sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Ômega-6 afastaria o diabetes

Essa gordura não tão festejada parece ter agora motivos para se gabar contra a glicemia alta. Será que ela ajuda no tratamento?

Uma revisão australiana de 20 estudos englobando dados de 39 740 pessoas concluiu que, quanto maior o consumo de ácido linoleico (uma versão do ômega-6), menor o risco de encarar o diabetes tipo 2. Já o ácido araquidônico, substância originada a partir dessa gordura – e muito associada a processos inflamatórios -, não traria riscos nem benefícios nesse contexto.
Para o nutricionista Dennys Cintra, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os achados devem ser vistos com cautela. Encontrado nos óleos de milho e girassol, o ômega-6 é essencial para o organismo.
“Só que, por ser mais comum na natureza que o ômega-3, é mais fácil sofrer pelo excesso do que pela falta dele”, diz. Aliás, é isso o que costuma ocorrer por aqui – e o resultado é inflamação. “No estudo, o ômega-6 pode ter entrado no lugar da gordura saturada, cujo excesso é prejudicial”, raciocina Cintra.

Os diferentes ômegas

Ômega-3: é reconhecido pela ação anti-inflamatória. Chia, linhaça, nozes, óleo de canola e peixes de água fria são as principais fontes.
Ômega-6: o ideal seria ingerir três partes dele para uma de ômega-3. Mas estima-se que chegamos a 50 partes para uma, o que contribuiria para estados inflamatórios.
Ômega-9: outra gordura com habilidade para barrar inflamações. Está no azeite de oliva, no óleo de canola, no abacate e no amendoim.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Marca-passo contra o Alzheimer

Implantado no cérebro, aparelho retarda a evolução da doença e atenua sintomas como falhas de raciocínio e de memória

Crédito: Divulgação
ROTINA LaVonne segue tocando piano, uma de suas atividades preferidas (Crédito: Divulgação)
É um marca-passo como o colocado no coração. A diferença é que ele foi implantado no cérebro e, pela primeira vez, melhorou a qualidade de vida de pacientes com a doença de Alzheimer. Médicos da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, anunciaram os primeiros resultados de um experimento pioneiro baseado no uso de eletrodos para controlar o avanço da enfermidade. As conclusões apontam uma perspectiva promissora, especialmente no auxílio para a realização de tarefas como se vestir, arrumar a casa, fazer comida, ler ou praticar hobbies cultivados ao longo da vida. Coisas simples para quem não tem a doença, mas desafios para seus portadores. “Estamos otimistas”, disse à ISTOÉ o neurocirurgião Ali Rezai, um dos coordenadores do projeto. “Ficamos surpresos em ver como o método melhorou os sintomas.”
Marca-passos são usados para regular a transmissão de sinais elétricos entre uma célula e outra nas áreas onde são implantados. Sem o equilíbrio no fluxo de eletricidade, o funcionamento nessas regiões fica prejudicado. Na neurologia, os dispositivos têm sido utilizados com sucesso no tratamento do Parkinson, atenuando sintomas como tremores e falta de coordenação motora depois de serem colocados em estruturas cerebrais relacionadas a essas funções.
A experiência de Ohio é a primeira a testar sua aplicação clinicamente contra a doença de Alzheimer. Nesse caso, o implante foi feito no lobo frontal. Uma das afetadas pela doença, a região é responsável por funções como julgamento, tomada de decisão e planejamento de ações. Foram apenas três pacientes, entre elas LaVonne Moore, 85 anos. Antes do implante, ela não conseguia mais cozinhar ou se vestir. Hoje, dois anos depois, faz isso sem a ajuda do marido, Tom — além de continuar tocando piano, uma paixão.
Efeito potencial
É cedo para avaliar a importância que o recurso ganhará na luta contra o Alzheimer. “São ainda poucos pacientes e é preciso saber, por exemplo, o custo que ele terá”, afirma o neurologista Denis Bichuetti, membro da Academia Brasileira de Neurologia. Apesar das ponderações, o neurocirurgião Murilo Meneses, do Instituto de Neurologia de Curitiba, acredita no potencial do método. “Ele tem um valor enorme. Abre uma nova possibilidade de tratamento”, diz o especialista. Meneses foi um dos primeiros do Brasil a implantar marca-passos contra o Parkinson e acaba de concluir um artigo no qual apresenta as coordenadas para a implantação dos aparelhos na mesma área agora usada como alvo pelos pesquisadores americanos. Nos EUA, o próximo passo é ampliar o número de pacientes estudados.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Febre amarela é detectada em urina

Descoberta científica poderá auxiliar no aprimoramento dos testes realizados para diagnosticar a doença
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O vírus é alvo de estudos há quase um século, mas não se tinha certeza ainda de que ele poderia ser encontrado no líquido e também no sêmen ( FOTO: AFP )
São Paulo/Washington. Um grupo de cientistas brasileiros conseguiu detectar o RNA do vírus da febre amarela - isto é, seu material genético- na urina e no sêmen de um paciente com a doença.
De acordo com os autores da nova pesquisa, a descoberta poderá ser útil para aprimorar os testes diagnósticos da doença.
O RNA do vírus é normalmente detectado no sangue de pacientes infectados, mas até agora não havia sido observado no sêmen e na urina. A nova pesquisa teve seus resultados publicados na "Infectious Diseases", revista científica dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) do governo dos Estados Unidos.
"Nossos resultados sugerem que o sêmen pode ser um material clínico útil para o diagnóstico da febre amarela e indica a necessidade de realizar testes de urina e coletar amostras de sêmen de pacientes com a doença em estágio avançado", diz o artigo. Esses testes poderão aprimorar os diagnósticos, reduzir os resultados falsos negativos e reforçar a confiabilidade dos dados epidemiológicos durante a atual e as futuras epidemias", escreveram os cientistas.
De acordo com o coordenador do estudo, Paolo Zanotto, pesquisador do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP), embora a descoberta também levante alguma preocupação - por mostrar que o vírus permanece no organismo por mais tempo do que se pensava -- o seu impacto é predominantemente positivo.
"É uma boa notícia, porque com a presença do RNA do vírus na urina podemos ter acesso a uma nova ferramenta diagnóstica. Outro aspecto positivo é que aumentamos nosso conhecimento sobre a biologia do vírus. O vírus já é estudado há quase 100 anos e ainda não se sabia que ele podia ser detectado na urina e no sêmen.
Embora o RNA do vírus tenha sido encontrado também no sêmen, o cientista diz que ainda não é possível saber se o vírus é realmente excretado pelo sêmen, ou se a detecção ocorreu porque a uretra do paciente estava contaminada com o vírus excretado na urina.
Segundo o pesquisador, o caso estudado indica que o período de transmissibilidade do vírus é maior do que se pensava. Hoje aceita-se que esse período tem início entre 24 horas e 48 horas antes do aparecimento dos sintomas e se estenderia por mais uma semana.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Produto que mata as larvas do Aedes aegypti é lançado no Brasil

Ele vem na forma de tabletes, funciona por 60 dias e acaba com o inseto por trás de dengue, zika e chikungunya

 
Na última década, mais de 12 milhões de brasileiros foram diagnosticados com dengue, doença transmitida por uma picada do Aedes aegypti. Como se não bastasse, o mesmo mosquito começou a ser o culpado por outras infecções no nosso país, como o zika e o chikungunya – e ainda há o temor de a febre amarela, por ora restrita aos ambientes silvestres, migrar para as cidades e ser mais um vírus que depende desse inseto para circular no meio urbano.
Nesse verdadeiro cenário de guerra, surge uma nova estratégia para combater essa ameaça tripla (quase quádrupla): a empresa BR3, do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) da Universidade de São Paulo, começou a vender recentemente o DengueTech, um comprimido que é colocado em recipientes que tenham água parada, como vasos de plantas, calhas, flores grandes e cascas de árvores.
DengueTech, larvicida dengue como matar mosquitpApós algum tempo, o tablete se dissolve e libera uma série de proteínas e bactérias da espécie Bacillus thuringiensis israelensis, conhecida pela sigla BTI. Esse micro-organismo mata as larvas do Aedes que se aproveitam daquele espaço. “Esse agente biológico não agride o ambiente, não permite que o mosquito desenvolva uma resistência à sua ação e ainda é recomendado pela Organização Mundial da Saúde”, lista o engenheiro Rodrigo Perez, da BR3.
Embalagens do DengueTech (Foto: Divulgação/SAÚDE é Vital)
O produto, que já está aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é resultado de três décadas de pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. “Eles fizeram um trabalho colossal de coletar e estudar inúmeras cepas de bactérias da biota brasileira até descobrirem as potencialidades da BTI”, destaca Perez. Após todo esse período na bancada do laboratório e uma série de ensaios científicos, o composto está finalmente disponível para a população.
Outro ponto positivo do DengueTech está em sua sustentabilidade: ele não interfere no meio ambiente ou na saúde de outros animais. Nem mesmo o pernilongo comum morre se tiver contato com a recipiente onde um tablete foi colocado. Cachorros e gatos também não terão nenhum problema se, porventura, tomarem a água empoçada que recebeu o novo tratamento.

