quarta-feira, 20 de junho de 2018

Gota: da prevenção ao tratamento

Saiba tudo sobre essa doença inflamatória que afeta as articulações, causando inchaço e muita dor

Inchaço e dores intensas nas juntas, sobretudo no dedão do pé, são os principais sinais da gota, doença inflamatória causada por uma sobrecarga de ácido úrico no sangue – condição que os médicos chamam de hiperuricemia. Quando o excesso de produção dessa substância não é eliminado pelos rins, ela acaba se acumulando nas articulações. Nesses pontos, o depósito dá origem a cristais de urato, despertando os surtos dolorosos da doença, um tipo de artrite.
O DNA está por trás da encrenca. Algumas pessoas produzem ácido úrico aos montes ou não conseguem eliminá-lo adequadamente pelos rins – daí porque ele aparece em alta concentração no sangue, contribuindo para o surgimento da gota.

De onde vem tal ácido úrico?

Ele surge no organismo a partir da decomposição de uma substância chamada purina. Esta, por sua vez, tem duas fontes. A primeira, interna, deve-se a um processo natural de renovação das células. Quando uma delas morre, seu DNA se desintegra, dando origem a moléculas de purina. Esse mecanismo responde por 80% do ácido úrico no corpo. Os outros 20% vêm dos alimentos ricos na substância, entre eles carnes vermelhas, anchovas, aspargos, cogumelos e pães doces.
Hábitos que levam à obesidade e à síndrome metabólica – quadro marcado por problemas como hipertensão, colesterol alto e diabetes – elevam o risco de ter gota. O abuso de medicamentos como diuréticos e ácido acetilsalicílico são outros fatores desencadeadores do sofrimento.

Onde a dor pega

A gota, em geral, afeta uma articulação por vez, começando preferencialmente pelo dedão do pé e se expandindo para as juntas do joelho, tornozelo e atingindo até mão, punho e cotovelo.
A frequência e a duração dos episódios variam de pessoa para pessoa. Algumas podem ter uma crise súbita que desaparece para nunca mais voltar. Mas, na maioria das vezes, o problema tem início com surtos de curta duração – uma semana, em média – e que demoram a reaparecer. Se a gota não for tratada, as dores e o inchaço vão ficando cada vez mais corriqueiros, com impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes.

Sinais e sintomas

– Dor nas articulações, sobretudo no dedão do pé
– Inchaço
– Vermelhidão na pele
– Rigidez nas articulações
– Elevação de temperatura

Fatores de risco

– Homens são mais propensos a ter gota do que mulheres
– O distúrbio aparece, em geral, entre os 40 e os 50 anos de idade
– Excesso de carne, peixes e frutos do mar na dieta aumentam o risco da doença
– Ingestão exagerada de álcool (sobretudo cerveja, que tem alta concentração de purina)
– Alto consumo de refrigerante
– Abuso de medicamentos como diuréticos e ácido acetilsalicílico
– Obesidade
– Colesterol alto
– Predisposição genética

A prevenção

Como cerca de 20% do ácido úrico no corpo vem da alimentação, quem tem predisposição à gota deve pegar leve na ingestão de itens que aumentam a formação da substância, como carnes, peixes e frutos do mar, embutidos, feijão e grão-de-bico.
O álcool também deve ser evitado, porque reduz a eliminação do ácido úrico pelos rins. A cerveja é uma das bebidas que mais exigem moderação nesse caso: além de álcool, ela tem cevada, cereal repleto de purina, a molécula cuja decomposição estimula a produção do ácido.
A melhor sugestão é optar por um menu equilibrado, farto em vegetais e não tão carregado desses itens perigosos. Refrigerantes e sucos industrializados integram a lista dos malfeitores.
A atividade física também é bem-vinda, porque ajuda na manutenção do peso e na prevenção das desordens que intensificam o risco de aparecimento das dores nas juntas – durante as crises, claro, é preciso suspender a malhação.

O diagnóstico

Em primeiro lugar, é bom esclarecer: nem todo mundo com alto nível de ácido úrico no sangue vai necessariamente ter gota. A carga genética que atua na capacidade de eliminação do excesso pela urina determina o aparecimento (ou não) da doença. Além disso, os problemas nas articulações podem ser consequência de outros distúrbios, como reumatismo e artrose.
Na consulta, o reumatologista vai levantar a história clínica do paciente, informando-se de eventuais casos de gota na família – este, sim, um fator de risco relevante. Um exame de sangue apontará se as taxas de ácidos úrico estão altas. A questão é que, algumas vezes, mesmo durante as crises, os índices estão dentro da faixa normal. Então o médico pode solicitar que seja colhido o líquido da articulação alterada. O material será analisado para detectar a presença de cristais, achado que contribui para fechar o diagnóstico.

O tratamento

Não há cura para a gota, mas a doença pode ser controlada. Repouso e uso de bolsas de gelo no local afetado são providências bem-vindas para atenuar as dores, normalmente bastante intensas. Também como forma de reduzir o martírio, o médico receita anti-inflamatório e analgésico.
Para direcionar o tratamento com foco na prevenção de novas crises, o reumatologista investigará se a doença é causada pela hiperprodução de ácido úrico, forma mais rara do distúrbio. Nesse caso, ele vai prescrever remédios para baixar a síntese da substância pelo organismo.
Se o acúmulo de ácido úrico se deve a falhas na sua eliminação pela urina, causa mais frequente da gota, a receita indicará um medicamento capaz de estimular esse processo.
Em ambos os casos, os comprimidos devem ser tomados diariamente, e surtos graves e frequentes exigem que o tratamento se estenda pela vida toda – sempre com acompanhamento do especialista para ajustar a dosagem e contornar efeitos colaterais dos medicamentos.
Aos remédios se juntam as recomendações sobre dieta, com ênfase na moderação de alimentos repletos de purina. Pacientes acima do peso serão orientados ainda a adotar hábitos capazes de eliminar os quilos extras, apostando em cardápios mais leves e aderindo a um programa de exercícios físicos adequado ao seu perfil.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Inverno é a melhor época para realizar alguns tratamentos na pele

Peelings e procedimentos a laser devem ser feitos preferencialmente na época mais fria do ano

 
Quando falamos de cuidados com a pele no inverno, a necessidade de combater o ressecamento é a primeira coisa que vem à mente. Porém, essa estação não combina somente com o uso de produtos hidratantes. Trata-se da melhor época para investir em procedimentos estéticos, como peelings químicos, ultrassom microfocado, luz pulsada e tratamentos feitos com lasers, como depilação e remoção de tatuagem e olheiras.
“Quando fazemos esse tipo de procedimento, a pele é destruída como um todo e, por isso, fica muito sensível. Evitar a exposição ao sol auxilia em sua reconstrução”, explica a dermatologista Tatiana Gabbi, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Como a incidência dos raios solares é menor no inverno, fica mais fácil seguir essa orientação. Além disso, os resultados das intervenções estéticas são potencializados, já que a temperatura ambiente ajuda na recuperação.
Mas algumas técnicas realizadas com radiofrequência – como as que prometem combater celulite e flacidez – podem ser feitas em qualquer estação do ano.

Cuidados necessários

Ainda que a incidência da luz natural seja menor no inverno, não significa que você não deva prestar atenção em outros comportamentos. Cada técnica tem recomendações específicas após sua realização, mas, em todos os casos, a dermatologista aconselha usar sabonetes suaves, algum produto hidratante que tenha a proposta de cicatrizar a pele e, claro, o filtro solar.
“Uma outra coisa que ajuda na recuperação é aplicar compressas geladas e água termal logo depois do procedimento, sempre protegendo com uma toalha”, acrescenta Tatiana.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Criminosos roubam R$ 1 milhão em remédios para tratamento de câncer em clínica na Barra

Nenhum suspeito foi preso

Por O Dia
Centro de Excelência Oncológica
Centro de Excelência Oncológica -
Rio - Criminosos invadiram o Centro Excelência Oncológica da Unimed, na manhã desta quinta-feira, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. De acordo com a Polícia Militar, os assaltantes, que conseguiram fugir, roubaram medicamentos para tratamento de câncer avaliados em R$ 1 milhão. 
Ainda segundo a PM, os militares do 31º BPM (Recreio) foram acionados pela Central 190 por denúncia de roubo a uma clínica de oncologia localizada na Avenida das Américas. No local a equipe foi informada pelo responsável pela empresa que quatro criminosos renderam os funcionários, roubaram medicamentos e fugiram em um veículo.
Os policiais militares realizaram buscas dos criminosos, porém sem sucesso. Nenhum suspeito foi preso. A ocorrência foi registrada na 16ª DP (Barra).
Em nota, o Centro de Excelência Oncológica lamentou o incidente ocorrido nesta manhã e informa que já comunicou as autoridades competentes, que conduzirão a investigação.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Teste genético se torna decisivo no tratamento do câncer

Trabalhos apresentados no evento de oncologia mais importante do mundo reforçam importância de vasculhar o DNA antes de escolher o melhor remédio

Foi-se o tempo em que o local inicial de um câncer era o único fator que o médico levava em conta na hora de prescrever a terapia para o paciente. A chegada de testes genéticos modernos e baratos mudou de vez o combate a diferentes tipos de tumores. A estratégia, já discutida há alguns anos, foi um dos temas de destaque do Congresso da Associação de Americana de Oncologia Clínica (Asco), que ocorreu em Chicago, durante a semana passada.
Vamos dar um exemplo: cientistas do MD Anderson Cancer Center, que também fica nos Estados Unidos, acompanharam mais de 1 300 pacientes com a doença. Aqueles em que o teste genético havia encontrado alguma mutação tiveram o dobro de sobrevida em relação ao grupo que não fez exames do tipo.

