervenção direta no problema) são as estratégias que podem ser tomadas isoladamente ou em associação. O tratamento ideal é personalizado e busca a melhor forma de combater o câncer com menor grau de agressão ao paciente.
Felizmente, quando a doença é detectada em fase inicial, a chance de cura ultrapassa os 90%. Por isso, ajude a propagar essa mensagem em mais um Novembro Azul. Além de salvar vidas, a detecção precoce permite recuperar a alegria e a autoestima dos homens, assim como o bem-estar da família.
* Prof. Dr. Hamilton de Campos Zampolli é urologista, doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo e membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida 

sábado, 18 de novembro de 2017

Os tratamentos que os seguros terão de oferecer em 2018

A lista da ANS de procedimentos a serem cobertos pelos planos de saúde foi atualizada. Entre eles, estão remédios para câncer e esclerose múltipla

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde no país, divulgou os 18 procedimentos que as prestadoras serão obrigadas a fornecer a partir de janeiro de 2018. São exames, operações e remédios mais modernos disponibilizados para um universo de 42 milhões de usuários.
“A revisão é feita de dois em dois anos, com a ajuda também de consulta pública. Esse ano, recebemos mais de 5 mil sugestões, sendo que metade vem dos próprios consumidores”, aponta Karla Coelho, médica e diretora de Normas e Habilitação de Produtos da ANS.
SAÚDE destrinchou a lista, trazendo os principais destaques para você:

Para o tratamento do câncer

São oito novos quimioterápicos orais, que combatem tumores no pulmão, melanomas, leucemia e outros. Desde 2014, os convênios fornecem opções dentro dessa linha da quimioterapia, que permite que ela seja feita até em casa em algumas situações.
A novidade é a chegada de fármacos com menos efeitos colaterais. “Eles combatem moléculas específicas e, assim, são menos tóxicos”, explica Arthur Malzyner, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
A incorporação é comemorada, mas com ressalvas. “Vejo essa liberação como um pouco tardia. Alguns deles já estão disponíveis há três anos nos Estados Unidos e, desde então, estamos brigando para ter por aqui. Se a Anvisa já autorizou a comercialização desses medicamentos, por que passar por uma segunda análise? ”, pondera Malzyner.

Para a saúde dos olhos

O principal avanço é para os indivíduos com diabetes. “Incluímos a tomografia de coerência óptica, que é um exame que identifica o impacto da retinopatia diabética”, conta Karla. “E também disponibilizamos uma injeção contra esse quadro que melhora a acuidade visual”, completa. A condição é uma das principais causas de cegueira no mundo em pessoas com idade produtiva.

Para quem tem esclerose múltipla

Os convênios passam a oferecer o natalizumabe. “É o primeiro tratamento específico para a doença, que melhora muito a qualidade de vida do paciente”, aponta Karla.
Basicamente, o imunobiológico trabalha para impedir que algumas células de defesa entrem no cérebro e na medula espinhal do sujeito com o distúrbio. Suspeita-se que essa invasão esteja por trás de parte dos estragos provocados pela esclerose múltipla.

Para crianças

Agora, há uma cirurgia mais simples e menos invasiva, feita por endoscopia, para corrigir o refluxo vesicoureteral, uma malformação que provoca infecções urinárias nos bebês. Além disso, os planos de saúde terão que colocar à disposição o tratamento preventivo contra o vírus sincicial respiratório (VSR).
“O medicamento aumenta a imunidade da criança e reduz o risco de pneumonia e outras complicações, especialmente nos prematuros, que estão mais suscetíveis a infecções respiratórias repetidas provocadas por esse agente”, explica Carla.