Arsenal ampliado

A novidade se soma a uma série de outras estratégias que tentam controlar o Aedes aegypti, como mosquitos transgênicos e a inoculação de bactérias Wolbachia. Além delas, eliminar qualquer ponto de água parada continua como uma atitude essencial que todos nós devemos fazer sempre em nossas casas e em nossos bairros, principalmente nos meses de verão, quando chove mais em todo o país.
O DengueTech será vendido no site da empresa e em pontos de venda físicos, como farmácias. A embalagem com três tabletes custará R$16,50, enquanto a com dez unidades sairá por R$49,99.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O que é a síndrome do túnel do carpo e como ficar bem?

Dor e formigamento nas mãos são alguns dos sintomas desse problema, causado pela compressão de um nervo situado entre a mão e o punho. Mas há solução

Já ouviu falar da síndrome do túnel do carpo? De nome difícil, a complicação causa dores intensas, sensação de choque e formigamento nas mãos e pode levar até à perda da função desses membros. A leitora Marta Reis Santana nos pediu para investigar mais a fundo a condição – e descobrir se é possível reverter os seus sintomas. As respostas a essas e outras dúvidas (digitar no computador causa o problema?) você conhece abaixo.

O que é

A síndrome do túnel do carpo surge a partir da compressão do nervo mediano, que passa dentro de uma estrutura batizada de – adivinhe! –  túnel do carpo. Ela fica localizada entre o punho e as mãos. Os incômodos, no entanto, podem se alastrar para os braços e até os ombros.

Sintomas

Nas mãos, dores, formigamento e sensação de choque são os mais comuns. Mas, se o problema não for tratado adequadamente, pode levar a outras complicações. “Com o tempo, a síndrome do túnel do carpo dificulta os movimentos, limitando o uso das mãos e causando atrofia”, explica Francisco Gondim, médico da Academia Brasileira de Neurologia.

Causas

Segundo o especialista, é possível que o perrengue apareça sem um fator específico. Mas há algumas questões que, se observadas com cautela e tratadas adequadamente, ajudam a evitar que a condição se instale nas mãos. E olha que a atenção deve ser redobrada entre as mulheres, mais predispostas à complicação. Eis os principais fatores de risco:
  • Hipotireoidismo
  • Acromegalia
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Artrite reumatoide
  • Fraturas
  • Gravidez

Como evitar?

De acordo com Gondim, prevenir a obesidade e o diabetes através de um estilo de vida saudável é chave. O diagnóstico precoce das causas da síndrome do túnel do carpo também ajuda, porque permite um tratamento adequado dos fatores de risco.
“Também é importante evitar traumas na região das mãos”, completa o neurologista. Portanto, não se esqueça dos equipamentos de segurança para, por exemplo, andar de moto ou skate.
É possível que movimentos repetitivos, como a digitação no computador, estejam por trás da síndrome. Contudo, isso ainda não foi comprovado. Por outro lado, esses gestos podem, sim, agravar dores na mão e no pulso.

Tratamento

O mais tradicional envolve o uso da órtese de punho para a região, além de injeções de corticoesteroides. O doutor enfatiza, porém, que, nas formas mais graves, é necessária a realização de uma cirurgia para aliviar a compressão do nervo mediano.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Mamografia para câncer de mama: o que é e quando fazer esse exame

O teste é rápido e detecta os tumores no seio, mas não deve ser feito pelas mulheres a qualquer momento. A partir de quantos anos ele é indicado?

Usada para diagnosticar o câncer de mama, a mamografia é um exame não invasivo que captura imagens do seio feminino com o mamógrafo. Esse é um aparelho que usa a mesma radiação do raio-x tradicional, mas os feixes são projetados levando em conta a anatomia das mamas.
Para que funciona: para detectar tumores malignos na mama. Mas, sozinho, o exame dificilmente bate o martelo.
Geralmente o médico pede uma biópsia para confirmar eventuais suspeitas. Outros exames de imagem (mais caros e específicos) também podem entrar em jogo.
Como é feito: o mamógrafo é composto de duas placas que se encontram e pressionam o seio por poucos segundos para fazer as imagens, que saem registradas em uma chapa. O resultado fica parecido com o do raio-x convencional – porém, claro, com os seios em foco.
Nenhum preparo é necessário, exceto não ir de vestido. Isso porque a parte de cima da roupa terá que ser removida temporariamente para o exame.
Os resultados da mamografia: o mastologista, médico que cuida das glândulas mamárias, usa uma escala chamada BI-RADS para interpretar os achados nas imagens. São sete categorias, que vão de normal a tumor maligno ou benigno. O laudo pode vir ainda como inconclusivo, quando é preciso realizar novas investigações.
A partir de quantos anos fazer: é o ponto mais polêmico da mamografia. Alguns doutores costumam pedi-la dos 40 anos de idade em diante para todas as mulheres, anualmente. Tal postura é apoiada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Já o governo dos Estados Unidos sugere começar aos 45 anos. E o Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomenda o rastreamento somente entre os 50 e os 69 anos, com mamografias a cada dois anos caso não haja nenhuma alteração.
A instituição alerta para o risco de sobrediagnóstico e resultados falso-positivo (quando o teste acusa uma alteração que não existe). Esses pontos podem levar a cirurgias e tratamentos desnecessários.
Diante dessas controvérsias, o ideal é conversar com um profissional. A partir da sua história familiar e de outras características pessoais, ele vai traçar a estratégia de rastreamento mais eficaz para você.
Cuidados e contraindicações: correu nas redes sociais um vídeo afirmando que a mamografia causa câncer de tireoide. Trata-se de um mito: ela é segura e necessária. Mas isso não quer dizer que deva ser feita à revelia, porque envolve radiação, ainda que em doses baixas.
Mais: mulheres com peitos maiores e mais densos (principalmente abaixo dos 40 anos), merecem um olhar mais atento. Às vezes, o tecido mamário dificulta a visualização do mamógrafo.
Fonte: Ricardo Luba, ginecologista do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Febre amarela pode virar uma endemia em São Paulo: o que fazer

A circulação do vírus no estado deve virar uma constante, o que exige cuidados a mais com vacinação e controle dos mosquitos nos próximos dias e anos

É possível que a febre amarela vira uma endemia no estado de São Paulo (SP). Ou seja, o ciclo de transmissão deve se manter ao menos pelos próximos anos. Segundo o coordenador de controle de doenças da Secretaria de Estado da Saúde, Marcos Boulos, o fato de macacos terem sido flagrados com o vírus no inverno sugere que essa doença veio para ficar, exigindo cuidados adicionais com a vacina.
Atenção: isso não quer dizer que todo ponto do estado possui um alto risco de infecções, nem que a febre amarela se urbanizou. Por enquanto, ela segue eminentemente restrita a zonas próximas a mata, onde os mosquitos Sabethes e Haemagogus a transmitem para os macacos e os seres humanos das redondezas.
A diferença é que, ao contrário de anos atrás, o vírus não é mais um visitante. Ele chegou às regiões de mata e, possivelmente, vai virar uma ameaça crônica a quem visita essas regiões ou cidades relativamente próximas a elas. Não há, por ora, risco iminente de a febre amarela ser transmitida pelo Aedes aegypti.
De qualquer forma, essa possibilidade de endemia em São Paulo reforça a necessidade de pensar na vacinação. No momento, os governos federal, estadual e municipal já estão conduzindo campanhas para bloquear o surto.
A ideia é, com o auxílio de doses fracionadas, impedir que a febre amarela se alastre para regiões urbanas. Mas a Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo já disse que almeja imunizar praticamente toda a população sem contraindicação contra essa doença.
Da sua parte, é vital checar se a região em que você mora ou trabalha oferece um risco de contágio para febre amarela. Vai viajar? Então pesquise se o destino teve surtos ou se é uma zona com indicação para a vacina.
No mais, repelentes e outras formas de bloquear a picada dos mosquitos são bem-vindas. Principalmente a quem não pode tomar a vacina.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Como tratar a febre amarela?