Não é só teoria

“No último congresso, coroamos o conceito de que esses métodos de diagnóstico e análise vão definir claramente a estratégia e o manejo daquele tumor e se tornarão cada vez mais uma necessidade para realizar uma boa medicina”, comenta o oncologista Stephen Stefani, membro da Asco e do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.
Esse movimento todo só foi possível graças à chegada de novos remédios, principalmente os integrantes da classe dos imunoterápicos. Algumas dessas drogas já estão aprovadas para certos tipos de tumores que apresentam determinadas características genéticas, independentemente do lugar onde o problema se iniciou. “Isso abriu muito as nossas possibilidades e escolhas, além de permitir adicionar e misturar diversas opções terapêuticas, como incluir a quimioterapia ao longo do tratamento”, acrescenta Stefani.
O uso de exames que vasculham o DNA já é realidade para alguns dos tumores mais comuns entre a população. É o caso do câncer de mama, de pulmão e o colorretal. “Em alguns casos, está demonstrado até que é possível evitar determinadas opções de tratamento que não beneficiariam aquele paciente com certas características”, finaliza o expert.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Exame de sangue poderá detectar câncer de pulmão em estágio inicial

Estudo mostra que um simples teste sanguíneo seria capaz de identificar fragmentos de DNA do tumor na circulação

Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, nos Estados Unidos, divulgaram recentemente um estudo que mostra a possibilidade de detectar o câncer de pulmão na sua fase inicial por meio de um simples exame de sangue. A descoberta foi apresentada no Encontro Anual da Asco (American Society of Clinical Oncology), em Chicago, e representa um grande avanço na medicina.
O diagnóstico funcionaria da seguinte maneira: ao se instalar no pulmão, o tumor pode liberar pequenos fragmentos de DNA na circulação. O exame de sangue avaliaria a expressão gênica desses pedaços usando o sequenciamento do genoma – que é uma espécie de assinatura do código genético. Dessa forma, o médico seria capaz de flagrar a presença do câncer na leitura do resultado.
“Diagnósticos prematuros são a chave para aumentar a taxa de sobrevida desses pacientes. E um simples exame de sangue que pode ser analisado no consultório médico teria um grande impacto nesse índice”, afirmaram os pesquisadores em um comunicado à imprensa.
“É um grande sonho dos médicos e dos pacientes conseguir identificar a doença na fase inicial. Isso só está sendo possível devido ao avanço tecnológico”, analisa Jacques Tabacof, oncologista do Grupo Oncoclínicas. “Quem sabe um dia possamos usar esse exame para achar tumores na população em geral”, imagina o médico. De acordo com ele, essa é uma tecnologia que, a princípio, ajudaria a detectar outros tipos de câncer.
Apesar de os resultados serem animadores, os estudos ainda estão em fase inicial e, portanto, longe de serem implantados nas clínicas. “Antes de ser amplamente utilizado, é necessária uma validação adicional usando um conjunto de dados maiores e estudos envolvendo pessoas que não foram diagnosticadas com a doença”, avisam os experts.

Saiba mais sobre a pesquisa

O estudo contou com a participação de mais de 12 mil voluntários de 141 lugares dos Estados Unidos e do Canadá, sendo que 70% deles tinham câncer de vários tipos. Porém, na fase inicial, foram avaliados apenas 1 700 participantes – 127 acometidos pelo tumor no pulmão.
Os primeiros achados mostraram que o exame de sangue poderia detectar a doença com uma baixa taxa de falsos positivos (menos de 1%). Esse nome diz respeito aos resultados que indicam que uma pessoa tem um tumor quando, na verdade, não apresenta a doença.
Esse é um problema enfrentado no diagnóstico do câncer de pulmão hoje em dia. “Atualmente, o rastreamento é feito com tomografia com baixa dose de radiação apenas nos fumantes ou ex-fumantes. Porém, essa metodologia ocasiona uma alta taxa de falsos positivos. A maioria dos pequenos nódulos encontrados no pulmão através desse exame não são tumores. Podem ser cicatrizes e até tuberculose”, ensina Tabacof.
O estudo constatou ainda que mais de 54% das mutações somáticas (ou seja, não herdadas) detectadas em amostras de sangue eram derivadas de glóbulos brancos e não de tumores. Isso significa que algumas células que poderiam ser identificadas como nódulos malignos eram, na realidade, mutações geradas provavelmente por processos naturais de envelhecimento (os cientistas chamam isso de clones hematopoiéticos).
Segundo Geoffrey R. Oxnard, líder da investigação, esses dados precisam ser levados em conta ao desenvolver testes sanguíneos para a detecção precoce de cânceres no sangue.

Câncer de pulmão é o tumor maligno mais letal

Associado ao consumo de derivados de tabaco em 90% dos casos, o tumor de pulmão é o que mais mata – além de figurar como um dos mais comuns. Segundo informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), a doença foi responsável por 24 490 mortes em 2013 no Brasil. De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que surjam 18 740 novos casos entre homens e 12 530 nas mulheres em 2018.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Chá de salsa é bom para quem tem hipertensão?

Há quem diga que ele ajuda a controlar os níveis de pressão arterial. Investigamos essa história

A hipertensão atinge cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo sem distinguir sexo, etnia, religião ou classe social. Por ser uma doença extremamente comum, é normal que surjam crendices populares sobre remédios naturais e tratamentos que supostamente ajudariam a controlar a pressão. Um deles é o chá de salsa. O leitor Bruno Alves trouxe esse questionamento: será que a bebida faz bem para quem tem pressão alta?
Quem nos responde é Valeria Arruda, diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). “Não existe embasamento científico expressivo para confirmar isso. Os poucos estudos que mostram esse efeito foram realizados com animais e utilizaram apenas o extrato da semente da salsa”, afirma a nutricionista.
De acordo com ela, existem diversos compostos bioativos sendo estudados para auxiliar no controle de várias doenças, mas o chá de salsa não faz parte desse grupo. Ainda assim, você não precisa excluir a planta do seu prato. A salsa é rica em vitaminas A, B1, B2 e C e também é fonte de minerais como cálcio, potássio, fósforo, enxofre, magnésio e ferro. Pode recrutá-la como tempero – e sem medo!

O que dá para mudar à mesa

Em termos de alimentação para auxiliar no controle da hipertensão, não tem jeito: o principal recado é ficar muito atento ao consumo de sódio, mineral presente no sal de cozinha e em muitos produtos industrializados. Em excesso, ele contribui para o aperto dos vasos sanguíneos e a subida da pressão.
Dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE no período de 2008 a 2009 em 55 970 domicílios, mostraram uma ingestão de 4,7 gramas de sódio por pessoa ao dia (considerando o consumo diário de 2 000 calorias). Esse número excede em mais de duas vezes o consumo máximo recomendado do nutriente, que é de 2 gramas ao dia.
Em 2014, na pesquisa Vigitel, conduzida pelo Ministério da Saúde, outro dado chamou a atenção: apenas 15,5% das pessoas entrevistadas relataram reconhecer um conteúdo alto ou muito alto de sódio nos alimentos. “Isso nos preocupa bastante, ainda mais porque que a população vem aumentando o consumo de itens industrializados, que são ricos no mineral”, aponta Valeria.
E o alerta para maneirar no sódio vale para todo mundo, já que uma porção de gente convive com a hipertensão e nem sabe – ou está em risco para desenvolver o problema.
Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), um em cada quatro adultos no Brasil são hipertensos. A doença é responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal terminal no país.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Chikungunya: o pior ainda está por vir

Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia acredita que, em um ou dois anos, doença que pode causar dor crônica durante meses terá um pico de infestações