Para mulheres que precisam fazer cirurgias

São quatro laparoscopias, um grupo de operações menos invasivas feitas por vídeo. Uma para tratar câncer de ovário, outra para restaurar suporte pélvico e duas direcionadas para mulheres com problemas nas trompas.
A lista completa de procedimentos pode ser conferida aqui.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Hospitais do Estado carecem de medicamentos e materiais -Ce

Profissionais do Hospital de Messejana denunciam a falta de insumos e o atraso de pagamentos
Funcionários do Hospital de Messejana bloquearam uma das faixas da Avenida Frei Cirilo, na manhã de ontem, em protesto pelas dificuldades enfrentadas na unidade de saúde, como o atraso no pagamento de salários ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )
por João Lima Neto - Repórter
O Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) afirma que a situação é semelhante em outras unidades, como o Hospital Geral ( FOTO: HELENE SANTOS )
Falta de medicamentos, materiais de cirurgia e até salários atrasados. Esse é o retrato de algumas unidades hospitalares do Estado. Pacientes transplantados no Hospital Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, o Hospital de Messejana, estão enfrentando dificuldades para ter acesso a medicamentos. Outro problema denunciado por profissionais da saúde é a ausência de materiais cirúrgicos, além no atraso de pagamentos de enfermeiros e técnicos de enfermagem. Na manhã de ontem, funcionários da unidade de saúde bloquearam uma das faixas da Avenida Frei Cirilo em protesto pelas dificuldades enfrentadas no hospital.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec) afirma que a situação é semelhante em outras unidades do Estado. Em ofício enviado à Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública, o órgão cita problemas iguais no Hospital Geral de Fortaleza (HGF).
Paula Rodrigues, transplantada do coração, mora em Maranguape e segue, a cada 10 dias, ao Hospital de Messejana para pegar sua medicação. Nas últimas semanas, no entanto, ela esteve no local apenas para escutar o "não temos medicamento". A jovem chegou a se deslocar três vezes à unidade de saúde, sem sucesso. "Eu moro longe. Tenho dificuldades de respiração. Enfrento o sol. Gasto dinheiro que não tenho. Minha família que ajuda. É triste".
Em defesa de enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Ceará (Sindisaúde) conta que o pagamento dos funcionários do Hospital de Messejana está atrasado desde outubro. "Nossa intenção é chamar atenção da Secretaria da Saúde do Estado. O problema é que, quando os cooperados procuram a direção do Hospital, eles não apresentam perspectivas de pagamento para o que está atrasado, além dos futuros", diz Marta Brandão, diretora do sindicato. Durante o ato na Avenida Frei Cirilo, os trabalhadores decidiram que, não havendo o pagamento dos salários até este sábado (18), na segunda-feira (20), haverá nova paralisação.
A situação atingiu também outras regiões do Estado. No mês passado, um memorando assinado por Carla Suelen Carneiro Soares, coordenadora Médica da Neonatologia do Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, determinou o fechamento dos leitos neonatais. A crescente falta de insumos tais como cateteres, antibióticos, suplementos alimentares, entre outros itens, além da sobrecarga de trabalho e reajuste de plantões dos profissionais da saúde, geraram má condições de trabalho.
A coordenadora comunicou, pelo memorando, que o fechamento da regulação de pacientes para a neonatologia do HRN se daria até que houvesse a redução de pacientes. No informe, a gestora fecha, também, a regulação de gestantes.
Intervenções
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) informou, em nota, que recebeu ofício dos profissionais de saúde. Segundo o promotor Luciano Percicotti, as entidades serão convidadas na próxima segunda-feira (20) para o repasse de mais detalhes sobre a denúncia e, assim, substanciar futuras ações, como a notificação dos eventuais responsáveis para prestar esclarecimentos. Em seguida, será a vez dos secretários de saúde do Estado e da Prefeitura de Fortaleza.
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou, por nota, que a descontinuidade pontual de alguns insumos médico-hospitalares deve-se a fatores que envolvem o fornecimento, como realinhamentos de preços, atrasos de entrega, requerimentos de troca de marca por parte dos ganhadores das licitações, além de trâmites burocráticos necessários para dar mais segurança ao processo de aquisição.
Sobre o serviço da cooperativa Coosaúde no Hospital de Messejana, a Sesa esclarece que o pagamento reclamado pelos cooperados refere-se ao serviço prestado no período de 21 de setembro a 20 de outubro. "De acordo com o contrato firmado, a Cooperativa precisa prestar contas com o Estado logo após o período do serviço prestado e, a partir da data da prestação de contas, a Sesa tem 30 dias para efetivar o pagamento", diz a nota.