A vacina ajuda a prevenir a doença. Mas como fica o tratamento de pessoas infectadas e com sintomas de febre amarela? SAÚDE responde

 
O primeiro passo para tratar a febre amarela direito é, assim que surgirem os sinais, buscar apoio médico. Os especialistas vão usar remédios para controlar os sintomas e, em casos graves, internar o paciente em UTIs, onde é possível contornar melhor as complicações enquanto o corpo enfrenta o vírus.
Portanto, não há um medicamento antiviral específico para vírus transmissor da febre amarela. Se a temperatura corporal sobe demais, o expert pode receitar um antitérmico. Se a dores ficam intensas, analgésicos costumam entrar em cena. E por aí vai. Há inclusive pessoas que pegam febre amarela e nem percebem: o organismo dá conta do recado sem sequer manifestar sintomas acentuados.
Uma coisa bem importante é se manter hidratado e repousar. E, acima de tudo, procurar um hospital quanto antes.
O tratamento fica mais complexo diante dos 15% de casos graves, que muitas vezes vêm acompanhados de icterícia, aquela coloração amarelada da pele e dos olhos. Nessa fase, o risco de hemorragias internas e falência de órgãos (rins, fígado…) põe a taxa de letalidade entre 20 e 50%.
Aí não tem jeito: a internação em uma UTI é mandatória. Só em um ambiente desses os médicos conseguem controlar as complicações, repor o sangue perdido por hemorragias e eventualmente “substituir” funções de certos órgãos com máquinas enquanto o organismo debela o vírus.
Agora um alerta: medicações anticoagulantes, a exemplo da aspirina, devem ser evitadas em qualquer infectado com febre amarela. Isso porque aumentam o risco de hemorragia.
E o tratamento das raríssimas reações adversas graves à vacina? Ele segue a mesma lógica da estratégia contra a febre amarela em si. Ou seja, ir para o hospital, manter-se hidratado, descansar e lidar com os sintomas que surgirem.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Conexão mente e corpo

Por que métodos como a acupuntura, a ioga e a meditação alteram o funcionamento do organismo e promovem benefícios cada vez mais valorizados nos tratamentos tradicionais

Crédito: Gabriel Reis
AUXÍLIO Liaw, Filippo e Maria Angela: agulhas contra o câncer (Crédito: Gabriel Reis)
A procuradora de Justiça Maria Angela Gadelha de Souza, 57 anos, é uma das pacientes do recém-inaugurado Núcleo de Bem-estar e Terapias Integrativas da BP, Beneficência Portuguesa de São Paulo, o mais novo dos principais hospitais brasileiros a implantar um serviço que combina métodos como acupuntura, meditação, ioga e massagem em seu rol de recursos. No tratamento contra as metástases oriundas do câncer de pâncreas que teve diagnosticado em 2013, além de remédios tradicionais. Maria Angela recebeu a prescrição de sessões de acupuntura. “Elas aliviam a dor e me ajudam a ter tranquilidade”, afirma a paciente.
Além de ser usada contra o câncer, a medicina integrativa está incorporada ao tratamento de doenças cardiovasculares, reumatológicas (artrite reumatóide, por exemplo), ansiedade, depressão e dor crônica, entre outras. A adoção das técnicas por centros de referência do Ocidente demorou décadas para acontecer porque, durante anos, perduraram o antagonismo e desconfiança mútuas de um lado em relação ao outro. Os médicos não acreditavam em seus efeitos e os terapeutas rejeitavam os conceitos por trás da medicina ocidental. Por isso, a prática de coisas como a meditação ou a ioga era considerada alternativa. Ou seja, substituía, e não complementava.
Atração de opostos
A ciência apagou a distância e aproximou o que até então eram opostos. Foi construída uma sólida linha de pesquisas cujos objetivos são aferir e buscar explicações para os resultados das práticas. Os benefícios começaram a ficar evidentes em estudos conduzidos por instituições de renome mundiais. Um dos mais recentes, divulgado há um mês, foi produzido pela Harvard Medical School, dos EUA, uma das pioneiras na implantação de centros do gênero. Após analisarem 32 outras pesquisas, os cientistas concluíram que opções como a acupuntura e a meditação funcionam na melhora do estado clínico dos pacientes, e particularmente, no alívio da dor crônica. “A medicina integrativa reduz a necessidade de remédios”, escreveu Yuan-Chi Lin, um dos autores da revisão.
Ainda há muito o que descobrir sobre o tema, mas está claro que a conexão entre a mente e o corpo é mais forte do que se imaginava. Pensamentos, sensações, atitudes diante do estresse promovem alterações na forma de o organismo operar. “A cabeça cura o corpo de maneira bem eficiente”, afirma o médico Liaw Chao, um dos coordenadores do novo serviço da Beneficência Portuguesa .
A acupuntura é a técnica com maior evidência científica de benefícios. Há vários mecanismos fisiológicos que os explicam, mas o principal é seu impacto no cérebro. Está comprovado que a colocação das agulhas nos pontos certos equilibra o funcionamento de algumas áreas, como o sistema límbico, onde dor e emoções são processados. Por isso, além do efeito analgésico, o método auxilia no combate à ansiedade e à depressão e até na diminuição dos sintomas do autismo, como demonstrou investigação da Hong Kong Baptist University feita com crianças afetadas pela síndrome. Sintomas como dificuldade de interação social e elevada sensibilidade à luz e ao barulho foram atenuados com a técnica.
“Pacientes tinham vergonha de contar que usavam as técnicas. Agora, a relação está transparente” Ricardo Caponero, oncologista (Crédito: Marco Ankosqui )
Meditação e ioga também causam modificações cerebrais positivas. “Os dois métodos focam nos mecanismos da consciência e reduzem o processamento de informações não essenciais”, explica Peter Hall, da Universidade de Waterloo, no Canadá. “As pessoas ficam aptas para escolher facilmente o que deve ser prioritário.” Isso dá ao cérebro mais energia, assegurando combustível para que funções como o raciocínio e a memória se aprimorem. “Práticas como essas, que trazem contato com a respiração, são muito efetivas”, diz o endocrinologista Filippo Pedrinola, da coordenação do núcleo da Beneficência Portuguesa. Concentrada nos objetivos que importam, a pessoa consegue resposta superior nos tratamentos.
A comprovação dos benefícios permite que os pacientes tenham acesso ao que realmente funciona, sem risco de serem seduzidos pelo charlatanismo. E torna menos problemático um assunto antes evitado nos consultórios. “Grande parte dos pacientes tinha vergonha de contar que usava as técnicas no tratamento”, afirma o oncologista Ricardo Caponero, coordenador do Centro de Medicina Integrativa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. “Agora, a relação está mais transparente.”

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Sobe para 11 o número de mortos por febre amarela no estado

Novas vítimas são de Cantagalo e Paraíba do Sul

Por O Dia
Sobe para nove o número de mortes por febre amarela no estado
Sobe para nove o número de mortes por febre amarela no estado - Reprodução Internet
Rio - A Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde atualizou para 11 o número de mortes por febre amarela no estado em 2018, em boletim epidemiológico divulgado na noite desta terça-feira. Os novos casos fatais da doença aconteceram em Cantagalo e Paraíba do Sul, na Região Serrana. 
Ainda segundo o boletim, o estado tem 32 casos da febre amarela silvestre em humanos. Os outros casos confirmados da doença são registrados em Teresópolis (quatro casos, sendo duas mortes), Valença (14 casos e quatro mortes), Nova Friburgo (um caso e uma morte), Miguel Pereira (um caso e uma morte), Petrópolis (um caso), Duas Barras (dois casos), Vassouras (um caso), Sumidouro ( três casos), Cantagalo (dois casos, sendo uma morte), Paraíba do Sul (uma morte), Carmo (um caso). 
Já em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, foi confirmado um caso de febre amarela em macaco. A Secretaria de Saúde lembra que os macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela. A doença é transmitida através da picada de mosquitos.
Ao encontrar macacos mortos ou doentes (animal que apresenta comportamento anormal, que está afastado do grupo ou com movimentos lentos), o cidadão deve informar o mais rápido possível às secretarias de Saúde do município ou do estado do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O que é artrite reumatoide: causas, sintomas e tratamento

Essa doença autoimune que ataca as articulações pode causar dores e deformações. Mas novos remédios permitem um controle adequado do problema

A artrite reumatoide e uma doença autoimune caracterizada pelo ataque do próprio corpo às articulações, o que provoca inchaço, rigidez e dores nas juntas, capazes inclusive de limitar a movimentação no dia a dia. O distúrbio costuma atacar especialmente dedos, joelhos e tornozelos.
Se a inflamação crônica não for contida, leva a deformações e chega a degenerar inclusive os ossos. O comprometimento na qualidade de vida é ilustrado pela dificuldade de realizar tarefas tão simples como escovar os dentes.
A artrite reumatoide é mais comum em mulheres na faixa dos 30 aos 50 anos. Hoje se sabe que seus danos não se limitam às juntas. O estado de inflamação instaurado pelo distúrbio aumenta o risco de entupimento nas artérias e, consequentemente, infartos e AVCs, além de repercutir na saúde dos olhos, dos nervos e dos pulmões.