Rio - Não é fake news para alarmar a população. O alerta vem do presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Maurício Lacerda Nogueira. "Nós já vivemos a tempestade perfeita da zyka. Nós ainda vamos viver a tempestade perfeita da chikungunya. Não há nada que a gente possa fazer para evitar, mas podemos mitigar", garante.
Para Nogueira, que é professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), o pico da epidemia da doença que se caracteriza por espalhar dores fortes por todo o corpo deve ser atingido no ano que vem. "Ou é isso, ou será no próximo ano", garante. Ele delimita os locais que serão mais atingidos: o Nordeste e a faixa de litoral de toda a Região Sudeste, inclusive, claro, o Estado do Rio. A estimativa é que, no Brasil, até 75 milhões de pessoas vivam em áreas classificadas pelos especialistas como de alto risco para a propagação da doença.
Sem a propensão de levar à morte, como acontece com a dengue, a chikungunya se manifesta em uma fase aguda rápida, que provoca febre alta e dor nas juntas, seguida por uma fase crônica que pode se tornar ainda mais torturante. As dores no corpo se estendem por meses - em alguns casos, até por dois anos - e, nos momentos mais críticos, podem impedir os portadores de exercer atividades cotidianas e profissionais.
Uma das dificuldades para o combate à chikungunya é a própria dificuldade do diagnóstico, já que a moléstia se assemelha muito à dengue e à zika que, ao lado da febre amarela, formam o time principal das arboviroses - as enfermidades transmitidas por mosquitos. "São doenças febris agudas, parecidas com a gripe. As pessoas apresentam exantemas (vermelhidão na pele), cefaleia (dor de cabeça), mialgia (dor muscular). Só o diagnóstico molecular permite diferenciar um caso do outro. Mas esse exame é caro. Então, temos que tratar todos os pacientes como se fosse dengue, porque a dengue mata, e mata rápido, o que não é o caso do zyka e da chikungunya", alerta Nogueira.
O especialista lembra que há a tendência entre os médicos de tentar identificar a chikungunya com base na avaliação dos sintomas (diagnóstico clínico). "Isso não funciona", adverte. No entanto, ele diz que o surto epidemiológico das doenças causadas por mosquitos entre 2015 e 2017 no país levou a um aprendizado que vai ser útil no novo surto que prevê "A gente pode ter dificuldades, algumas demoras, mas o sistema de Saúde do Brasil já sabe tratar dessas doenças".
DORES CRÔNICAS
As dores crônicas ligadas à chikungunya ainda precisam ser estudadas com a devida profundidade, como afirmou a pesquisadora Gabriella Maria Pitt Gameiro Sales em artigo recente publicado sobre o tema na Revista da Associação Médica Brasileira. "Quando as manifestações da chikungunya se tornam crônicas, quanto mais tempo duram, mais complicações surgem", advertiu.
A poliartralgia bilateral, como é chamado o mal que acomete os portadores da chikungunya na fase crônica, vem sendo tratada com anti-inflamatórios (esteroides ou não), imunossupressores e homeopatia. O uso de fisioterapia também é indicado em muitos casos.
O surgimento ou ressurgimento da chikungunya e de outras doenças transmitidas por mosquitos pode estar relacionados com a mudança climática global. Mas também são condicionados por variáveis como a adequação de instalações sanitárias, a disponibilidade ou não de água canalizada e o destino do lixo produzido nas comunidades. No fim, a única estratégia eficiente continua sendo tentar impedir os mosquitos de se reproduzirem.

INFESTADO DE MOSQUITOS

Maurício Lacerda Nogueira - SBV
Coordenadora do Projeto Aedes Transgênico (PAT), Margareth Capurro lembra que o convívio com o Aedes aegypti e a dengue nas cidades vem de longe. "O que mudou nos anos recentes foi que entraram dois vírus novos: o zika e a chikungunya. E, no país, nenhum humano havia tido contato anteriormente com esses vírus. A situação era favorável para que houvesse uma explosão de ocorrências da doença e, em seguida, uma diminuição - que foi exatamente o que aconteceu", diz a professora no Departamento de Parasitologia da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
No entanto, a chikungunya ainda não chegou a contaminar tantas pessoas para que aconteça um refluxo mais duradouro. "Hoje, vivemos uma situação em que todos os lugares do mundo se tornaram muito próximos. Milhões de pessoas estão indo e vindo a todo momento. E, eventualmente, algumas delas chegam doentes. No caso, chegaram trazendo vírus que encontram uma situação extraordinária para se propagar: uma população ainda não atingida e um país infestado de mosquitos", diz Maurício Lacerda Nogueira, para explicar o mecanismo que ele afirma que vai se repetir com a chikungunya em breve.
Controlar o Aedes aegypti ainda é um desafio enorme. "São necessárias políticas públicas, engajamento da população e adoção de várias estratégias de combate: inseticidas e introdução de mosquitos transgênicos", diz Jayme Augusto de Souza-Neto, professor da Unesp.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

O guia dos pés saudáveis (e sem dor)

Aprenda a conhecê-los direito, respeitá-los e, claro, conservá-los sem aperto

Se tem alguém que vai aguentar você o resto da vida é ele. Ou melhor, eles. Acontece que nem sempre damos bola aos nossos pés. E há várias características e situações que merecem ser conhecidas para não descuidarmos deles — o que pode servir de pontapé inicial para dores, cansaço, má postura…
Para começar: você sabia que é comum ter um pé maior que o outro? É o que mostra uma pesquisa realizada pelas Pés Sem Dor, fabricante de palmilhas que analisou as medidas de 37 mil brasileiros. Mais de 90% das pessoas tinham uma diferença ao menos milimétrica entre os pés esquerdo e direito, sendo que em quase 30% a variação era mais significativa — até 2 centímetros.
Isso não é motivo de alarde, mas deveria pesar na hora de escolher o sapato, por exemplo. E não é só tamanho. O formato dos pés, o tipo de sola, a pisada… Em tese, essas características individuais têm de ser levadas em conta para os pés (e você) não penarem depois.

Tamanho é documento

Os pés esquerdo e direito podem ter comprimentos discretamente diferentes por razões genéticas ou mesmo traumas. Se isso não for significativo, não vai alterar a mecânica do movimento. Ainda assim, o número do calçado influencia no conforto das pisadas. “Ocorre que geralmente compramos o calçado de acordo com o pé menor, o que pode causar incômodo e, no longo prazo, favorecer problemas como joanetes”, aponta Mateus Martinez, diretor de fisioterapia da Pés Sem Dor.
Descubra o tamanho correto para cada tipo de calçado:
Sapato Social: O correto é que ele seja 0,7 cm maior que o pé, tendo um espacinho entre a sua ponta e o dedão. A flexibilidade também é importante. Se for duro e apertado, é quase certo que vai gerar dor, bolhas e calos.
Tênis: O modelo ideal tem 1,5 cm a mais que o pé. Essa folga permite que ele se acomode e absorva impactos. Mas cuidado com os modelos largos, que afetam a estabilidade e favorecem lesões. E evite aqueles com amortecedores gigantes.

Cada um com a sua pisada

O jeito que o pé toca no chão é determinado por estruturas normalmente consolidadas na infância — e influenciadas por um estilo de vida mais ou menos ativo. “Pisadas pronadas ou supinadas demais nos preocupam, pois afetam não só os pés, mas também as articulações dos tornozelos, joelhos e quadril”, observa o educador físico Júlio Serrão, professor de biomecânica da Universidade de São Paulo. Calçados e palmilhas visam corrigir os desequilíbrios e prevenir problemas futuros.
 (Ilustração: Rodrigo Damati/SAÚDE é Vital)

Com a manutenção em dia

Nossos meios naturais de transporte precisam de cuidados constantes. Entra na lista não só a higiene básica como também estímulos para que a musculatura e a circulação sanguínea fiquem devidamente ativas. Permanecer um tempinho descalço ajuda a manter o pé firme para suportar impactos por mais tempo, sem contar que o hábito dá uma arejada na região, que costuma viver presa na umidade e na escuridão dos calçados.
Alguns cuidados básicos que você deve ter:
Unhas aparadas: O certo é cortá-las em formato reto, sem que os cantos, especialmente os do dedão, fiquem arredondados, e sempre preservar a cutícula ao redor.
Lava e seca: Depois da água e do sabão, certifique-se de que os dedos estão bem secos passando a toalha entre eles. Se o pé sua demais, dá para recorrer a talcos.
Sessão de massagem: Pressionar os pés com os dedos das mãos facilita o retorno do sangue para o coração. Bolinhas massageadoras completam a tarefa trabalhando a musculatura local.

Os cuidados devem começar na infância

A genética explica em parte por que algumas pessoas pisam torto ou têm o arco do pé mais ou menos proeminente. Mas o estilo de vida e os estímulos contam muito nessa história — desde a infância! Um bom exemplo disso é o pé chato, situação em que o arco do pé, desenhado quando somos crianças, tem uma curvatura muito tímida. Segundo os especialistas, o quadro vem se tornando cada vez mais comum.
“Hoje as crianças brincam menos tempo descalças e usam calçados antes mesmo de começar a andar, o que prejudica o desenvolvimento natural dos pés”, avalia o professor. Uma das recomendações para prevenir ou corrigir o pé chato da infância é andar descalço na areia, no gramado, em casa…
Estímulos de mais ou de menos também impactam a vida adulta. O uso constante de saltos altos, calçados inadequados e o do próprio sedentarismo tendem a repercutir nos nossos pilares de sustentação, explicando a presença de dores, fadiga e outros chabus que não se restringem aos pés. Como dá para perceber, hábitos e escolhas diárias fazem total diferença.
Estar ciente disso é importante para as próximas escolhas na loja de tênis e sapatos — especialmente se você já tem algum incômodo ou problema ao pisar. “Mas nem sempre o calçado, por mais caro que seja, vai resolver as coisas”, adverte Serrão. O ideal é buscar aconselhamento com um profissional para saber que modelo faz sentido no seu caso. Até porque às vezes parte da solução está numa palmilha, em sessões de fisioterapia…
Investir nessa avaliação e orientação — em vez do último lançamento do tênis do mercado — ajuda a flagrar e contornar alterações ortopédicas que podem virar problemas crônicos e afetar até a coluna e aí o tratamento fica muito mais complicado”, avisa Serrão. Pois é, o cuidado começa mais embaixo.