Entrevista com Huygens Garcia -  Médico especialista em transplantes

Rede deve prestar assistência contínua
Quais as consequências da falta de medicamentos para pessoas transplantadas?
Qualquer pessoa transplantada necessita de medicamentos contínuos para que o órgão não seja rejeitado. Caso isso não aconteça, este paciente muito provavelmente terá que fazer uma nova cirurgia ou até mesmo pode ir a óbito. Por isso, defendo que a falta desses medicamentos é algo inadmissível e deve ser uma prioridade do sistema de saúde público do Estado.
Como isso impacta na fila de transplantes?
Se as pessoas transplantadas não têm medicamento consequentemente a fila de espera não andará. Os transplantes nesses hospitais devem ser cancelados. Não faz sentido, já que não há medicamento para o pós-operatório. Isso seria antiético. O Ceará acaba pagando um preço por ser uma referência, já que muitos pacientes vêm de regiões como norte e nordeste do País.
Para classe médica, o quanto esse problema é prejudicial?
O médico, de maneira geral, já carrega muita responsabilidade. A partir do momento que ele não tem estrutura, insumos e medicamentos para trabalhar da maneira correta esse problema acarreta graves consequências. Quem acaba pagando é o paciente, que não é tratado da forma adequada.
Patrício Lima
Repórter
Enquete
O que está faltando para você?
"Eu moro longe. Gasto dinheiro que não tenho com passagens. Preciso pedir aos meus tios. É triste. Já foi tão difícil fazer a cirurgia. Já foi tão difícil entrar em uma fila e esperar. Um medicamento tão simples".
Camila Soares
Transplantada
Minha filha é transplantada há seis, do coração. Já faltou medicação e ela está internada. Tem criança que passa meses internada. Ela toma imunossupressores. Estão esperando pessoas morrerem para resolver o problema".
Ane Caroline Pereira
Dona de casa
Saiba mais
Material cirúrgico em falta no hospital de Messejana:
Cateter venoso central
Conjunto descartável de circulação
Dispositivo de infusão venosa
Dreno cirúrgico
Enxerto arterial
Equipo copo
Fio de sutura (marcapasso)
Kit Impermeável
Liga clip
Sensor bis
Sistema de aspiração
Sonda foley
PAS adesivas
Medicamentos ausentes:
Amiodarona
Dexmedetomidina AMP
Obutamina AMP
Dopamina AMP
Fibrinogênio humano
Milrinona AMP

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Arboviroses são confirmadas em 159 municípios do Ceará