Sinais e sintomas

– Dor e inchaço nas juntas
– Rigidez nas articulações, principalmente pela manhã
– Dificuldade de movimentação dos dedos ou dos membros
– Redução do apetite e perda de peso
– Febre baixa
Fadiga
– Nódulos visíveis na pele próximos às juntas

Fatores de risco

– Predisposição genética
– Sexo feminino
– Excesso de peso
– Tabagismo
– Desequilíbrios hormonais

A prevenção

Como a origem da artrite reumatoide não é plenamente conhecida, ainda não é possível falar em prevenção primária. Podemos, sim, prevenir complicações e limitações impostas pela doença. E isso se faz com diagnóstico e tratamento precoces.
Exercícios realizados com indicação médica e sob a supervisão de um educador físico também ajudam a contornar os sintomas e a devolver qualidade de vida. Estudos sugerem que, pelo potencial anti-inflamatório das gorduras mono e poli-insaturadas, o consumo rotineiro de azeite de oliva e pescados como sardinha e salmão favoreçam o estado das juntas.

O diagnóstico

O profissional indicado para se chegar ao veredicto é o reumatologista, que, pelo exame físico, avaliação do histórico do paciente e radiografias de mãos e pés, já consegue ter uma boa ideia se a confusão nas juntas foi armada pela artrite reumatoide.
O especialista poderá compor a investigação por meio de exames de sangue, como o que apura a presença de um anticorpo conhecido como fator reumatoide. Outros testes não raro são solicitados para descartar condições autoimunes como lúpus e artrite psoriática.
Como os primeiros três meses após a eclosão dos sintomas são considerados essenciais para impor um bom controle sobre o problema, o diagnóstico precoce é considerado uma arma preciosa para conter a artrite reumatoide.

O tratamento

Ainda não há cura para artrite reumatoide, mas, felizmente, os remédios disponíveis hoje permitem ao paciente levar uma vida praticamente normal. Isso, claro, se seguir o tratamento à risca e adotar outros hábitos saudáveis, como a prática supervisionada de atividade física.
Existem diversas classes de medicamentos usadas para controlar a artrite — de anti-inflamatórios à base de corticoides aos chamados DMARDS, drogas antirreumáticas modificadoras da doença. Esses últimos são medicações biológicas injetáveis que anulam o processo inflamatório que se apodera das articulações.
Existem remédios mais novos e de uso oral, aliás, que atuam nas células de defesa que participam dessas reações. Enfim, com uma terapia individualizada e bem estruturada, é possível controlar o inchaço, a dor e a limitação de movimentos causada pela doença.
Durante as crises nas juntas, os médicos prescrevem repouso. Mas, fora dessas situações, praticar atividade física é mais do que recomendado, uma vez que melhora a mobilidade, baixa a inflamação e auxilia a silenciar a dor. Existem evidências ainda de que abandonar o tabagismo, se for o caso, conta pontos para manter a doença quietinha, já que o cigarro favorece o processo inflamatório.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Kiwi: benefícios da fruta do momento

Cada vez mais popular no Brasil, o kiwi se apresenta agora em nova variedade e não para de receber elogios dos estudos por seus efeitos na saúde

Já faz tempo que o kiwi deixou de ser um nome e um alimento exóticos entre os brasileiros. O fato é que o fruto com um toque azedinho e visual peculiar tem arrecadado um crescente número de fãs. Nos últimos seis anos, o consumo aumentou 50% no país. Com a recente introdução de uma nova variedade em nosso mercado, o kiwi gold – de polpa amarela e sabor mais adocicado que o do verdinho tradicional -, é de se esperar que ele amplie sua presença nas gôndolas e nas fruteiras do Brasil. Sorte do nosso paladar e da nossa saúde.
Uma das principais virtudes do alimento é a sua alta carga de antioxidantes, substâncias que combatem danos e o envelhecimento precoce das células, fenômeno associado a um rol de males que vai de doenças cardiovasculares a câncer. “O kiwi é uma das frutas com a maior concentração desses elementos”, afirma o pesquisador Jose Ignacio Recio Rodriguez, do Centro de Saúde La Alamedilla, na Espanha.
O estudioso entende do que fala: comprovou, em uma investigação com 1 469 voluntários, que aqueles que ingeriram ao menos uma unidade por semana tiveram elevação do colesterol bom (HDL) e melhor controle de triglicérides e moléculas atreladas a processos inflamatórios. “Todos esses fatores estão ligados ao risco de problemas cardiovasculares”, esclarece Rodriguez.
Outro experimento internacional avaliou o poder da fruta em um grupo de pessoas particularmente propensas a piripaques cardíacos: homens fumantes. Uma parcela dos envolvidos comeu três kiwis por dia, o restante seguiu uma dieta rica em antioxidantes (mas sem kiwis). No comparativo, a primeira turma teve queda na pressão arterial, redução de 15% na agregação de plaquetas (fator de risco para infarto) e de 11% nos níveis de angiotensina. “Quando essa substância está muito atuante, ocasiona estreitamento dos vasos, o que eleva a pressão”, explica o cardiologista João Vicente da Silveira, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Para especialistas, a proteção ao peito não é uma surpresa. “Como é rico em polifenóis, vitamina C e magnésio, o kiwi conta com um potente coquetel cardioprotetor”, diz a médica Letícia Fontes, da Associação Brasileira de Nutrologia. “No consultório, costumo encorajar o consumo semanal, principalmente aos pacientes com pressão alta“, conta a nutricionista Clarissa Casale Doimo, que clinica em Piracicaba, no interior paulista.
Não é só o coração que agradece quando se abre espaço para o kiwi na despensa. O intestino também sai ganhando ao ingerir a fruta, que foi batizada assim por lembrar uma ave de mesmo nome típica da Nova Zelândia – foi ali, aliás, que o cultivo comercial do alimento teve início.
“Estudos mostram que as fibras do kiwi têm uma grande capacidade de reter água, auxiliando na formação do bolo fecal e equilibrando o trânsito intestinal”, relata Letícia Fontes, que também atua na Clínica MEI – Medicina Integrativa, em São Paulo. “Além disso, ele conta com uma enzima chamada actinidina, que facilita a digestão das proteínas, além de melhorar a mobilidade intestinal”, acrescenta a nutróloga.
Não é por menos que quem sofre com a síndrome do intestino irritável, desordem marcada por dores abdominais, diarreia, constipação e uma alternância entre os dois quadros, deveria incluir o fruto na lista de compras.
É o que sugere uma pesquisa realizada na Universidade Médica de Taipei, em Taiwan. Foram recrutados 54 indivíduos com a síndrome e 16 livres da encrenca. Então, 41 pessoas com o distúrbio e todas aquelas saudáveis consumiram dois kiwis por dia, durante quatro semanas – as 13 restantes ingeriram cápsulas sem princípio ativo algum durante o mesmo período. Depois de analisar o número e as características das idas ao banheiro, os cientistas notaram que a ingestão da fruta esteve relacionada a um ganho geral no funcionamento do intestino e a uma maior frequência do número 2 entre os voluntários constipados.
Nessa linha, existem evidências de que a fruta ajuda a amenizar sintomas da diverticulite, outro mal por trás de constipação. Só cabe pontuar que, em casos do tipo, vale alinhar com o médico a quantidade de fibras por dia e não se esquecer da hidratação – do contrário, as fezes podem ficar volumosas e secas, o que irá gerar mais dificuldades para sair.
“É em parte aos seus múltiplos ganhos ao organismo, sobretudo para a saúde intestinal e cardiovascular, que o consumo do kiwi vem crescendo pelo mundo”, conclui Rodriguez.