Por baixo de tudo

O arco plantar, que dá a curvatura da sola, termina de se desenvolver aos 12 anos de idade e atua como um amortecedor. Toda vez que pisamos no chão, a curva se deforma para distribuir melhor a carga pelo resto do aparelho locomotor. Da mesma maneira que ocorre com a pisada, alterações extremas aqui são prejudiciais. A estrutura tende a sofrer com o avançar da idade e por influência de outros fatores, como excesso de peso.
 (Ilustração: Rodrigo Damati/SAÚDE é Vital)

O que fazer diante das chateações mais comuns lá nas bandas dos pés

Unha encravada: O corte influencia, mas alguns azarados estão predispostos a sofrer mais com ela. Nesse caso, é melhor resolver direto com um especialista.
Micose: Vários fungos vivem e aprontam nos pés, causando de manchas nas unhas a frieiras. Todos adoram a umidade dos calçados fechados. Procure arejar as coisas.
Calos: Surgem como defesa contra o atrito entre osso, pele e superfícies externas. São inofensivos, mas exigem um olhar médico se afetarem a pisada.
Chulé: Manter os pés limpos e arejados já ajuda a reduzir o odor, produzido pela mistura entre bactérias e suor. Para casos graves, existem produtos específicos.
Joanete: A deformação é provocada por décadas de calçados apertados. Dá para amenizar o risco preferindo pares mais macios e deixando os pés livres às vezes.
FONTES CONSULTADAS: Ana Paula Ribeiro, fisioterapeuta e coordenadora do Laboratório de Biomecânica e Reabilitação Musculoesquelética da Universidade de Santo Amaro, em São Paulo; Roberto Rached, médico fisiatra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo; Tatiana Gabbi, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Atividade física ajuda a evitar e a combater o câncer

Além de proteger contra o surgimento de tumores, o exercício contribui para o sucesso do tratamento da doença

A carga genética de um indivíduo não é, na maioria dos casos, o que mais influencia no surgimento de um câncer. Já está claro que muitos outros fatores contribuem para a doença se manifestar (ou não). Nessa lista, está a atividade física, como ficou evidente em uma apresentação que acompanhei no congresso anual do Colégio Americano de Medicina do Esporte, nos Estados Unidos.
E o bacana é que ser ativo não só reduz o risco de um tumor aparecer como também favorece a recuperação das pessoas diagnosticadas com a doença.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Fortes, mas em risco: o perigo dos suplementos alimentares para os jovens

Esses produtos seduzem jovens com a promessa de acelerarem o ganho de massa muscular. Só que o uso por conta própria pode ter consequências sérias à saúde

Adolescentes, ainda mais os nascidos na era digital, querem tudo para ontem. Não é à toa que muitos deles desejam trocar o corpo infantil por uma versão mais musculosa ou definida no menor prazo possível. Pisando na academia, eles são público fácil para os suplementos esportivos, especialmente aqueles que aumentam a massa muscular, caso de whey protein, BCAA e creatina.
“Percebo nas consultas que é muito grande a demanda por esse tipo de produto. O adolescente é invariavelmente vaidoso e quer ficar forte logo”, observa a pediatra Mônica Moretzsohn, do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Estudos recentes endossam a constatação da médica. Uma pesquisa realizada em Fortaleza com 85 frequentadores de academia de 18 a 58 anos mostrou que gente abaixo dos 30 é a que mais recorre a suplementos. Quanto mais jovem, maior o apelo da categoria. Mas o que deixa mesmo os especialistas de cabelo em pé é o uso dessas substâncias por conta própria – sendo que, em geral, elas são indicadas a atletas.
Outro levantamento, este feito com 30 adolescentes de Campo Mourão, no Paraná, revelou que um terço deles ingeria suplementos sem orientação. Só 10% ouviram um médico ou nutricionista. O fenômeno, claro, não se restringe ao Brasil. Na Eslovênia, cientistas da Universidade de Liubliana, a mais antiga do país, identificaram um cenário parecido ao avaliar 1 500 jovens de 14 a 19 anos. Dos adeptos da suplementação, 40% não eram acompanhados por profissionais de saúde. Detalhe: 30% se aconselhavam com familiares.
“Sem consultar um especialista, o adolescente pode ultrapassar a dose recomendada e combinar substâncias que interagem entre si”, alerta a pediatra Flavia Meyer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O estudo paranaense chegou a apontar um dos efeitos desse consumo sem supervisão: falta de carboidratos e excesso de proteína no cardápio.
“E temos visto muitos casos de jovens internados para fazer diálise por sobrecarga dos rins em razão do abuso proteico”, conta a médica Leda Lotaif, chefe da Nefrologia do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. Ela ressalta que as complicações surgem em quem já possui predisposição a problemas renais – algo que praticamente ninguém sonha ter.
Pela legislação, suplementos de proteína, como o whey protein, são considerados alimentos e não remédios, o que favorece a venda e o consumo sem critério. Atenta aos riscos disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu revisar as regras na área. O objetivo é tornar o mercado mais seguro – hoje, parte dele está na ilegalidade.
“Há muita divergência de informações entre rótulos de produtos semelhantes, promessas de benefícios sem comprovação científica, itens com problemas de qualidade”, enumera Rodrigo Vargas, especialista da Gerência Geral de Alimentos da Anvisa. “Já houve casos de adição de anabolizantes em algumas marcas. Os riscos disso vão desde alterações hormonais e sexuais até cardiopatia e câncer“, alerta a médica Flavia Meyer, que é doutora em nutrição e exercício físico infantil.
Ainda que as normas fiquem mais claras, não dispensam a visita ao médico ou nutricionista. Para adolescentes, o recado é especialmente importante. Quem pula essa etapa corre o risco de apresentar um desequilíbrio nutricional, o que compromete o desenvolvimento ósseo e muscular.
Há relatos também de espinhas, dor de cabeça, insônia e até agressividade e taquicardia entre usuários dessas substâncias. Como se não bastasse, suplementos com proteína isolada contribuiriam para manifestações alérgicas. Nada disso, porém, foi estudado a fundo. “Faltam pesquisas específicas sobre os efeitos colaterais desses produtos”, diz a nutricionista Luciana Rossi, do Centro Integrado de Saúde da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Suplementação + vício por exercício, uma dobradinha perigosa

Não raro, a suplementação é ligada a outro comportamento: a dependência de exercícios físicos. E, quanto menor a idade, maior o risco de ficar fissurado nos treinos e abusar dos aceleradores da atrofia muscular. Foi o que Luciana Rossi descobriu na sua tese de doutorado, conduzida na Universidade de São Paulo (USP). Mais um ótimo motivo para prestar atenção e dar orientação à garotada.
Nessa turma, excessos de carga ou de ritmo na malhação podem acarretar lesões nos músculos e nos ossos, prejudicando inclusive o crescimento. Para ter ideia, alguns sintomas do vício em atividade física são semelhantes aos da abstinência de álcool, como alterações no padrão de sono e ansiedade. Sem falar na possibilidade de aparecimento de transtornos alimentares.
Mas, afinal, com supervisão médica, quando meninos e meninas realmente tiram proveito dos suplementos? A verdade é que esse tipo de produto só faria sentido para quem está iniciando uma carreira como atleta. “A princípio, a suplementação é contraindicada para adolescentes saudáveis que já seguem uma alimentação balanceada”, afirma Flavia.
Pois é: montar o prato com mais zelo já auxiliaria o organismo no ganho de massa muscular. Em termos de proteína, por exemplo, dois filés de frango ao dia são suficientes para quem está em fase de crescimento. “A conta é, em média, de 1 grama de proteína para cada quilo de peso. Um filé de frango tem cerca de 20 gramas do nutriente. Logo, uma porção no almoço e outra no jantar estão adequadas para um adolescente com 40 quilos”, contabiliza a pediatra Mônica, da SBP.
Ao começar os treinos, o jovem pode, com orientação, aumentar as porções e reforçar a ingestão de calorias e outros nutrientes, como carboidratos, cálcio e ferro. “Quando se fala em suplemento alimentar, há uma impressão de que ele é mais completo do que o alimento, o que nem sempre é verdade”, reforça Luciana.
Ela cita o caso do badalado whey protein. “Trata-se da proteína do leite isolada. Ou seja, a bebida em si já contém essa mesma proteína e ainda gordura, cálcio e outros componentes necessários ao organismo”, justifica. Para quem está em franco desenvolvimento, o melhor conselho a ser dado envolve bom senso, paciência e alguns copos de leite, ovos e bifes.

Passou do ponto

Segundo pesquisa da USP assinada pela nutricionista Luciana Rossi, quem utiliza suplementos alimentares tem 4,5% mais risco de se tornar dependente de exercícios físicos. Só que a obsessão por malhar ainda está atrelada a distúrbios alimentares, como anorexia ou bulimia. Para evitar esse desdobramento, veja indícios de que o gosto do adolescente por exercícios deixou de ser saudável:
– Ele vai à academia cinco vezes por semana ou mais.
– Chega a recusar viagens a locais onde não há possibilidade de puxar ferro.
– O menino ou a menina preferem malhar a se divertir com os amigos.
– Não deixa de se exercitar mesmo na presença de alguma lesão muscular.
– Demonstra desejo constante de modificar o corpo ou muita obsessão com a aparência.

Conheça os suplementos que estão em alta entre os jovens

Whey protein: Falamos da proteína do soro do leite. Tem rápida absorção e aproveitamento pelo corpo. Auxilia na formação de músculos e ossos.
BCAA: Combina três aminoácidos que formam as proteínas musculares. Não há evidências de que a ingestão sempre traga vantagens.
Creatina: Produto da transformação de aminoácidos, ajuda a reter água nas células. Daí, elas aumentam de tamanho e geram energia extra.
Cafeína: A substância que marca presença naturalmente no café é estimulante. Portanto, promete turbinar a resistência e o desempenho em exercícios intensos.