ncidência acumulada de casos prováveis das doenças chega a 2.411,1 por grupo de 100 mil habitantes
por Nícolas Paulino - Repórter
Apesar das sucessivas campanhas educativas promovidas pelo poder público e das ações de vigilância e controle vetorial por parte da população cearense, a propagação das arboviroses - dengue, zika e chikungunya - revela um cenário epidêmico alarmante: 159 (86,4%) dos 184 municípios do Estado já confirmaram casos de pelo menos uma das doenças, conforme o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde (Sesa), divulgado em 10 de novembro.
A incidência acumulada de casos suspeitos das arboviroses é de 2.411,1 por 100 mil habitantes. Atualmente, oito municípios apresentam acima de 300 ocorrências notificadas por 100 mil habitantes, índice considerado como "alta incidência".
No entanto, segundo o boletim, a análise do cenário epidemiológico das três arboviroses, nas últimas cinco semanas, permite a observação de uma queda no registro de casos, associada, provavelmente, à sazonalidade das doenças (mais comuns no período chuvoso) e à redução do número de pessoas suscetíveis. Predominante se comparada às outras duas, a chikungunya já vitimou 136 pessoas no Estado, residentes em 17 municípios.
Óbitos
No levantamento anterior, publicado em outubro, eram 117 mortes. Hoje, a Capital lidera com 105 óbitos confirmados por chikungunya, seguida de Caucaia (5), Acopiara (3), Aracati (3), Maracanaú (3) e Maranguape (3). Beberibe, Itapajé e Senador Pompeu registraram dois óbitos cada, e Jaguaretama, Marco, Morada Nova, Pacajus, Piquet Carneiro, Trairi, Umirim e Viçosa, um óbito cada.
Os casos notificados da doença também subiram. Em outubro, foram 130.920 suspeitas de chikungunya, dos quais 92.752 tiveram confirmação. Um mês depois, são 134.223 notificações, com 96.299 confirmações. Dos 184 municípios cearenses, apenas quatro - Catunda, Pires Ferreira, Potengi e Tarrafas - não notificaram casos suspeitos de chikungunya. A taxa de incidência acumulada dos casos suspeitos é de 1.497,4 casos por 100 mil habitantes.
Dengue
Neste ano, foram notificados 78.591 casos de dengue no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), correspondendo a uma taxa de incidência acumulada de 876,7 casos por 100 mil habitantes. Apenas um município não registrou caso de dengue no Estado: Pires Ferreira. Ao todo, foram confirmados 30,2% (23.798) dos casos em 159 municípios.
Dos 24 casos de dengue grave (DG) registrados no Estado, 16 foram a óbito. Também foram confirmados 87 casos de dengue com sinais de alarme (DCSA). Em relação à zika, em 2017, foram registrados 3.307 casos suspeitos em 102 municípios do Estado. Destes, 489 foram confirmados, sendo 68 em gestantes.
Plano
Em junho, o Governo do Estado anunciou incentivo de R$10 milhões para investimentos em ações de combate ao Aedes aegypti. Para participarem do rateio, os municípios devem cumprir, até dezembro, critérios como a cobertura mínima da visita domiciliar de 80% dos imóveis do município e a apresentação do Plano Municipal de Ação de Vigilância e Controle das Arboviroses para 2018.
A Sesa orienta que o manejo clínico adequado do paciente e ações de controle vetorial sejam enfatizados e intensificados pelos profissionais de saúde e gestores dos municípios.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Quadro de Schumacher apresenta melhora e família se sente mais confiante

Ex-piloto de Fórmula-1 segue com tratamento em unidade médica em casa

Suíça - Desde que passou a viver em uma unidade médica adaptada em sua própria casa na Suíça, em setembro de 2014, o estado de saúde de Michael Schumacher teve raríssimas atualizações por parte dos médicos e da família. Porém, segundo o jornal alemão, Bunte, o ex-piloto de Fórmula-1 apresentou uma melhora recente. As informações deixaram os familiares do alemão com mais esperança.
"Tanto Corinna, a sua mulher, e os seus filhos ainda estão à espera de um milagre médico", disse um amigo da família ao periódico alemão.
Michael Schumacher sofreu grave acidente em 2013 Site Oficial do Michael Schumacher
A mesma fonte ainda afirmou que o ex-piloto tem "enviado sinais a partir do seu mundo distante" e que, apesar das circunstâncias, "está bem". revelou.
O diário britânico The Sun , porém, divulgou que a família do ex-piloto alemão estaria gastando cerca de 135 mil euros por semana com a sua recuperação do acidente de esqui sofrido em 29 de dezembro de 2013, nos Alpes Franceses. Ou seja, R$ 462 mil semanais.
Em 2013, pouco antes de sofrer o grave acidente de esqui, a fortuna do ex-piloto de Fórmula 1 estava avaliada em cerca de R$ 36,6 bilhões

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Avatar contra a obesidade

A realidade virtual ganha espaço na briga contra a balança. Ela ajuda os pacientes a mudarem hábitos na vida real