Lanchinho noturno contra falta de sono

Boa notícia para quem busca noites de sono mais tranquilas: que tal investir na fruta como sobremesa do jantar? Em uma experiência publicada recentemente, 24 sujeitos foram convidados a ingerir duas unidades uma hora antes de cair na cama. O expediente foi repetido durante quatro semanas. Resultado: melhora no padrão do sono do pessoal. “O fato de o kiwi ser fonte de magnésio é uma das explicações para esse efeito”, interpreta Letícia.

Diabetes domado

Outro grupo que tiraria proveito do alimento são os diabéticos, que por vezes até temem consumir frutas devido à sua concentração de açúcar natural. Mas, graças à abundância de fibras, o kiwi tem um baixo índice glicêmico.
Isso significa que ajuda a balancear os níveis de glicose no sangue, uma das batalhas de quem convive com o diabetes. Essa mesma característica, aliás, faz com que a ingestão do fruto prolongue a sensação de saciedade – ponto para quem deseja ou precisa perder uns quilinhos.

A quantidade ideal?

Ainda não há um consenso entre os experts. O certo é que a fruta pode entrar no cardápio sempre que possível.
Nesse sentido, convém prestar atenção em algumas coisas durante a compra e o consumo. Primeiro: verifique se não existem rachaduras ou manchas na casca. Segundo: para descobrir se o alimento está maduro, basta pressioná-lo levemente com o dedo indicador. Se estiver um pouco mole, está no ponto.
O kiwi vai bem sozinho, em sucos, vitaminas, saladas, vinagretes, como acompanhante de carne bovina e de carneiro, servindo inclusive para amaciá-las… Agora é desfrutar dessa onda, que, pelo visto, veio para ficar.

Quem é o kiwi

Origem: veio da China, mas foi popularizado na Nova Zelândia no início do século 20.
Cultivo: a maior parte da produção é da Nova Zelândia e da Europa. No Brasil ocorre no Sul.
Consumo: está em alta. Houve um aumento de 50% entre os brasileiros nos últimos seis anos.
Nutrição: é cheio de antioxidantes e tem poucas calorias – 62 em 100 gramas.

Dá para usar a casca?

Algumas análises indicam que essa parte é ainda mais rica em fibras e vitamina C do que a polpa em si. Mas calma: não precisa comer tudo ao saborear o fruto in natura. A ideia seria usar a casca em receitas depois de uma boa higiene. “Ela pode ser utilizada no preparo de sucos e chás, mas só recomendo se a fruta for orgânica“, diz a médica Letícia Fontes.

As duas versões

Kiwi Green
Sabor: tem a polpa bem verde e o sabor mais cítrico.
Produção: ocorre na região Sul, mas boa parte é importada.
Conservação: pode ficar até 15 dias na geladeira. Na fruteira dura menos.
Preço: cerca de 10 reais uma bandeja com 440 gramas.
Kiwi Gold
Sabor: de polpa amarelada, é mais doce e menos ácido que o verdinho.
Produção: ainda não há por aqui. Vem da Nova Zelândia e da Itália.
Conservação: amadurece rápido, mas, uma vez no ponto, resiste mais.
Preço: mais caro, sai por 12 reais a bandeja com 440 gramas.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Laudo do IML diz que Paulo Maluf pode ficar preso na Papuda

Relatório divulgado nesta terça conclui que o deputado, diagnosticado com câncer na próstata, não precisa de 'cuidados contínuos'

São Paulo - Um Laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Brasília, divulgado nesta terça-feira, concluiu que o deputado federal Paulo Maluf (PP/SP), diagnosticado com um câncer na próstata, vai poder ficar preso no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. Segundo o relatório, o parlamentar não precisa de "cuidados contínuos que não possam ser prestados" no local, porém, vai precisar de uma assistência ambulatorial especializada. 
Com câncer na próstata, Maluf deve seguir preso no Complexo Penitenciário da Papuda AFP
Maluf está preso desde quarta-feira, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo. Na quinta, o ex-prefeito de São Paulo entregou-se à PF em São Paulo. Na sexta, ele foi removido para Brasília. Ao deixar a sede da PF, no bairro da Lapa, também ao entrar no bimotor que o levou para a capital federal, e ao entrar no IML para os exames, o ex-prefeito demonstrava dificuldades para caminhar, escorado em uma bengala
O deputado pegou condenação por lavagem de dinheiro que supostamente desviou dos cofres públicos quando exercia o mandato de prefeito de São Paulo (1993-1996).
O laudo foi elaborado pelo IML na sexta-feira, quando Maluf chegou a Brasília, transferido da carceragem da Polícia Federal em São Paulo. No local, o parlamentar foi submetido a uma longa bateria de exames. Depois, foi removido para a Papuda, onde passou o Natal.
"Apesar de apresentar-se clinicamente bem no presente momento, existe a possibilidade de deterioração progressiva e até mesmo rápida do quadro clínico a depender do comportamento evolutivo do câncer de próstata", alerta o documento oficial.
Ainda antes de decidir se o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) deve seguir ou não para a prisão domiciliar, o juiz Bruno Aielo Macacari, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, notificou nesta terça-feira, 26, a defesa de Maluf e o Ministério Público para que se manifestem a respeito do laudo pericial do Instituto Médico-Legal sobre a saúde de Maluf, sem fixar prazo para isso. 
Cármen Lúcia nega dois pedidos de habeas corpus a Paulo Maluf
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, nesta terça-feira, julgou incabíveis dois habeas corpus que foram pedidos em nome do deputado federal Paulo Maluf.
Um dos pedidos foi feito por um advogado que é amigo da família de Maluf, Eduardo Galil, e o outro, por um advogado que não é conhecido pela defesa do deputado, Antonio José Carvalho Silveira. Ao pedirem uma liminar para libertar Maluf, ambos alegaram que não seria possível a condenação pelo crime de lavagem de dinheiro porque já teria havido prescrição (esgotamento do prazo da Justiça para a punição).
Cármen Lúcia fundamentou as decisões afirmando que não é admissível habeas corpus contra decisão do próprio Supremo Tribunal Federal, de acordo com a própria jurisprudência da corte. Assim, os pedidos teriam "inviabilidade jurídica".
Além disso, quanto à alegação de prescrição do crime, Cármen Lúcia afirmou que o argumento não procede, pois os prazos processuais teriam transcorrido normalmente, conforme decidido pela Primeira Turma do STF.
A defesa de Maluf, em si, está aguardando uma decisão da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal sobre o pedido que fez para que o deputado possa cumprir a pena em casa, devido à má condição de saúde. O juiz responsável pelo caso ainda aguarda manifestações para tomar a decisão.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

As vitórias da genética

Nova técnica corrige erros do DNA com eficácia jamais vista. Em 2018, resultados positivos são esperados no tratamento de doenças como anemia e câncer

Crédito: vchal
RECORTA E COLA Os cientistas extraem o pedaço errado do DNA e o substituem por outro, correto (Crédito: vchal)
Ao longo de 2018, dezenas de centros de pesquisa ao redor do mundo estarão conduzindo experimentos em humanos com aquela que se transformou na principal aposta para revolucionar a medicina: uma técnica de edição do material genético cujo acrônimo é CRISPR/Cas9. Trata-se da maneira mais eficiente encontrada até agora de corrigir erros do DNA que estão por trás de doenças como o Parkinson e o câncer.
Uma das grandes expectativas é em relação ao estudo que a CRISPR Therapeutic conduzirá com portadores de anemia falciforme e talassemia (doenças caracterizadas por desequilíbrio na concentração de glóbulos vermelhos). A companhia foi fundada por Emmanuel Charpentier, um dos que desenvolveu a técnica. “É um grande momento”, disse. “Há apenas três anos falávamos do método como se fosse ficção científica. E aqui estamos.” Outra iniciativa cujos resultados iniciais estão previstos para o ano que vem é a pesquisa em humanos em realização na Sun Yat-sen University, na China. Lá, eles testam a eficácia do método para neutralizar o potencial do vírus HPV de causar câncer de colo de útero.
Como funciona o método
1 – Os cientistas usam uma proteína, a Cas9, que atua como se fosse um par de tesouras moleculares
2 – Ela se liga e corta especificamente o pedaço do DNA que precisa ser corrigido
3 – Uma vez cortado, espera-se que a maquinaria do próprio DNA promova a correção ou ela é feita a partir de manipulação executada pelos cientistas em laboratório

domingo, 24 de dezembro de 2017

Os principais cuidados com os bichos no Natal e no Ano-Novo

Petiscos estranhos, enfeites e fogos de artifício... Como proteger os pets na temporada de festas