Quais são os pré-requisitos da malhação dos 12 aos 18 anos

Idade ideal: Varia. Mas o melhor é esperar o estirão de crescimento, que ocorre normalmente entre 11 e 13 anos.
Carga certa: É aquela que permite ao jovem repetir todo o movimento pelo menos umas oito ou nove vezes.
Supervisão: Um educador físico deve acompanhar a progressão de cargas, postura e execução dos exercícios.
Sem exagero: Morar na academia pode levar a lesões em músculos e ossos e prejudicar o crescimento.
Avaliação prévia: Uma ida ao médico cai bem para ver se a saúde como um todo está preparada para a malhação.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Eles não servem para nada

Crédito: ronstik

Uma revisão de mais de cem artigos científicos mostra que os quatro suplementos vitamínicos mais consumidos não têm efeito protetor

Um estuo que acaba de ser publicado no jornal do Colégio Americano de Cardiologia parece colocar um ponto final na discussão sobre a utilidade de recorrer aos suplementos vitamínicos em busca de mais proteção para o coração e o cérebro. Segundo o artigo, de modo geral eles não têm qualquer interferência sobre a saúde cardiovascular. Ou seja, nem ajudam nem atrapalham. As exceções ficam por conta dos complementos de ácido fólico, que apresentam pequeno benefício para o cérebro. Realizada pelos pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, a pesquisa também concluiu que suplementos de niacina (vitamina B3) e de antioxidantes na verdade estão associados ao aumento do risco de morte por doenças.
A análise da eficácia dos suplementos sempre foi pautada por conclusões discrepantes. Apesar dos desencontros de informações, o consumo desses recursos mantém-se alto. Nos EUA, por exemplo, mais de 50% dos adultos tomam algum tipo de suplemento. No Brasil, a indústria de suplementos cresce 15% ao ano desde 2010.
O trabalho apresentado propôs-se a analisar os resultados de 179 pesquisas realizadas entre 2012 e 2017. Os cientistas descobriram que os quatro suplementos mais consumidos (multivitamínicos, vitamina D, cálcio e vitamina C) não apresentaram evidências consistentes de benefícios na prevenção de infarto ou de AVC. “O único exemplo de eficácia foi o uso de ácido fólico”, afirmou à ISTOÉ o coordenador do trabalho, médico David Jenkins.
Deficiências
O resultado corrobora as orientações da força-tarefa de especialistas montada pelo governo americano para a área de nutrição e prevenção de saúde. O grupo afirmava que não há evidência nem dos benefícios nem dos prejuízos causados pelos suplementos. “A vitamina D, por exemplo, tornou-se popular, mas, surpreendentemente, não mostrou efeito contra doenças cardíacas ou para prolongar a vida”, diz Jenkins.
No Brasil, o presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Suplementos Nutricionais, Sinésio da Costa, diz que os produtos beneficiam grupos específicos. “Eles devem continuar sendo resposta para pessoas com deficiências”, diz. Ele cita como exemplo os esportistas, cujas atividades requerem do organismo desempenho superior ao normal.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Vírus da zika pode ser usado para eliminar câncer cerebral, aponta estudo da USP

Crédito: Núcleo de Divulgação Científica da USP
Imagem mostra o tumor no cérebro do camundongo (Crédito: Núcleo de Divulgação Científica da USP)
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o vírus da zika é capaz de infectar e matar as células de tumores cerebrais com grande eficácia, sem causar danos às células saudáveis.
De acordo com os autores da pesquisa, os resultados sugerem que, no futuro, vários tipos de tumores agressivos do sistema nervoso central poderiam ser tratados com algum tipo de abordagem envolvendo o uso do vírus da zika, conhecido por sua preferência por atacar células do cérebro em formação.
Realizada por cientistas do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, sob coordenação da geneticista Mayana Zatz, nesta quinta-feira, 26, na revista científica Cancer Research, da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer.
Segundo Keith Okamoto, autor principal da pesquisa, estudos anteriores já haviam mostrado que o vírus da zika tem uma grande afinidade por células do sistema nervoso central, em especial as células-tronco neurais, que dão origem aos neurônios. Assim, quando um feto é infectado, o vírus ataca seu sistema nervoso e reduz drasticamente a quantidade de células-tronco neurais, gerando problemas como a microcefalia.
Por outro lado, segundo Okamoto, estudos feitos pelo grupo da USP sobre tumores do sistema nervoso central mostravam que as células que compõem esses tumores têm características semelhantes às das células-tronco neurais e estão ligadas ao processo de disseminação do câncer – a metástase.
“Essas células tumorais são especialmente resistentes aos tratamentos convencionais como quimioterapia e radioterapia. Por isso decidimos investigar se o vírus da zika, que infecta células-tronco normais, poderia também infectar e matar as células tumorais que têm características de células-tronco”, disse Okamoto ao Estado.
Para realizar a pesquisa, os cientistas infectaram com zika células humanas derivadas de dois tipos de tumores cerebrais que afetam especialmente crianças de até cinco anos de idade: meduloblastoma e tumor teratóide rabdóico atípico. O procedimento também foi feito com células de câncer de mama, de próstata e de intestino.
Em um dos experimentos, os pesquisadores utilizaram essas células tumorais humanas para induzir o crescimento de tumores cerebrais “humanos” em camundongos. Depois de desenvolver o câncer em estágio avançado, os animais receberam uma injeção com o vírus da zika. Os tumores regrediram em 20 dos 29 animais tratados com o vírus – em sete deles, a remissão foi completa e o tumor desapareceu. O vírus também bloqueou e reverteu metástases.
“O estudo mostrou que o vírus da zika de fato possui afinidade com as células do sistema nervoso central, infectando e matando as células tumorais de forma seletiva. O mesmo não ocorreu com os tumores de mama, próstata e intestino. As células-tronco tumorais se mostraram ainda mais suscetíveis a serem destruídas pelo vírus do que as células-tronco sadias. Observamos também que o vírus não foi capaz de infectar os neurônios maduros”, explicou Okamoto.
Segundo o cientista, o fato do vírus da zika não afetar os neurônios maduros é crucial do ponto de vista da segurança, já que a destruição de neurônios saudáveis seria uma barreira para o uso do vírus em uma futura terapia contra o câncer cerebral.
“Mostramos que o vírus tem propriedade oncolítica, isto é, ele é capaz de atacar preferencialmente as células tumorais, preservando as células normais do mesmo tecido. Essa linha de estudos é bastante nova e nosso estudo é o primeiro com o vírus da zika a mostrar resultados em células humanas”, disse o pesquisador.
Okamoto conta que as propriedades oncolíticas já haviam sido observadas em outros vírus e a estratégia do uso de vírus como “arma” contra o câncer já é uma realidade. Em 2015, a FDA – a agência americana responsável pela regulação de fármacos, terapias e alimentos – aprovou um tratamento que utiliza uma forma modificada do vírus da herpes para tratar melanoma.
No ano passado, quando os cientistas brasileiros já haviam enviado o novo artigo para publicação, um grupo de cientistas americanos publicou um estudo que também mostrou como o vírus da zika destrói células de glioblastoma – outro tipo de câncer cerebral -, mas o estudo foi feito sem o uso de células humanas.
“O estudo sobre o glioblastoma é importante, porque é um tipo de câncer agressivo que carece de tratamento. Mas o estudo não foi feito com células de tumores humanos – e sim com células de tumores de camundongos, que respondem de forma diferente”, disse Okamoto.
Como foram utilizadas células de tumores humanos nos camundongos, o estudo brasileiro conseguiu demonstrar não apenas que o vírus da zika consegue reduzir os tumores, mas também inibir a metástase. No caso do glioblastoma, a metástase é rara, já que o paciente costuma morrer antes que o tumor se alastre.
“Outra novidade importante do nosso estudo é que pela primeira vez foi feito um estudo de escalonamento da dose. Isto é, nós adicionamos quantidades crescentes do vírus às células tumorais para descobrir qual é a quantidade mínima capaz de promover a infecção. Verificamos que uma dose do zika 50 vezes menor que a utilizada pelos americanos já é suficiente para eliminar os tumores”, explicou Okamoto.
O estudo brasileiro também mostrou que depois de atacar as células-tronco tumorais, o vírus da zika não consegue se reproduzir com eficiência – o que evitaria que os pacientes tratados contra o câncer ficassem doentes com a infecção viral.
“Normalmente, quando um vírus infecta uma célula, ele sequestra sua maquinaria para se replicar e depois libera uma quantidade imensa de partículas virais que irão infectar outras células. Mas descobrimos que, por algum motivo, o vírus não consegue se replicar de forma eficiente na célula de câncer, porque as partículas virais produzidas são defeituosas, com pouca capacidade para destruir células normais.”