Crédito: Sean Prior / Alamy Stock Photo
O paciente é estimulado a associar o exercício a bem-estar (Crédito: Sean Prior / Alamy Stock Photo)
Mudar as emoções e o comportamento em relação à comida e à prática de exercícios físicos é passo chave para o sucesso de qualquer programa de emagrecimento. Duro é conseguir fazer isso. Para ajudar os pacientes nesta tarefa complicada, especialistas do mundo têm recorrido ao uso da realidade virtual. A ferramenta consiste em promover a inserção do paciente em cenários que o estimulem a adotar hábitos saudáveis, a se afastar de armadilhas, a controlar a ansiedade e a modificar a percepção que possuem do corpo. O recurso ganhou a aprovação científica por sua comprovada eficiência e conquista quem quer perder peso e sabe o quanto isso pode ser difícil.
No Brasil, uma das que utiliza a tecnologia é a psicóloga Vânia Calazans, de São Paulo. No sistema criado por ela, há algumas possibilidades. Em uma delas, o paciente é exposto a imagens que fazem parte de sua rotina verdadeira e gravadas por ele próprio. Uma situação comum é chegar em casa e exagerar na comida. Com a ajuda da terapeuta, a pessoa se imagina naquele mesmo contexto, porém escapando dos vícios. Em outra, quem detesta atividade física é exposto a cenas da prática de várias modalidades e incentivado a associar a elas sensação de bem-estar. A secretária paulista Eliane da Fonseca beneficiou-se com as estratégias. Perdeu mais de dez quilos sem muito sacrifício. “Incorporei as mudanças de verdade”, conta.
Vânia usa o recurso para auxiliar Eliane, que perdeu mais de dez quilos (Crédito:Emiliano Capozoli)
EFICÁCIA DE LONGO PRAZO
Giuseppe Riva, professor da Università Cattolica del Sacro Cuore, de Milão, é um dos principais investigadores do recurso. Um de seus estudos mostrou a eficácia para ajudar quem emagreceu a corrigir a imagem que tem do corpo. “É comum a pessoa perder peso mas continuar achando-se gorda”, explicou à ISTOÉ. “Usamos a realidade virtual para mostrar a ela a perspectiva real de seu corpo. Os resultados a longo prazo são muito melhores do que apenas dieta e terapia.” A experiência da psicóloga Vânia com o método é igualmente positiva. “As transformações de comportamento na vida real são gradativas, mas consistentes.”
Por que a tecnologia funciona
> Auxilia o paciente a mudar o comportamento e emoções em relação à comida, aos exercícios e ao corpo
> Corrige a imagem corporal ao expor o paciente a uma perspectiva real de seu corpo
> Ajuda o indivíduo a achar formas de controlar a ansiedade que o leva a comer demais
> Também cria associações negativas com alimentos prejudiciais à saúde. Aos poucos, a pessoa para de consumi-los
No cérebro
> Há forte atividade em áreas responsáveis pelo julgamento, emoções e processamento de informações multissensoriais

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Tireoide: os exames que avaliam a saúde da glândula

Em que situações os médicos solicitam a medição de TSH e T4, os hormônios que ajudam a flagrar o hipertireoidismo ou o hipotireoidismo

  Para descobrir como anda a tireoide, não há muito segredo. Dois exames de sangue dosam os hormônios associados a essa glândula, importante para o funcionamento de todo o organismo – em excesso, eles provocam o hipertireoidismo e, quando andam em baixa, estão associados ao hipotireoidismo.
Enquanto o TSH é produzido no cérebro para estimular o funcionamento da tireoide, o T4 é secretado por ela mesma. Hoje em dia, a análise do T4 total está caindo em desuso. É que os médicos preferem analisar o T4 livre, que é uma espécie de sobra do hormônio em circulação.

Para que servem os exames

O TSH é mais específico e, por isso, considerado padrão-ouro na avaliação da glândula. Os exames são usados no diagnóstico de disfunções como o hiper e o hipotireoidismo, quando a tireoide funciona rápido ou devagar demais, respectivamente.