Quem poderia imaginar que a magia natalina, com enfeites tão lindos, ceias elaboradas e casa cheia, pode esconder perigos para os nossos amigos de quatro patas?
Isso mesmo! Nessa época do ano, registra-se um aumento de 20% no número de animais internados decorrentes de acidentes ligados às celebrações.
O principal problema é a ingestão de itens típicos da ceia, como castanhas, doces, pedaços de peru, entre outros. Eles são capazes de gerar diarreia e vômito. Não é raro que, nesses casos, os animais precisem ser medicados e receber soro para se reidratarem e recuperarem.
Os ossos de aves também são abocanhados nesse período, podendo causar perfuração intestinal, uma emergência que requer atendimento imediato.
Uvas e chocolates representam outra ameaça: são tóxicos para os animais e chegam a provocar insuficiência renal ou repercussões neurológicas.
Além dos alimentos, os enfeites natalinos podem virar vilões nessa história. Ao morder as luzinhas das árvores de Natal, por exemplo, os bichos sofrem choques elétricos e queimaduras no boca. Lesões com os estilhaços das frágeis bolinhas decorativas são outro perigo.
Por isso, se você tem um pet em casa, procure utilizar enfeites que representam menor risco. Luzes à pilha e enfeites de jardim à base de energia solar possuem voltagem menor e mais segura. Bolas de plástico, por sua vez, são mais resistentes nas quedas. Outra boa opção são os enfeites de pelúcia.

E no Réveillon?

Não pense que, passado o Natal, o assunto está resolvido. Devemos preparar a casa para o Ano-Novo. E isso inclui estratégias para proteger seu pet contra o barulho dos fogos de artifício.
ISTOCKSério! Nessa época, animais podem descompensar com a queima dos fogos. Uns sofrem do coração, outros chegam a ter convulsões decorrentes do estresse da barulheira. Por isso, prepare um cômodo isolado, retire objetos que possam quebrar no local e organize uma caminha confortável com brinquedos por perto. Tudo para deixar seu amigo seguro e distraído.
O veterinário poderá orientar, ainda, como proteger os ouvidos com o uso de algodão parafinado, aquele que se molda ao conduto auditivo a fim de abafar o som. Também pode prescrever medicações naturais que auxiliam a manter os animais mais calmos.
Para algumas famílias, uma opção é reservar hotéis para os cães durante as viagens. Os animais recebem programação diária com recreação e distração de sobra, ficando longe da bagunça das festas de final de ano que só agrada aos seus donos.
Assim, ao preparar suas festas de fim de ano, não se esqueça de incluir os pets no planejamento. Eles vão agradecer!

sábado, 23 de dezembro de 2017

Quais remédios levar na mala de viagem

Veja os que não podem faltar e não passe nenhum sufoco nas férias. Mas já adiantamos: nada de exagerar na automedicação!

  Muita gente viaja no final de ano e acaba sem saber direito que remédios levar ou pensa que, por via das dúvidas, melhor colocar tudo na mala. Antes de fazer a festa na farmácia, confira a opinião de um médico sobre o assunto e as indicações para o kit ideal – e, mais importante, seguro.
“Nenhum medicamento deve ser ingerido sem o conhecimento do seu médico, mesmo os que não precisam de receita”, adianta Paulo Camiz, clínico geral e professor do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. “Converse com ele antes de viajar”, recomenda.

Analgésicos e antitérmicos

Os clássicos dipirona e paracetamol aliviam dor e febre. São itens básicos que ajudam na hora do aperto sem grandes riscos na maioria dos casos – desde que tomados pontualmente (e não quase todo dia).

Anti-inflamatórios

Até funcionam para dores musculares, mas é preciso cuidado especial ao tomá-los, pois podem ser nocivos para estômago e rins. Idosos e portadores de problemas cardíacos devem ter cuidado extra.

Para picadas de inseto

Não precisa levar um comprimido antialérgico se você não for do tipo que tem crises após picadas. Mas vale uma pomada para aliviar a reação local, além do repelente, é claro!

Para o estômago

Férias muitas vezes terminam em excessos, sejam de comida ou bebida. E o ideal seria moderar, claro. Mas, se passou do ponto, é bom ter na mala um antiácido simples, como os à base de hidróxido de alumínio ou magnésio, especialistas em apagar incêndios.

Kit de primeiros socorros

Varia conforme o local e o tipo da viagem, mas o básico contém gaze, antisséptico, esparadrapo e curativos prontos para uso. Nunca se sabe!

Em viagens internacionais

Se você é portador de uma doença crônica ou é acometido com frequência por infecções, converse com seu médico antes de viajar. É que, em alguns países, o acesso aos medicamentos e ao sistema de saúde pode ser difícil e caro.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Isolamento social é associado a maior risco de diabetes

Conviver pouco com amigos e familiares pode aumentar o risco de desenvolver o tipo 2 dessa doença, segundo novo estudo

Não é novidade para ninguém que sair com os amigos e curtir a família faz um bem danado para a saúde mental. Mas quer dizer que isso também afasta o diabetes?! Pois é. Um estudo feito na Universidade de Maastricht, na Holanda, acabou de encontrar uma relação inusitada entre o isolamento social e essa doença.
“Pessoas em risco de desenvolver diabetes tipo 2 devem ampliar suas redes de contatos e serem incentivadas a fazer novos amigos”, chegou a sugerir uma das autoras do estudo, a epidemiologista Miranda Schram, em comunicado.
Para chegar a essa conclusão, ela e seus colegas recorreram ao chamado The Maastricht Study, um banco de dados com milhares de indivíduos voltado para entender a influência de fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento do diabetes tipo 2. A partir daí, conseguiram reunir informações de quase 3 mil adultos entre 40 e 75 anos.

Números que impressionam

Dentre os achados mais impactantes, está o de que mulheres que não participam de atividades sociais têm probabilidade 112% maior de apresentar diabetes tipo 2. Entre os homens, o risco subia 42%.
E mais: de acordo com o levantamento holandês, representantes do sexo masculino que moram sozinhos possuem um risco 84% maior de serem diagnosticado com diabetes tipo 2 ao longo do tempo. Já na ala feminina, isso não foi notado.

Um porém

Estamos falando de um estudo observacional, que apenas associa o possível elo, em um dado momento, entre dois fatores diferentes: incidência de diabetes e socialização. Ou seja, não dá pra cravar uma relação de causa e efeito.
Por exemplo: como essa enfermidade pode gerar cansaço e indisposição – além de exigir cuidados extras em qualquer saída de casa –, pode ser que ela dificulte a socialização. E não que o isolamento a promova.
Mas, quando falamos de uma doença tão prevalente, é importante levar qualquer suspeita a sério. Principalmente se o antídoto para ela é tão prazeroso quanto encontrar bons amigos e interagir com a família, não é mesmo?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Menos sal nas receitas de Natal e Ano Novo, por favor!

Os preparos do fim de ano não precisam de muito sal para ficarem gostosos. Pelo contrário! Veja como maneirar no sódio nessa época, quando é comum exagerar

Se no resto do ano o brasileiro já extrapola em mais de duas vezes a recomendação de não ingerir mais de 5 gramas de sal por dia, imagine em dezembro, o mês da comilança. Mas aqui vem uma ótima notícia: dá para caprichar nas receitas de Natal e Ano Novo e ainda assim reduzir o consumo desse ingrediente associado à hipertensão.
Para ajudar nessa tarefa, ouvimos três nutricionistas. Elas ensinam cinco truques culinários simples para temperar os pratos típicos das festas com muito sabor (e pouco sódio). Confira abaixo:

1. Condimentos destacam os pratos principais

Beatriz Tenuta Martins, nutricionista e professora do curso Técnico em Nutrição do Senac Aclimação, em São Paulo, defende o uso de vários condimentos nas tradicionais receitas de peru, chester e até bacalhau para criar versões com menos sal. Experimente, por exemplo, lemon pepper, páprica (doce ou picante) e as pimentas.
Ervas, como orégano, alecrim e dill sã outras ótimas opções. Quando elas entram em cena, ressaltam o sabor do prato, tirando a vontade de adicionar pitadas de sal.
Especificamente no caso das carnes, Beatriz sugere lançar mão da marinada – aquele líquido feito, em geral, com vinho branco ou cerveja e temperos. Basta deixar o alimento de molho para amaciá-lo antes de cozinhar.
“Durante o preparo, é bom colocar um ramo fresco da mesma erva usada na marinada para liberar o cheiro do prato e estimular o apetite”, complementa Beatriz.