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Tudo sobre conjuntivite: o que é e como evitar o problema

O possível surto em 2018 dessa doença que atinge os olhos levanta questões sobre como ela é transmitida e prevenida e quais seus sintomas e tratamentos

 
Você já teve a sensação de estar com areia nos olhos, acordou com as pálpebras grudadas e inchadas e passou dias com os olhos ardendo e avermelhados? Pois são esses os principais sintomas de quem pega conjuntivite, uma inflamação na membrana que reveste a parte branca dos olhos.
Ela pode ser desencadeada por reação alérgica, exposição à produtos químicos e, principalmente, por vírus e bactérias. Aí, ganha o nome completo de conjuntivite infecciosa, que virou notícia nos primeiros meses deste ano, quando o sul de Minas Gerais, o Centro-Oeste, o Nordeste, o interior de São Paulo e o Sul registraram um número de casos maior do que o esperado para o período.
Na capital paulista, os casos triplicaram: de 82 entre janeiro e abril de 2017 para 327 no mesmo período de 2018. Entretanto, segundo Lísia Aoki, oftalmologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), trata-se de um fenômeno sazonal e, em certa medida, esperado. “Ela já é uma doença muito comum, que aumenta de incidência no verão, mas também em ocasiões que envolvem aglomerações de pessoas”, aponta.
Sem contar que, no outono, a baixa umidade do ar tende a ressecar as mucosas, o que pode abrir caminho para uma infecção. Via de regra, a conjuntivite não causa estragos muito sérios.

Fácil de transmitir, mas dá para prevenir

Além dos sintomas descritos acima, a visão pode ficar embaçada ou sensível à luz e os olhos, lacrimejando constantemente. São as lágrimas, aliás, que transmitem o agente infeccioso: a pessoa passa a mão no olho, encosta-a em algum lugar e lá o bacilo espera até pegar carona em um desavisado.
Quando os sinais aparecem, o ideal é procurar o médico. “O risco de contágio é alto, por isso recomendamos o afastamento do trabalho e outras atividades externas até que o quadro se resolva”, explica Lísia.
Esse período dura em média sete dias. Durante ele, a pessoa deve tomar medidas preventivas para que o outro olho não seja infectado. Sim, isso pode acontecer – aí a chatice demora mais para ir embora.
“Quem está com conjuntivite deve lavar as mãos constantemente com água e sabão, separar toalhas para uso individual e limpar com álcool tudo o que outras pessoas puderem tocar, como computador e telefone”, ensina a oftalmologista.
Para a população, em períodos de maior incidência, assim como para as outras doenças virais, vale reforçar a higiene e ter um álcool gel por perto. Ou seja, cuidado redobrado nos próximos tempos.

Como tratar o incômodo Compressas de água fria aliviam a queimação, mas o soro fisiológico gelado deve ser evitado. “Em excesso, o sal da mistura pode irritar a pele”, orienta Lísia. Óculos de sol ajudam a reduzir a sensibilidade à luz, enquanto os colírios do tipo lágrima artificial lubrificam os olhos e amenizam os sintomas.
Para evitar a reincidência da conjuntivite, o ideal é que os lenços utilizados para limpar a secreção que escorre dos olhos sejam descartáveis. Pelo mesmo motivo, o colírio não deve encostar na conjuntiva quando for aplicado. Já coçar os olhos, embora às vezes seja tentador, piora o problema.
Geralmente, o quadro regride sozinho. Mas, em alguns casos, o médico prescreve colírios específicos com antibióticos ou anti-inflamatórios. Tais remédios, contudo, devem ser indicados pelo especialista. Tanto porque a conjuntivite possui origens diferentes que só ele saberá distinguir, quanto porque, em situações raras, sintomas se intensificam e demoram até um mês para ir embora.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Avatar do câncer

Médicos recriam, em animais, os tumores dos pacientes. O modelo é usado para testar os remédios mais eficazes para cada caso

Crédito: Divulgação
Uma experiência pioneira no Brasil está sendo conduzida no Hospital A C Camargo Cancer Center, em São Paulo. Lá, pacientes começam a ter adicionado ao tratamento um recurso que vem sendo chamado de “avatar do câncer”. Uma amostra do tumor de cada um é reproduzida e cresce implantada em um camundongo, sob a pele ou no órgão correspondente do animal, funcionando como um espelho da doença. Em casos difíceis, a estratégia é valiosa. Por meio dela, os médicos podem experimentar contra aquele tumor específico remédios que podem ser mais eficazes e observar seu comportamento, inclusive agressividade, mas de forma que o corpo do paciente fique preservado de eventuais prejuízos que as tentativas possam trazer.
A aplicação clínica no A C Camargo começou há cerca de um ano e meio, em pacientes com tumores tradicionalmente mais agressivos, como melanoma (tipo de câncer de pele) e algumas variedades de tumor de rim. “O trabalho é inicial, mas os resultados são muito interessantes”, afirma a cientista Vilma Regina Martins, superintendente de pesquisas da instituição, referência no combate à enfermidade no País.
“Os resultados obtidos até agora são muito interessantes” Vilma Martins, cientista do AC Camargo Cancer Center
O que anima os médicos são especialmente as respostas que podem ser observadas em relação aos medicamentos. No avatar são testadas medicações novas, em geral com tempo de uso mundial insuficiente para conclusões definitivas sobre sua eficácia de maneira generalizada. Além disso, em muitos casos esses remédios funcionam muito bem para um paciente, mas não dão resultado, ou pelo menos não tão bons, para outro, apesar de o tipo de tumor ser o mesmo. “Os mini-tumores fazem parte da oncologia de precisão. Quanto mais personalizado o tratamento, melhor”, explica Luiz Henrique Araújo, presidente da Regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e  pesquisador do Instituto Nacional do Câncer. Em trabalho recente, o médico George Vlachoginannis, do Instituto de Pesquisa do Câncer, de Londres, atestou a eficácia do recurso. “Os modelos em animais funcionam como o tumor do humano. Por isso, são muito eficientes para que possamos estimar as reações dos pacientes”, disse à ISTOÉ. C.P.
Espelho perfeito
Como são feitas as amostras
São extraídas células do tumor do paciente
São injetadas em camundongos, de preferência no órgão correspondente ao atingido no paciente
Após um período variável, o animal desenvolve tecido tumoral bastante semelhante ao registrado no doente

terça-feira, 24 de abril de 2018

Em 10 anos, CE soma 351 casos de H1N1 e 63 óbitos

De acordo com a Sesa, o total representa média de 80% das ocorrências positivas para Influenza com agravamento
por Lêda Gonçalves - Repórter
Entre 2009 e abril deste ano, o Ceará somou 439 casos confirmados da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Influenza, desse total, 351 pelo subtipo H1N1, com 63 óbitos, aponta o Boletim Epidemiológico da doença divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa).
Os dados foram disponibilizados desde a última sexta-feira, quando o Ceará iniciou a Campanha de Vacinação, que prossegue até junho próximo, e destacados durante evento que reuniu, na sede do órgão estadual, secretários da Pasta do Estado, Henrique Javi, e do Município, Joana Maciel, além de coordenadores de imunização, técnicos e infectologistas. Entre janeiro e 14 de abril passado, 27 ocorrências da doença foram comprovadas pelo Laboratório Central (Lacen), sendo 24 pelo H1N1, com quatro mortes.
O objetivo do encontro foi esclarecer à população de que não existe motivo para pânico ou correria para as unidades básicas de saúde em busca da vacina Trivalente, que combate três subtipos da Influenza, mais presentes no Ceará, o H1N1, o H3N2 e a B. De acordo com Henrique Javi, nos últimos três anos, a sazonalidade do vírus influenza ocorreu no primeiro semestre de cada ano.
Prevenção
"Em 2016, tivemos o maior número de casos, com 103 confirmações e 17 óbitos. Naquele ano, assim como estamos fazendo agora, a imunização, principalmente dos grupos prioritários, é uma das ações importantes", afirma, acrescentando que os cuidados com a prevenção mais importantes são lavar as mãos frequentemente, usar álcool gel e, no agravamento dos sintomas da gripe, ir rapidamente a uma das unidades básicas de Saúde.
Doses
Segundo a coordenadora de Imunização de Fortaleza, Vanessa Soldatelli, em apenas três dias, na sexta-feira, sábado e domingo, mais de 80 mil doses foram aplicadas na Capital, de um total de 630 mil a serem encaminhadas pelo Ministério da Saúde. "São 110 postos de saúde, alguns que funcionam no fim de semana. Temos tempo para que todos os grupos prioritários se vacinem", frisa.
Somente no posto do Meireles, de competência estadual, mais de quatro mil pessoas foram imunizadas no último fim de semana, em apenas dois dias.
"É importante dizer que não vai faltar vacina no Ceará. São mais de 850 mil doses, o suficiente nesse primeiro momento. Queremos atingir 90% da população prioritária ou mais de 2,3 milhões de pessoas", garante a coordenadora de Imunização da Sesa, Ana Vilma Leite Braga.
Prioridade
Os grupos prioritários são: idosos a partir de 60 anos, crianças de seis meses a cinco anos, trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade - o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas - e os funcionários do sistema prisional. Os portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais também devem se vacinar.
Mais informações
Secretaria da Saúde do Estado do Ceará; Av. Almirante Barroso, 600, Praia de Iracema; (85) 3101.5123

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Perda de peso não intencional pode indicar um câncer, diz estudo

O emagrecimento sem explicação foi associado a dez tipos de tumores em uma pesquisa gigantesca

Manter-se no peso ideal é um fator protetor contra o câncer, mas emagrecer sem querer é um sinal de alerta importante para a doença, avisa estudo conduzido pelas Universidades Oxford e Exeter, ambas da Inglaterra. A pesquisa, publicada recentemente no jornal científico British Journal of General Practice, é a primeira investigação profunda sobre o assunto.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas revisaram 25 trabalhos, que envolveram informações de nada menos do que 11,5 milhões de indivíduos com idades variadas. Eles notaram que o registro de perda de peso não intencional era o segundo maior preditor de tumores colorretais, de pulmão, pâncreas e rins, além de estar associado a outros tipos de câncer.
Para ter ideia, em mulheres acima de 60 anos, a queda repentina no ponteiro da balança aumentou em 6,7% o risco de encarar um tumor. Nos homens, o perigo aumentou mais de 14%. Segundo os protocolos da saúde pública britânica, um risco acima de 3% já é considerado um fator de ‘investigação urgente’.