Como são feitos

A pessoa fica em jejum por cerca de quatro horas no caso da medição do TSH e, no mínimo, por três horas para o T4. Depois, o técnico colhe uma amostra de sangue e envia para análise no laboratório.

Os resultados

O laboratório quantifica os hormônios presentes na amostra e, no laudo, o resultado vem junto com valores referência de normalidade para comparação. Os números variam de laboratório para laboratório. Esses são os do Fleury Medicina e Saúde:
TSH – 0,45 a 4,5 mUI/L
T4 Livre – 0,6 a 1,3 ng/dL
Valores abaixo ou acima desses podem indicar problemas.

Periodicidade

A dosagem do TSH é usualmente incorporada no checkup anual das mulheres a partir dos 35 anos e, depois dessa idade, repetido de cinco em cinco anos. Mas há controvérsias sobre a necessidade de pedir esses exames quando não há sintomas que indiquem panes na tireoide. Já o T4 livre só costuma ser indicado caso haja uma alteração nos valores de TSH.

Cuidados e contraindicações

Algumas situações podem interferir nos resultados, como a ingesta de hormônios tireoidianos sintéticos. Nesse caso, a coleta tem que ser feita antes de tomar o medicamento ou quatro horas depois.
Indivíduos que consomem suplementos com biotina devem suspender o uso três dias antes da coleta de sangue. Fatores como gravidez, idade fértil, presença de anemia e insuficiência cardíaca também precisam ser ponderados pelo médico na hora de interpretar os resultados.
Fonte: Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Uso da cirurgia bariátrica é ampliado entre diabéticos no Brasil

Decisão baixa o limite mínimo de peso para esses pacientes recorrerem à cirurgia, sob a alegação de que isso vai ajudar a controlar o diabetes

A cirurgia bariátrica não visa só o emagrecimento. Há algum tempo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou seu uso para pacientes que não conseguem controlar o diabetes tipo 2, desde que tenham um índice de massa corporal (IMC) acima de 35 – ensinamos a calcular o seu valor no fim da reportagem, mas estamos falando de casos de casos de obesidade severa.
A novidade? Um parecer da mesma entidade acaba de liberar a técnica para vítimas dessa doença com IMC entre 30 e 34,9, considerados obesos de grau 1. Ou seja, para diabéticos do tipo 2 menos cheinhos.
Antes de entrar na decisão em si e na polêmica por trás dela, convém dar magnitude à mudança com um exemplo. Um indivíduo com níveis de glicose descontrolados de 1,75 metro teria de pesar 107 quilos para chegar àquele limite de 35. Agora que o sarrafo mínimo do IMC baixou para 30, esse mesmo enfermo poderia ir para a faca a partir dos 92 quilos.
“Estimamos que 70 a 80% dos diabéticos do tipo 2 têm menos do que 35 no IMC. Nem todos são candidatos para o procedimento, mas o acesso ao tratamento foi ampliado”, defende o cirurgião Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Para justificar a mudança, o relatório do CFM reitera que essa operação ajuda, sim, a reduzir as taxas de glicose. Primeiro porque, claro, ela contribui para a perda de peso, uma medida fundamental no manejo do diabetes tipo 2. Segundo porque estimula a produção de substâncias corporais que, no fim das contas, reduzem a resistência à insulina e preservam o pâncreas, o órgão que produz esse hormônio.
Em um parecer que serviu de base para o documento do CFM, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica – assim como de outras instituições – escrevem que, segundo trabalhos científicos, o tratamento cirúrgico normaliza a glicemia de diabéticos em 81% das vezes em um período de três anos. Outro artigo associa o procedimento a níveis glicêmicos normais durante ao menos dez anos em 36% dos casos.
Além disso, outros países que já aderiram a essa alteração foram usados de exemplo. A Inglaterra e os Estados Unidos estão entre eles.
Mas calma! A decisão não agradou a todos – e ainda é cheia de restrições, como você verá agora.