2. Molhos valorizam saladas

Até mesmo uma simples salada de folhas ganha um toque especial, quando acompanhada de um molho. E, aí, você não precisa caprichar no sal.
Sugestão: prepare uma versão com azeite, suco de um limão coado e mostarda (procure uma alternativa sem sal no mercado). Bata com um até virar uma mistura homogênea e use nas receitas. Se achar necessário, pode, sim, adicionar uma pitadinha de sal.
Outro item que, segundo Beatriz, destaca o sabor das receitas é o aceto balsâmico. O mais refinado dos vinagres, ele é feito a partir da fermentação das uvas e não é contraindicado para hipertensos.

3. Mix de sal grosso e ervas é sucesso com grelhados

Não é que o sal grosso faz bem. Mas, ao misturá-lo com ervas, você cria um tempero com menor quantidade total de sódio.
Um truque ótimo ensinado pela professora do Senac é preparar uma mistura com 30% de sal grosso e 70% de ervas secas, como manjericão, orégano, salsa, sálvia e ervas de Provence. Misture bem e coloque em um moedor para usar sobre os legumes, carnes e peixes grelhados.
“Usamos essa mistura nos cursos para reduzir o consumo de sal”, revela Beatriz. A dica vale também para substituir o sal grosso puro usado nos churrascos.

4. Caldos são curinga na cozinha

A nutricionista Isabel Cristina Kasper Machado, professora do Curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, é contra retirar totalmente o sal das receitas. Ela explica que o tempero acentua os outros sabores e está presente na nossa memória gustativa. É aquela velha história: em moderação, não há proibições à mesa.
Ainda assim, a expert destaca uma estratégia que evita a sobrecarga de sódio: preparar um caldo. “Ele não mascara a estrela principal do prato, mas deixa um gosto muito bom”, arremata.
Só dê prioridade às versões caseiras – muitas opções industrializados vêm carregadíssimas de sódio. Isabel dá uma receita deliciosa: ponha 5 litros de água em uma panela, acrescentando 4 cebolas, 2 cenouras, 1 talo de alho-poró, 1 aipo, 1 folha de louro, talos de salsa e ramos de tomilho. Use também cascas, folhas e talos de legumes e hortaliças para reaproveitá-los, desde que bem limpos.
Cozinhe em fogo baixo, sem tampar. Se necessário, acrescente um tantinho de sal no fim do cozimento.
Espere reduzir à metade para coar e guardar por 48 horas na geladeira ou congelado em forminhas de gelo por 30 dias.

5. Patês mais levinhos

A nutricionista Anita Sachs, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que outro recurso para reduzir o sal, sobretudo em patês e pastas, é apostar na ricota ou no cottage. O segredo é misturar com salsa e cebolinha bem picadas e com um pouco cebola ralada.
Caso queira um patê com sabor mais acentuado, tempere com páprica doce ou picante e um pouco de azeite, se desejar. “Também é possível preparar um pesto apenas com uma xícara de manjericão, agrião ou rúcula, um pouco de azeite e um pote de iogurte integral ou desnatado”, ensina.
Depois, é só servir com torradas de pão integral ou preto. Uma delícia!

O que combina com o quê

Legumes: alecrim, tomilho, orégano, salsa, cebolinha, sálvia, curry, tomilho e noz-moscada.
Carnes brancas: alecrim, dill, hortelã, cebolinha, manjerona, orégano, salsa crespa, sálvia, lemon pepper, cúrcuma (açafrão-da-terra), coentro e noz-moscada.
Carne vermelha: estragão, manjericão, louro, cebolinha, salsa, orégano, pimenta-do-reino, pimenta calabresa, pimenta-da-jamaica, colorau, mostarda, páprica e chimichurri (tempero típico da Argentina e do Uruguai que pode ser encontrado desidratado ou como molho cremoso).

Outras medidas contra o sal

• O ideal é banir o saleiro da mesa. Assim, você disciplina a família a não adicionar automaticamente mais desse ingrediente à comida depois de pronta
• Para acostumar o paladar às ervas, experimente-as separadamente até aprender a usá-las
• O limão é muito versátil na cozinha. Misture seu suco ao gergelim torrado e você terá um bom tempero para carnes brancas, por exemplo
• Espete dois cravos em uma cebola inteira e leve-a ao fogo baixo para ferver com o leite que servirá de base para o molho branco. Adicione também uma folha de louro
• Gosta de pimenta-do-reino, pimenta calabresa ou caiena? Então só moa as que são em grão na hora de servir. Isso dá um aroma especial ao prato
• Prepare um sal aromatizado, seguindo a dica da nutricionista Isabel Kasper. Leve ao fogo um pequeno punhado de sal grosso com boa quantidade de sua erva ou especiaria preferida. Aqueça por alguns minutos até o aroma começar a se desprender da panela. Bata no liquidificador e use nas receitas

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

11 marcas de azeite são reprovadas em teste de qualidade

A associação Proteste avaliou várias marcas e constatou que cinco produtos nem podem ser considerados azeite de oliva

A Proteste, Associação Brasileira de Direitos do Consumidor, fez um novo teste com marcas de azeite de oliva e elencou as aprovadas e reprovadas.
Para a organização, cinco das 29 marcas analisadas nem deveriam ser classificadas como azeite, enquanto seis comercializam azeite virgem, e não extravirgem. Ao todo, foram 11 marcas reprovadas.
As marcas Borgel, Do Chefe, Lisboa, Malaguenza e Tradição Brasileira teriam azeites fraudados. “Esse foi o resultado que encontramos nos lotes específicos que avaliamos em laboratório. Além disso, nossas análises sensoriais mostraram que, na verdade, eles são azeites lampantes, ou seja, produtos indicados ao uso industrial, e não à alimentação humana, por seu cheiro forte e sua acidez elevada”, afirmou a Proteste em seu relatório.
Por meio de uma análise sensorial, a Proteste também concluiu que os azeites das marcas Beirão, Broto Legal, La Española, Mondegão, Serrata e Tordesilha deveriam ser classificados como virgens, e não extravirgens, como se anuncia nos rótulos comercializados.
“A prática de vender um produto misturado como azeite de oliva puro não causa riscos ao organismo, mas lesa o seu bolso e as suas expectativas nutricionais: você paga mais caro por um item que deveria ser mais barato e essa mistura de óleos não vai trazer os benefícios à saúde que você esperava.”
Para fazer o teste de qualidade dos azeites, a Proteste compra os produtos em mercados e os leva a laboratórios confidenciais, acreditados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e pelo Conselho Oleícola Internacional (COI). Alguns pontos analisados são acidez, análise sensorial, conservação, fraudes, qualidade e rotulagem.
A associação disse ter informado a ocorrência das fraudes ao Ministério Público, à Secretaria Nacional do Consumidor e ao Ministério da Agricultura.
Do outro lado da moeda, os produtos mais bem avaliados foram os das marcas Filippo Berio e O-live, enquanto os produtos Cocinero e Carrefour Discount foram identificados como os melhores resultados avaliando o custo-benefício.