A importância do clínico geral

“Nós sempre soubemos que o emagrecimento não-planejado pode significar câncer, mas esse estudo reúne toda a evidência publicada e demonstra que a investigação disso deve ser um foco de esforço para salvar vidas”, comentou o microbiologista e expert em diagnóstico de câncer Willie Hamilton, da Universidade de Exeter, coautor do estudo, em comunicado à imprensa.
O trabalho chama a atenção para a necessidade de analisar bem os indivíduos, especialmente após os 60 anos, que reportam peso perdido e outros sintomas não-específicos no consultório do clínico geral – que costuma ser a porta de entrada desses casos.
O próximo passo dos experts é estabelecer qual a quantidade de quilos perdidos que deveria ligar o sinal de alerta, algo que não está claro nessa primeira pesquisa, já que os estudos avaliados utilizaram medidas diferentes. De qualquer maneira, fica o recado: enxugar as medidas sem explicação merece um olhar mais apurado.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Número de óbitos por H1N1 sobe para 4 no CE

Casos confirmados passaram de 7 para 24. Sesa orienta que municípios iniciem vacinação hoje
por Vanessa Madeira - Repórter
Subiu para quatro o número de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo vírus influenza A H1N1 no Ceará, neste ano. A informação foi divulgada ontem (19), em boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Aumentaram também os casos confirmados da doença no Estado, que chegam a 24. Diante da preocupação dos cearenses em relação ao vírus, que tem provocado corrida às clínicas particulares em busca da vacina, a Sesa orientou que os municípios iniciem hoje (20) a imunização dos grupos prioritários, inicialmente prevista para começar na próxima segunda (23).
Ainda segundo o boletim da Sesa, o Ceará também registrou um caso de SRAG causada pelo vírus A H3/Sazonal, e dois pelo vírus influenza B. Em nota técnica lançada na última terça-feira (17), o órgão havia confirmado oito casos de SRAG por influenza (sendo sete por H1N1 e um por influenza B) e 3 óbitos (todos por H1N1).
Vítimas
De acordo com a Sesa, sete municípios cearenses contabilizaram casos de SRAG por influenza dos subtipos A H1N1, A H3/Sazonal e influenza B. Já os óbitos foram confirmados em 4 cidades: Fortaleza (1), Eusébio (1), Iracema (1) e Solonópole. Destes, dois ocorreram em pacientes do sexo masculino e dois em pacientes do sexo feminino.
A superintendente de redes hospitalares e ambulatoriais da Sesa, Tânia Coelho, afirma que o órgão está acompanhando a evolução de casos no Estado e recomendando às unidades de saúde que notifiquem as ocorrências graves da doença. Segundo a gestora, embora os registros de SRAG por influenza em 2018 sejam inferiores ao total contabilizado em 2017 (36), a população deve se manter atenta às medidas de prevenção, uma vez que a quantidade de ocorrências é maior nesta época do ano.
"Sabemos que nessa época há um aumento de casos de doenças relacionadas à estação. As pessoas têm de ficar atentas, reforçar medidas de higienização e evitar aglomerados", acrescenta a superintendente.
Tânia ressalta que a doença é comum e apresenta registros todos os anos. Em geral, casos mais graves são observados entre os chamados grupos de risco, dos quais fazem parte crianças menores de cinco anos, idosos com mais de 60 anos, pacientes com doenças crônicas, gestantes, puérperas e outros públicos. Para evitar alarme, ela orienta que a população acompanhe os dados somente a partir dos boletins do órgão.
"A população tem que acompanhar o boletim e não informações vagas que vêm aparecendo em grupos e que só assustam as pessoas", acrescenta.
Ontem (19), a Sesa autorizou que os municípios iniciassem a vacinação contra a influenza nesta sexta-feira. Conforme a superintendente, grande parte das cidades já possui doses da vacina em estoque e, por isso, deve antecipar a imunização, que estava prevista para começar na segunda-feira (23). A ação será voltada para os grupos prioritários. Caso haja saldo de vacinas após o fim da campanha, marcado para 1º de junho, a imunização poderá ser disponibilizada para a população em geral.
Vacina
Tânia Coelho explica que a vacina encontrada nos postos de saúde é trivalente, oferecendo cobertura para três cepas do vírus influenza. Em relação à vacina tetravalente, ofertada em algumas clínicas da Capital, ela observa que ambas oferecem proteção contra o H1N1. "A cobertura das vacinas incluem os vírus que estão circulando. Não tem problema ser tri ou tetravalente, todas cobrem e não há contraindicação", afirma.
No Ceará, 2,28 milhões de pessoas devem se vacinar. A imunização será disponibilizada nos postos de saúde com salas de vacina, hospitais, postos volantes e instituições de idosos.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Não existe vírus H2N3 da gripe no Brasil

Na verdade, ele não circula em nenhum lugar e não deve preocupar quem pretende se vacinar, esclarecem o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde

Você já recebeu uma mensagem de áudio ou texto informando sobre o vírus da gripe H2N3, uma variação do influenza A H1N1? Segundo a mensagem, ele estaria circulando por aí e teria alto grau de letalidade. Pior: a vacina não protegeria contra essa perigosa cepa. Pois saiba que tudo não passa de uma notícia falsa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa, inclusive, que o tal “vírus H2N3” não circula em lugar nenhum do mundo. Ou seja, ele não existe.
Quem também se mobilizou para desmentir essa história foi o Ministério da Saúde. De acordo com ele, os vírus de influenza que atualmente provocam estragos em nosso país são o influenza A/H1N1pdm09, A/H3N2 e influenza B. E a vacina contra a gripe protege justamente contra esse trio. Vale lembrar que a campanha de vacinação começa em alguns dias.
Na mesma nota, o Ministério frisou que se mantém vigilante quanto à circulação de vírus influenza no Brasil. “O país possui uma rede de unidades sentinelas para vigilância da influenza, distribuídas em serviços de saúde em todas as unidades federadas”, informou.
No site da Organização das Nações Unidas no Brasil, é ressaltado ainda que a melhor maneira de evitar a infecção por influenza é a vacinação, que estará disponível por meio da campanha de 2018 nos postos de saúde para alguns públicos, como as gestantes, as crianças, os professores e os profissionais da saúde.

Mas outras medidas podem ajudar, como lavar as mãos com regularidade, principalmente ao chegar em casa, no trabalho ou na escola. Ao tossir ou espirrar, cubra o nariz e a boca com o antebraço (ora, é a mão que você com mais frequência, certo?). Além disso, mantenha os ambientes bem arejados e evite o contato próximo com indivíduos doentes.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Sete casos confirmados e três mortes no Ceará por H1N1