O outro lado da história

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) também haviam enviado uma nota ao CFM sobre o assunto. No entanto, essas instituições eram contrárias à redução do limite no IMC de 35 para 30.
No comunicado, critica-se alguns dos estudos levantados para ampliar a recomendação da cirurgia bariátrica aos diabéticos. Eles, por exemplo, avaliariam um número pequeno de pacientes com IMC entre 30 e 34,9.
Mais: faltam dados sólidos sobre a mortalidade dos indivíduos com diabetes tipo 2 submetidos à técnica, assim como na redução de encrencas como infarto e AVC – o próprio comunicado do CFM admite isso. Assim, não daria pra ter certeza se essa operação fará enfermos viverem mais e sofrerem menos com as consequências mais danosas da doença em questão.
O cirurgião Ricardo Cohen não vê dessa maneira. “A decisão de diminuir o limite do IMC para 30 veio até atrasada. Temos evidências fortes dos benefícios da cirurgia metabólica para o controle do diabetes”, assegura.

Liberou geral?!

Pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri demonstra preocupação com o parecer do CFM. Isso porque poderia incentivar o atropelamento de etapas imprescindíveis antes da operação.
“O documento pede que a doença esteja descontrolada há mais de dois anos antes de optar pela cirurgia. Mas o texto é subjetivo em alguns momentos”, opina. Em resumo: haveria um risco de pacientes sem necessidade acabarem indo para a faca.
Segundo Couri, quem tem condições de pagar pode ir direto ao cirurgião e solicitar a bariátrica. “Mas, para ela ser eficaz, deve ser indicada por um endocrinologista de confiança, com o aval de uma equipe multidisciplinar, com nutricionista e psicólogo”, arremata.
Em comunicado à imprensa, o médico Cid Pitombo, recordista em cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde, também pediu cautela. “Em obesos mórbidos, o método é indiscutivelmente benéfico, mas me preocupa a ideia de que isso seja aberto de uma forma mais ampla”, afirma. “Se você é portador de diabetes, está com o IMC entre 30 e 35, antes de ser operado, tenha certeza que tanto seu cirurgião quanto o grupo de endocrinologistas são especializados no assunto. Não se arrisque”, conclui.
Por outro lado, cabe ressaltar que o parecer do CFM afirma, com todas as letras, que a cirurgia bariátrica só deve ser realizada após a autorização de dois endocrinologistas. Ela também exige o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar antes e depois do procedimento. E define, como idade mínima, os 30 anos – a máxima é de 70.
No mais, os pacientes só devem recorrer ao método se o diabetes foi diagnosticado há menos de dez anos, quando o pâncreas está mais preservado e, portanto, a cirurgia confere mais benefícios. Dependentes químicos ou indivíduos com histórico de doença mental precisam passar por uma avaliação do psiquiatra antes de receberem autorização. Entre outras coisas.
“Não há como ser mais restritivo do que isso. Se algumas pessoas ou profissionais não seguem as regras, a culpa não é do parecer do CRM”, argumenta Cohen. “Temos de monitorar os casos e nos certificar de que todas as medidas de segurança serão tomadas”, diz.
Se fosse para resumir tudo isso em algumas poucas linhas: independentemente do IMC e do controle do diabetes, a cirurgia bariátrica trará mais resultados benéficos – e menos efeitos colaterais, que não são poucos – quando entra em cena em casos muito bem selecionados, nos quais o paciente passa por um acompanhamento antes, durante e depois da operação.

O tal IMC

Para saber o seu IMC, basta dividir o seu peso (quilos) pela altura (metros) ao quadrado. Se o número ficar entre 20 e 25, você está em forma.
Se estiver entre 25 e 30, é sinal de sobrepeso. Pessoas com IMC acima de 30 são consideradas obesas de grau I; acima de 35, de grau 2. E, quando estouram o patamar de 40, possuem obesidade de grau 3 (também chamada de obesidade mórbida).