Direito de resposta

A Bunge, produtora do azeite La Española, enviou ao Site EXAME seu posicionamento:
Em relação ao resultado de testes com azeites de oliva, divulgado pela Proteste hoje, que classificou uma amostra do azeite La Española como “fora de tipo”, a Bunge informa que os parâmetros iniciais do lote avaliado 29516 estavam dentro do determinado pela legislação no momento de sua classificação pelos órgãos reguladores.
Ocorre, entretanto, que tais parâmetros podem ser alterados em decorrência de condições inadequadas de armazenamento até chegar às mãos do consumidor. Por essa razão, novas análises estão sendo providenciadas.
A Bunge esclarece também que esse resultado confirma que o produto não estava contaminado e/ou impróprio para consumo, nem foi considerado fraudado. A Bunge lamenta o ocorrido e reafirma seu compromisso com a qualidade e a transparência com os seus consumidores.
A Natural Alimentos, responsável pelo azeite Lisboa, também se pronunciou:
Trata-se de conteúdo amplamente divulgado no passado e que retorna agora não sabemos com qual intuito.
Na época a empresa teve que demitir metade de seus colaboradores. De lá para cá, a Natural Alimentos trabalha arduamente para o fortalecimento da marca com outros produtos absolutamente dentro das legislações vigentes.
Por esse motivo, ressaltamos que qualquer divulgação negativa acerca do nome Lisboa pode comprometer as vendas de outros produtos que levam a mesma marca.
O lote mencionado não está mais nos supermercados deste setembro de 2016. A empresa o retirou das prateleiras por distorções de qualidade nos produtos importados e por isso também não comercializa mais desde o início desse ano.
Atualmente são envasados pela Natural Alimentos óleos mistos e temperos a base de azeite de oliva saborizados, estritamente, adequados à legislação brasileira e, portanto, com produtos de qualidade e procedência autênticas.
A Natural Alimentos foi a primeira empresa autorizada pela ANVISA a fabricar e comercializar óleo misto e temperos saborizados no Brasil.
A Empresa cumpre restritamente a legislação brasileira em todos os aspectos em que atua. Somos uma empresa Brasileira de 12 anos, possuímos mais de 150 colaboradores (diretos e indiretos).
O nosso time de profissionais incluindo engenheiros e técnicos em alimentos, administradores, gestores em saúde alimentar, especialistas em tecnologia e produção, trabalha com a missão de produzir produtos de alta qualidade e facilitar a vida do consumidor.
As marcas Broto Legal, Beirão, Mondegão, Malaguenza e Serrata foram contatadas por e-mail ou por formulários em seus sites e, até o fechamento desta reportagem, não responderam ao pedido de posicionamento. As marcas Borgel, Do Chefe, Tradição Brasileira e Tordesilhas não foram localizadas.
Este conteúdo foi publicado originalmente na Exame.com

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Por que certas pessoas têm cárie mesmo escovando bem os dentes?

Eis aí uma injustiça com um fundo de verdade. Mas os hábitos de higiene ainda são primordiais para evitar buracos na arcada dentária

É oficial: alguns azarados terão mais cáries do que o resto da população, ainda que escovem os dentes e passem fio dental direitinho. E são vários motivos por trás disso.
Comecemos pelos micro-organismos que vivem na boca. A tal microbiota da região, assim como a intestinal, passa por um período de formação na primeira infância, quando os dentes estão começando a nascer. “É um momento crucial. Se alguma bactéria agressiva for transmitida para a criança, ela poderá ter um perfil de microbiota que favorece as cáries durante a vida”, aponta Fábio Sampaio, odontologista da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa.
Outro ponto é a dieta açucarada desde cedo. A lógica aqui é que o paladar, acostumado com a doçura, passa a exigi-la em níveis cada vez maiores. “E o indivíduo que come mais açúcar vai ter maior risco de cáries mesmo com uma higiene boa”, destaca Sampaio.
Veja: o açúcar – seja o puro seja o adicionado em itens industrializados ou em preparos caseiros – é o principal alimento dos micróbios do mal que habitam nossa boca. E nem sempre conseguimos eliminá-lo por completo ao limpar a arcada dentária.

De olho na saliva

A boca seca é outro fator de risco para as danadas aparecerem. Como a saliva tem efeito protetor, sua ausência abre caminho para a desmineralização do esmalte do dente, espécie de etapa anterior à cárie.
Tanto que é pior comer doces tarde da noite. “Perto da hora de dormir, o fluxo de saliva diminui”, explica Renata Paraguassu, cirurgiã-dentista da SucessOdonto Prime, no Rio de Janeiro.
O sumiço do líquido pode ser causado por várias condições, do uso de certos remédios ao hábito de respirar só pela boca. “A pessoa pode fazer um teste que analisa o fluxo salivar e, a partir daí, investigar os motivos”, conta Renata.

Papel genético

No início de 2017, um estudo da Universidade de Zurique, na Suíça, identificou possíveis genes responsáveis pela formação do esmalte, camada protetora do dente. Essa estrutura é o primeiro ponto de ataque das bactérias. A hipótese dos pesquisadores, testada em roedores, é a de que mutações nesses pedaços do DNA fragilizariam essa cobertura e, assim, pavimentariam a estrada para os futuros buracos.
“Já observamos que, por motivos genéticos ou traumas pontuais, algumas crianças e até adultos apresentam problemas na estrutura do esmalte”, aponta Marcelo Bonecker, odontopediatra da Universidade de São Paulo. “Ao invés da superfície ficar lisa e brilhante, como deve ser, acaba porosa e irregular, o que facilita o acúmulo de bactérias e açúcar na superfície do dente”, emenda.
Esses casos são detectados no consultório odontológico – ora, as alterações são bem visíveis aos olhos dos profissionais. A partir daí, começa um trabalho preventivo para impedir que novas cáries deem as caras.
“O tratamento varia de acordo com a fragilidade do esmalte. Ele pode envolver aplicações de flúor no consultório ou até, em casos mais profundos, o uso de uma película de resina para criar uma barreira mecânica no local”, detalha Bonecker.
É cedo, entretanto, para dizer que os genes encontrados por aqueles cientistas suíços são os culpados por essa vulnerabilidade. “O estudo foi feito com animais e o achado precisará ser confirmado com novas pesquisas”, destaca Sampaio. “A propensão existe, mas, por se tratar de uma doença multifatorial, é difícil estabelecer as causas para isso”, adianta.
Além disso, em um país com prevalência tão alta de cárie por questões como distribuição de flúor e pouca higiene, culpar o azar por problemas de saúde bucal é no mínimo um exagero.

O principal é o estilo de vida

Comer muito açúcar e não escovar o dente são, sem a menor sombra de dúvida, os grandes culpados pelas cáries. Como a placa bacteriana é o estopim que leva à cárie, dificilmente alguém que se alimente de maneira equilibrada e tenha uma boa higiene desenvolverá a encrenca.
E um recado para quem negligencia a escova e se vangloria de não sofrer com cáries: “Você poderá ter mau hálito e doença periodontal, males causados por outros tipos de bactérias”, alerta Sampaio. Sim, a falta de higiene e de visitas regulares ao dentista sempre vai cobrar seu preço.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Alívio certo para a enxaqueca

Primeiros remédios criados contra a doença reduzem até à metade o número de crises e têm poucos efeitos colaterais

Crédito: THIAGO BERNARDES/FRAME
Ranny sofre com dores de cabeça há 13 anos: alívio só temporário (Crédito: THIAGO BERNARDES/FRAME)
Remédios controlados, analgésicos, dor forte e náuseas. Esta é a rotina diária da paulista Ranny Oliveira, 24 anos. Ela sofre com a enxaqueca desde os onze, ou seja, mais da metade de sua vida. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a doença atinge pelo menos 127 milhões de pessoas no mundo e figura entre as mais incapacitantes. Ranny, por exemplo, tem crises semanais, algumas durando mais de um dia. “As medicações indicadas por meu médico não resolveram. Depois, ele me aconselhou a fazer acupuntura”, lembra. O método assegurou alívio apenas temporário. Ranny, como a maioria dos pacientes, segue administrando a vida com dor.
Recentemente, médicos e pacientes receberam a notícia de algo que muda as perspectivas no tratamento da doença. Em dois estudos publicados no The New England Journal of Medicine, conceituada publicação científica, pesquisadores descreveram os resultados positivos obtidos com uma classe de remédios criada, pela primeira vez, especificamente contra a enxaqueca. Por terem na mira mecanismos próprios da enfermidade, as medicações são mais eficazes: reduziram até à metade o número de crises, dependendo da dose e da periodicidade das aplicações, e apresentam menos efeitos colaterais em comparação aos usados hoje, de amplitude genérica de ação. “Com os remédios disponíveis, é comum o ganho de peso, confusão mental e diminuição da libido”, explica o neurologista Abouch Krymchantowski, especialista em dor de cabeça e enxaqueca.
Segundo a OMS, ao menos 127 milhões de pessoas
sofrem com a enfermidade em todo o planeta
Os novos remédios (erenumabe e fremanezumabe) são anticorpos monoclonais — moléculas criadas para agir sobre substâncias específicas associadas às doenças. No caso da enxaqueca, atuam sobre a proteína CGRP, uma das responsáveis pela alimentação do ciclo inflamação/dor. Eles são administrados através de injeções (um dos poucos efeitos colaterais foi dor no local da aplicação) e devem chegar ao Brasil em 2019.