Em nota técnica divulgada ontem (17), a Sesa orienta notificação de todos os casos internados e óbitos
A campanha nacional de vacinação contra a influenza terá início no próximo dia 23. No Ceará, a expectativa é vacinar 2 milhões de pessoas ( Foto: Natinho Rodrigues )
por Thatiany Nascimento e Vanessa Madeira - Repórteres
Sete casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocada pelo vírus influenza A H1N1 foram confirmados no Ceará neste ano. Segundo nota técnica divulgada ontem (17) pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), deste total, três pessoas morreram em virtude da doença. Ainda conforme o documento, cujos dados se referem ao período entre 1º de janeiro e 14 de abril, o Estado contabiliza uma ocorrência de SRAG ocasionada pelo vírus influenza B. Além da vacina, medidas como lavar as mãos ou utilizar álcool em gel, usar lenços descartáveis e evitar aglomerações se estiver com alguns dos sintomas são formas de se prevenir da doença.
Em todo o ano passado, de acordo com a Sesa, o Ceará registrou 36 casos de SRAG por influeza. A nota técnica não especifica quais tipos de vírus foram responsável pela doença. No entanto, os dados apontam que, do total de casos confirmados, cinco evoluíram para óbito.
Diante do cenário observado, a Sesa reforçou a orientação para que profissionais de saúde das redes pública e privada notifiquem todos os casos internados ou que tenham culminado na morte dos pacientes "para que sejam implementadas medidas de prevenção e controle".
Síndrome Respiratória Aguda Grave
Neste ano, a campanha nacional de vacinação contra a influenza deve ter início no próximo dia 23. A exceção é o estado de Goiás, que devido à quantidade de óbitos registrados - 13 até o momento -, antecipou a mobilização. Serão imunizados grupos prioritários, como crianças com até cinco anos de idade, idosos, portadores de doenças crônicas, gestantes, puérperas, trabalhadores da área da Saúde e população indígena. No Ceará, a expectativa é vacinar cerca de 2 milhões de pessoas.
Ocorrência
A influenza pode ocorrer durante todo o ano, porém sua propagação cresce rapidamente em algumas estações. O Ministério da Saúde aponta o período de junho a agosto, por ser mais frio, como o mais propício para a ocorrência de epidemias de gripes.
No Estado, assim como no restante do Nordeste, segundo o infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Robério Leite, todos os anos há uma discussão sobre a necessidade de antecipação das vacinas em virtude das condições climáticas, que fazem o período de maior propagação da influenza ser entre os meses de fevereiro e maio.
A vacina contra gripe, que será liberada para os grupos de risco na próxima semana, protege contra estes três tipos de vírus influenza (A, B e C). Conforme o infectologista Robério Leite, o vírus é muito variável. "Ele é um vírus muito diferente. A medida que os anos vão passando a gente vai tendo contato, e o impacto dele já é diferente do que quando foi introduzido em 2009".
De acordo com ele, a expectativa é que em Fortaleza, este ano, haja uma predominância de circulação da influenza tipo A H3N2, mas os registros ainda não confirmam essa projeção. "Não temos ainda dados oficiais. O que se sabe é que neste momento estão circulando as três cepas do vírus". Questionado sobre a suposta gravidade do H1N1 em relação aos demais tipos de vírus da influenza, Robério informa que o cenário mais complicado foi em 2009, quando o H1N1 ainda era desconhecido. No atual momento, afirma ele, os três tipos de vírus "podem evoluir e causar óbitos. No entanto, a situação não está fora de controle. Então não há motivo para pânico". Outro fator importante, reforça o médico, é que a vacina é mais eficaz contra a influenza B e influenza A (H1N1).
Imunização
Robério reitera que em relação à sazonalidade da doença, o Brasil inteiro é tratado de "maneira única". Isto, segundo o infectologista, não deveria ser assim. Pois, no Nordeste, por exemplo, o ideal é que a vacinação tivesse início entre fevereiro e março já que o efeito de imunização adequado é alcançado um mês depois da aplicação. "Se começar a vacinar semana que vem, já é um período de maior circulação do vírus. O melhor momento seria fevereiro", diz.
Outra ponderação do médico é que é preciso diferenciar a influenza (incluindo a H1N1) do resfriado. Na primeira, o vírus provoca febre alta, tosse, coriza e dor no corpo. Já os resfriados limitam-se a sintomas no trato respiratório com coriza e febre baixa. De acordo com ele, os sintomas são muito semelhantes. Só quando se faz os exames clínicos é possível distinguir.
No tratamento, explica o infectologista, a norma técnica prevê que as pessoas que tiveram contato com alguém suscetível à doença devem fazer a profilaxia, com uso do antiviral, em até 48 horas. Embora a comprovação aconteça via exames laboratoriais, Robério informa, que a conduta de iniciar o tratamento é clínica. "Se você for esperar sair o resultado, pode demorar muito e ser um risco. Tem que orientar para o tratamento. Não se espera o resultado do exame laboratorial, que é mais para saber o que está circulando", reforça.

sábado, 14 de abril de 2018

Remédio moderno para mieloma múltiplo ganha aprovação inédita

Brasil é o primeiro país do mundo a autorizar o uso de uma droga de última geração nas primeiras fases do tratamento dessa doença – só tem um porém

Acredite se quiser, o Brasil é o primeiro país do mundo a aprovar a utilização de um medicamento moderno entre pacientes recentemente diagnosticados com mieloma múltiplo – um tipo de câncer de sangue – que não podem fazer o transplante autólogo de medula óssea. O remédio se chama daratumumabe e pertence à farmacêutica Janssen.
“Ele já era prescrito no país para pessoas com essa doença que haviam passado por outros tratamentos”, introduz o hematologista Breno Moreno Gusmão, da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Mas, agora, a droga também entra na primeira linha do arsenal terapêutico”, diferencia.
Dito de outra maneira, o fármaco se torna uma opção logo após a descoberta do mieloma, o que amplia consideravelmente seu uso. Isso desde que o indivíduo não possa fazer o transplante autólogo de medula, no qual os médicos colhem parte da medula óssea do próprio paciente e, após uma bomba de remédios que visa controlar a enfermidade, reintroduzem-na.
A técnica é usada para repovoar essa fábrica de células sanguíneas – imprescindível para nossa sobrevivência – após a fase mais agressiva do tratamento padrão. “O problema é que, por envolver efeitos colaterais consideráveis, muitos pacientes não podem se submeter ao transplante”, explica Breno.
Se você considerar que, em média, as vítimas do mieloma múltiplo tem mais de 60 anos – e, por isso, tendem a apresentar a saúde um pouco fragilizada –, fica claro que uma parcela considerável poderá se beneficiar da nova aprovação da Anvisa.

O que é mieloma múltipla e como funciona o novo remédio

De um jeito bem resumido, trata-se de um câncer que atinge células específicas do sistema imunológico: os plasmócitos. Estima-se que mais de 7 mil brasileiros manifestem a doença por ano.
O mieloma múltiplo pode avançar silenciosamente ou trazer, como sintomas, dor nos ossos, problemas renais e infecções recorrentes. Ao suspeitar do quadro, o médico pede exames que acusam sua presença.
Infelizmente, essa encrenca não tem cura. “Mas, com os novos tratamentos, estamos conseguindo fazer os pacientes viverem bem por muito mais tempo”, diz Gusmão. De acordo com ele, os indivíduos chegam a sobreviver 15 ou 20 anos em casos menos agressivos – de novo, lembre-se de que estamos falando de pessoas que costumam possuir mais de 60 anos.
E como o daratumumabe funciona? Aplicado na veia numa frequência que variam de pessoa para pessoa, ele mira diretamente as células malignas que estão circulando pelo corpo, ajudando as próprias defesas do indivíduo a identificarem e atacarem os inimigos. A esse tipo de tratamento se dá o nome de imunoterapia.
Segundo os estudos que foram usados para garantir a aprovação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o daratumumabe – aplicado em conjunto com outros fármacos – diminuiu em 50% o risco de progressão do mieloma múltiplo. Isso em comparação ao coquetel de medicamentos normalmente empregado nessa situação.
“O mieloma múltiplo é como um vulcão. Ele entra em erupção, mas, com o tratamento, volta a se acalmar. Nosso objetivo é, cada vez mais, estender o período de remissão”, contextualiza Gusmão.

O lado chato da história Não é legal terminar uma matéria com uma má notícia, porém aqui vamos nós: hoje, todos esses benefícios não passam nem perto do Sistema Único de Saúde (SUS). Aliás, na rede pública o paciente com mieloma múltiplo sequer tem acesso à lenalidomida, outra arma importante contra essa enfermidade que foi aprovada no início de 2018.
“Nesse quesito, estamos dez ou 15 anos atrasados. É uma tragédia”, lamenta Gusmão.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Vírus da gripe H3N2, que causou surto nos EUA, está no Brasil. O que fazer

O tipo do vírus influenza que ocasionou várias mortes nos Estados Unidos já está no nosso país. Saiba como se proteger - a vacina é fundamental

Com a chegada dos dias mais frios, é esperado que  o vírus influenza, causador da gripe, comece a circular com mais intensidade em 2018. Além do tipo H1N1, também chamado de gripe suína, alguns estados já registraram os primeiros episódios de infecção pelo H3N2, uma versão que, só nos Estados Unidos, infectou mais de 47 mil pessoas no último surto e provocou diversas mortes, principalmente de crianças e idosos.
Segundo o último informe epidemiológico, divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, 13 estados brasileiros já registraram um total de 57 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave causado pelo influenza H3N2. Do total, dez pacientes morreram, sendo três em São Paulo.
A circulação do H3N2 no Brasil não é novidade. Segundo a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, a biomédica Regiane de Paula, esse vírus da gripe trafega pelo país há bastante tempo. Ela reforça ainda que a vacina que será distribuída na campanha deste ano protege contra ele. “Ela já tem o H1N1, o H3N2 e também um subtipo do influenza B na composição.

O surto de gripe brasileiro será igual ao americano?

Para a biomédica Regiane de Paula, não é possível afirmar que a incidência no H3N2 será igual  no nosso território. “Há um inverno muito mais intenso na América do Norte. Estamos em um país tropical e ainda não esfriou tanto. Por outro lado, vivemos em em mundo globalizado”, ressalta.
Ela ainda destaca que não há mudança significativa na incidência do vírus H3N2 no Brasil. “Ao compararmos os boletins epidemiológicos do ano passado com os dados de 2018, no estado de São Paulo, vemos que eles são semelhantes”. A meta é seguir monitorando os casos de gripe para ver como essa doença vai evoluir por aqui.

O H3N2 exige prevenção especial?

Não. Como já foi dito, a vacina contempla esse vírus – e será distribuída gratuitamente para idosos acima de 60 anos, crianças com mais de 6 meses e menos de 5 anos, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, trabalhadores de saúde, povos indígenas, portadores de doenças crônicas (como as cardiovasculares) e professores.
Na rede privada, a versão quadrivalente da vacina pode ser adquirida por qualquer um.
Além disso, siga aquela etiqueta de higiene. “Coloque sempre o braço na frente da boca ao tossir, lave as mãos, evite circular em locais fechados com pessoas infectadas e, aos primeiros sinais de sintomas, procure um médico”, destaca Regiane.
Este conteúdo foi publicado originalmente na Agência Brasil.